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A Civilização egípcia | o Egito Antigo

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A Civilização egípcia | o Egito Antigo

A civilização egípcia

 

Instalada no extremo nordeste da África, em região desértica, a civilização egípcia floresceu às margens do rio Nilo, beneficiando-se do regime de cheias. As abundantes chuvas durante certos meses do ano na nascente do rio, ao sul, provocam o transbordamento de suas águas e o consequente depósito do húmus fertilizante em suas estreitas margens.

Ao final do período de cheias, o rio volta ao seu leito normal e as margens, naturalmente fertilizadas, tornam possível uma rica agricultura.

Contudo, diante do aumento populacional no Neolítico, tornaram-se necessárias obras hidráulicas, como a construção de diques e canais, para o cultivo agrícola. Estudos e pesquisas arqueológicas e históricas apuraram que a organização do trabalho às margens do Nilo, a construção de diques e outras obras foram realizadas inicialmente pelas coletividades locais e regionais conhecidas como nomos. Mais tarde, ficaram a cargo de uma estrutura governamental mais complexa.

 

Estima-se que uma das primeiras cidades surgidas na região do rio Nilo foi Maadi em cerca de 3500 a.C. Os estudos arqueológicos no sítio, que fica 15 quilômetros ao sul da cidade do Cairo, indicam evidências de abrigos e cabanas, estruturas administrativas, silos de grãos, como o trigo e a cevada (caixas de armazenamento feitas com tijolos de barro) e locais de sepultamento. Também foram encontrados cobre e betume, que assim como os grãos eram utilizados para trocas comerciais na Antiguidade. Essas evidências, que mostram uma sociedade organizada e hierarquizada, levam a crer que Maadi foi um importante centro comercial. O cobre era utilizado na fabricação de diversos objetos, e o betume era valorizado por se atribuírem a ele poderes curativos, além de ser utilizado na mumificação.

 

Outras duas cidades surgidas no mesmo período de Maadi, e também no vale do Nilo, foram Hierakonpolis e Naqada, que ficavam próximas uma da outra e se tornaram muito importantes nas relações comerciais com as vilas vizinhas. Acredita-se que Naqada se desenvolveu como núcleo urbano por causa de sua associação com algum culto religioso ou santuário, tornando-se centro de ligação entre as vilas provavelmente organizadas em torno de clãs. Era o espaço para a troca de excedentes de comida e de atividades comerciais entre os aldeões próximos. Assim deve ter ocorrido com uma série de outras cidades que iam surgindo no vale do Nilo, estabelecendo-se em terras férteis e relacionando-se com centros urbanos próximos. Entre as cidades egípcias, Abydos se tornou um centro importante ao dominar uma grande região no delta do Nilo, dois séculos antes de Mênfi s, atual Cairo, tornar-se capital do Egito unificado. Em outros períodos, Núbia, Tebas e Karnac também se destacaram, e, no final do chamado Egito antigo, Alexandria teve seu momento de glória.

Vários estudiosos do Egito antigo apontam que o Estado egípcio foi precedido por intensa urbanização.  As atuações dos nomarcas – chefes dos nomos –, a expansão das atividades agrícolas, graças às obras de irrigação e drenagem, e as seguidas disputas regionais contribuíram para a fusão dos nomos, originando, por volta de 3500 a.C., dois reinos: o do Alto Egito, ao sul, e o do Baixo Egito, ao norte, na região do delta do Nilo.

Séculos depois, perto de 3200 a.C., deu-se a unificação do Estado egípcio, o primeiro reino unificado de que se tem conhecimento na História. A sede inicialmente foi a cidade de Tínis, e mais tarde Mênfis. 

Ao que parece, foi um chefe do Alto Egito que uniu os dois reinos, subordinando os cerca de quarenta nomos e tornando-se o primeiro faraó. Há dúvidas sobre seu nome, tendo sido mais comumente atribuídos os nomes Menés ou Narmer (em grego): o nome Menés aparece em alguns registros, como a Lista Real de Abydos e o Papiro de Turim, mas a sua existência, assim como a sua identidade como Narmer, não foi confirmada por nenhum achado arqueológico.

 

Economia, sociedade e cultura na civilização egípcia

 

A economia egípcia apoiava-se na servidão coletiva: os camponeses eram obrigados a realizar grandes obras de irrigação coordenadas pelo Estado, além de construir depósitos de armazenagem, templos, palácios e monumentos funerários. O trabalho era feito quase sempre na época das cheias do Nilo, quando as atividades agrícolas eram interrompidas temporariamente. O Egito era grande produtor de cereais, em especial trigo, e de algodão, linho e papiro. Os egípcios também criavam cabras, carneiros e gansos, e o rio oferecia a possibilidade da pesca. Praticava-se o artesanato e a produção de tecidos e vidros. A indústria de construção naval era também significativa.

 

A organização da sociedade egípcia era bastante rígida. Com o início do período dinástico na história egípcia – o Império Egípcio –, a partir da unificação, o faraó passou a concentrar todos os poderes e a maior parte das terras, sendo considerado um deus vivo. Configurou-se assim uma monarquia teocrática. O governante se impunha como senhor supremo do Egito, exercendo o papel de chefe de um Estado centralizado. Controlava a economia do país, com funcionários que administravam templos, terras, homens, barcos e rebanhos, cobravam tributos e trabalhos. Embora os nomarcas, que acumulavam grandes riquezas e tinham importante poderio regional, tenham, em alguns momentos, disputado esse poder com os faraós, eles acabaram passando a atuar como representantes do poder central, administrando aldeias e cidades, arrecadando impostos e fazendo cumprir as decisões do faraó.

Logo abaixo dos nomarcas na hierarquia vinham os sacerdotes, os grandes burocratas e os chefes militares. Em seguida, vinha a baixa burocracia, formada pelos escribas, conhecedores da complexa escrita hieroglífica e responsáveis pelos registros administrativos. Nessa camada intermediária figuravam também os comerciantes, que ganharam mais expressão no período conhecido como Novo Império – iniciado com o fortalecimento do Egito após a expulsão dos hicsos, que dominaram boa parte da região antes de 1580 a.C.

A base da sociedade egípcia era formada pela grande massa de camponeses. Os camponeses e artesãos tinham de pagar tributos e servir ao faraó, por meio do trabalho compulsório em campos, oficinas, minas e obras públicas. Eventualmente havia também escravos, capturados nas guerras, embora essa categoria social não tivesse grande importância no sistema econômico egípcio.

A religião egípcia foi muito importante para a manutenção da ordem existente e, portanto, do domínio dos camponeses pelo Estado. O culto era politeísta, resultado da diversidade de nomos que, fundidos, deram origem à civilização egípcia. Alguns dos deuses eram Amon-Rá, Osíris, Ísis, Set, Hórus, Anúbis e Ápis.

Com o faraó Amenófi s IV (1377 a.C.-1358 a.C.) foram realizadas profundas reformas de cunho político-religioso. Templos foram fechados e bens foram confiscados, valorizando o culto monoteísta ao deus Aton, representado pelo círculo solar, em lugar do politeísmo tradicional centrado principalmente no deus Amon-Rá. O próprio faraó teve seu nome mudado para Akhenaton (Ech-n-Aton = ‘aquele que adora Aton’), e foi fundada uma nova capital próxima de Tebas, chamada Ahketaton (‘horizonte do disco solar’). A longo prazo, porém, essas reformas não vingaram, ao que parece por causa das crenças tradicionais e da impopularidade da nova religião. Com a morte de Amenófi s IV e sua sucessão por Tutancâmon, a religião tradicional politeísta foi restabelecida.

Como os egípcios acreditavam em vida após a morte e no retorno da alma ao corpo, cultuavam os mortos e desenvolveram técnicas de mumificação para conservar os cadáveres. Os corpos ficavam no túmulo junto com tudo o que seria utilizado no retorno à vida, como alimentos, utensílios, joias e objetos pessoais. No caso dos faraós, os corpos mumificados ficavam protegidos nas pirâmides, imensas construções repletas de passagens e câmaras para impedir a ação de saqueadores de túmulos.

As técnicas desenvolvidas para a construção de templos religiosos e funerários (as pirâmides, por exemplo) e de obras hidráulicas, por sua vez, significaram um grande avanço da arquitetura e da engenharia. O interesse em ciência demonstrado pelos egípcios é bastante claro em seus estudos de Astronomia, que resultaram na criação de um calendário solar composto de doze meses de trinta dias. Com relação às artes, não se pode negar sua conotação religiosa. A pintura egípcia, destinada à representação de deuses, faraós e da nobreza em geral, caracterizava-se pela falta de perspectiva: tudo era representado no mesmo plano, sem ideia de profundidade. Na escultura, muitas vezes monumental, as linhas eram rígidas e perfeitamente simétricas. Na literatura, cultivava-se a poesia; uma das peças mais famosas foi o Hino ao Sol, composto por Amenófis IV. O texto ao lado faz uma reflexão sobre o papel da arte para reforçar as relações de poder. A escrita egípcia desenvolveu-se de três formas:

 

a hieroglífica, considerada sagrada, mais antiga e composta de mais de seiscentos caracteres;

a hierática, uma simplificação da hieroglífica;

a demótica, mais recente e popular, formada por cerca de 350 sinais.

 

Os períodos da história egípcia

 

A longa história egípcia tradicionalmente tem sido dividida em três grandes períodos: o Antigo Império (c. 3200 a.C.-2300 a.C.), o Médio Império (c. 2000 a.C.-1580 a.C.) e o Novo Império (c. 1580 a.C.‑525 a.C.).

 

Em seus quase 3 mil anos de história de revoltas, conquistas e invasões estrangeiras, o Egito foi governado por faraós de 26 dinastias. O declínio final do império se deu com a invasão dos persas em 525 a.C. Comandados por Cambises, filho de Ciro e rei da Pérsia entre 530 a.C. e 522 a.C., os persas derrotaram os egípcios na Batalha de Pelusa e conquistaram definitivamente a região. A partir daí, o Egito foi dominado por vários povos durante pelo menos 2500 anos, tendo se tornado sucessivamente província do Império Persa, território ocupado por macedônios, romanos, árabes, turcos e finalmente ingleses.

Essas últimas invasões tiveram grande efeito sobre a cultura egípcia, sobretudo o domínio macedônico, que abriu caminho para as ideias gregas. Esse domínio instaurou no Egito uma dinastia de origem macedônica, chamada ptolomaica ou lágida, à qual pertenceu Cleópatra, uma das personagens mais famosas da história antiga. Ocupou o trono em 51 a.C., depois da morte do pai, Ptolomeu XII, e nele permaneceu até sua morte, em 30 a.C. O filho de Cleópatra com o ditador romano Júlio César foi o último rei ptolomaico. Depois desse período, o Egito caiu sob o domínio romano e, mais tarde, árabe – domínios que introduziram elementos culturais cristãos e muçulmanos, respectivamente.

a civilização dos hebreus, Fenícios e Persas

 

Na região do Crescente Fértil, as ricas terras encontradas nas margens dos grandes rios (Nilo, Tigre e Eufrates) possibilitaram não apenas o desenvolvimento das civilizações egípcia e mesopotâmica, mas também o de povos vizinhos, que, de alguma maneira e em algum momento, aproveitaram-se da riqueza daquelas. Trata-se de hebreus, fenícios e persas, responsáveis por alguns legados da cultura ocidental. Os hebreus se destacam por terem sido o primeiro povo a adotar o monoteísmo ético, religiosidade em que existe um só Deus e que exige um comportamento ético dos homens, ou seja, exige-se que ajam de maneira correta e justa. O monoteísmo ético está na base da religião de mais de 2 bilhões de pessoas hoje: os judeus, os cristãos e os muçulmanos.

 

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