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A China Antiga

China antiga. Dinastia Han. Civilização chinesa. O que mais cai no vestibular. O que mais cai no ENEM. Resumos de História Grátis.

A China Antiga

a china antiga

 

Se Uruk foi uma das primeiras cidades de que se tem notícia, essa novidade não ficou restrita à Mesopotâmia. Também no Egito, como vimos, foram surgindo cidades que se bastavam a si mesmas, com economia, organização social e poder político próprios. Aproximadamente em 1700 a.C. encontramos no norte da China suas primeiras cidades, no vale do rio Amarelo. Os reis da dinastia Chang criaram, com base na unificação de várias cidades e suas áreas de influência, um grande Estado que teve continuidade até aproximadamente 1100 a.C. O que se sabe sobre a dinastia Chang vem de objetos rituais, como cascas de bambu, ossos, cascos de tartaruga e textos escritos em ideogramas encontrados em escavações realizadas entre 1920 e 1930.

A capital do reino Chang foi mudada algumas vezes, mas se estabeleceu finalmente em Yin. A rica cultura material incluía a criação de vasos de bronze decorados com imagens de seres míticos e animais, esculturas em jade e instrumentos musicais. Ergueram-se palácios, tumbas e fortificações, envolvendo o trabalho de milhares de camponeses e escravos.

Uma invasão de povos vindos de um reino a oeste, os Chou (ou Zhou), por volta de 1100 a.C., derrubou a dinastia Chang. Foi durante a dinastia Chou que se firmou a denominação Reino do Meio, atribuída pelos próprios chineses, que acreditavam ser o centro do mundo. Houve nesse período um grande impulso cultural, muitas vezes lembrado como a Idade de Ouro da filosofi a chinesa.

Uma das fontes importantes para o conhecimento desse período da história da China são os escritos de Confúcio (Kong Fuzi ou Kung-Fu-Tze), que viveu no século VI a.C. Ele deixou uma grande obra, reunindo muitos textos antigos por seu valor moral, sem se preocupar com a veracidade histórica. Os chineses antigos se dedicavam a registrar os conhecimentos e os feitos dos líderes locais e imperadores com o objetivo de deixar exemplos para as gerações futuras. No caso de Confúcio, ele não apenas recuperou textos, mas também desenvolveu um sistema de pensamento que influenciou fortemente o mundo chinês, tendo sido adotado como filosofia oficial durante a dinastia Han (III a.C.- -III d.C.). O confucionismo sustenta os princípios de altruísmo, cortesia ritual, conhecimento ou sabedoria moral, integridade, fidelidade e justiça, retidão e honradez. Esses valores continuaram a ser respeitados mesmo após a dinastia Han, e até hoje estão presentes na civilização chinesa.

Assim como os textos de Confúcio, muitos outros escritos da Antiguidade chinesa ajudam os pesquisadores a desvendar e compreender o passado. Os primeiros registros históricos da China eram feitos por sábios ligados aos poderes políticos. Essas primeiras fontes disponíveis eram literárias e mesclavam aspectos de arte, registro histórico e doutrina moral. Muitos sábios, ao estudar esses textos, acrescentavam nas entrelinhas seus próprios comentários, em caracteres menores. Quando esses textos eram recopiados, os caracteres menores se misturavam com os maiores. Para compreender esses textos, os especialistas modernos, ajudados por descobertas arqueológicas, usam conhecimentos de gramática histórica (ou seja, o estudo das mudanças nas regras e no estilo da escrita) para tentar datar os diversos trechos dos textos e assim associá-los criticamente com períodos e acontecimentos históricos.

A análise de documentos e diversas evidências materiais indicam que os governantes da dinastia Chou criaram um sistema de doação de territórios a chefes poderosos, dividindo a China em principados. Com o passar do tempo, isso acabou por descentralizar o poder político e reduzir a autoridade dos governantes. A invasão de povos nômades vindos do norte e do oeste agravou ainda mais esse quadro. A formação de alianças entre os principados e a hegemonia de um principado mais forte garantiram, durante certo tempo, alguma estabilidade. A partir do século V a.C., porém, as alianças já não se sustentavam e as guerras se tornaram mais intensas. Os sete reinos (principados) então existentes passaram a guerrear pelo domínio. Por isso o período entre os séculos V a.C. e III a.C. ficou conhecido como “período dos reinos combatentes”. A recuperação da ordem e a reunificação foram obtidas com o rei Shi Huang Ti, do reino Ch’in, que derrubou a dinastia Chou e iniciou a dinastia Ch’in (221 a.C.-206 a.C.). É do nome desse reino que se originou o nome China.

Shi Huang Ti conseguiu criar um imenso império, impondo uma escrita comum, um calendário único, uma moeda única e a construção de grandes obras, como estradas e canais. Foi sob seu reinado que começou a ser construída a Grande Muralha, para proteger o império contra invasores nômades. O rei também adotou medidas para “apagar o passado” chinês, determinando a queima de livros e mandando matar estudantes e intelectuais. Muitos livros do período conhecido como Idade de Ouro da filosofia foram queimados.

 

Após a morte de Shi Huang Ti, em 210 a.C., seguiram-se rebeliões internas e disputas pelo poder, e a dinastia Ch’in foi derrubada. Somente em 202 a.C., Lieu Pang conseguiu a reunifi cação imperial, iniciando outra dinastia, a Han (202 a.C.-220 d.C.). Essa dinastia, contemporânea do Império Romano, expandiu seus domínios com várias conquistas, destacando-se os enfrentamentos com os hunos do norte – povos nômades que eram os tradicionais adversários da China. Vastas áreas da Ásia oriental foram conquistadas, e o império chegou a se estender por boa parte da China atual, mais o Vietnã e a Coreia.

No período da dinastia Han os chineses desenvolveram a técnica de fabricação do papel e inventaram a bússola. São também dessa época os registros escritos mais antigos sobre a acupuntura, que já era praticada havia milhares de anos e que se tornaria uma importante prática da tradicional medicina chinesa.

O confucionismo foi adotado como doutrina oficial, mas isso não impediu a penetração do budismo, facilitada pela expansão do império a oeste, próximo à Índia, e pelas relações comerciais. O intercâmbio comercial, afinal de contas, era, ao mesmo tempo, intercâmbio cultural, religioso, científico, tecnológico, etc. Isso porque, em portos, feiras e entrepostos de negociação de mercadorias, comerciantes das mais diversas civilizações conviviam durante longos períodos antes de iniciar a viagem de volta.

O Império Chinês, em suas sucessivas dinastias, chegou até o século XX da nossa era, quando foi derrubado por uma revolução republicana. De sua história de conquistas e invasões, desde a Antiguidade, resultou na China uma população diversificada: o país tem hoje 56 grupos étnicos oficiais, cada um com suas tradições e seus costumes; são 129 idiomas no total, pois alguns grupos falam mais de uma língua.

 

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