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A fundação de Roma: Mitos e História

Dos três mitos fundadores, o que mais se proliferou foi o de Rômulo e Remo, mas de qualquer forma, é interessante pensarmos como cada um desses mitos carrega de forma muito profunda a maneira como os romanos se enxergavam como um povo.

A fundação de Roma: Mitos e História

Se localize:

Tempo – Século VIII A.C
Espaço – Europa Ocidental – Península Itálica

 

Os arqueólogos dizem que Roma se desenvolveu a partir de um acampamento de pastores latinos que usavam as margens do Rio Tibre para cuidar de seus rebanhos, e desse pouso, ou acampamento acabou crescendo a cidade.

Essa história de fundação simples e bastante comum (lembre-se que diversas cidades surgiram assim, inclusive no Brasil), não era forte o bastante para os poderosos romanos de alguns séculos depois. Ela não explicava a razão pela qual Roma estava se tornando uma grande potência expansionista do mundo antigo.

Surgem, assim, já na fase republicana, alguns mitos fundadores, que supostamente justificariam de antemão a grandiosidade da cidade e de seus habitantes. A principal função desses mitos era estabelecer, para Roma e seus habitantes, a ideia de um destino já traçado e de um futuro grandioso, baseado em uma história única e heroica.

Vamos conhecer algumas delas:

Os três Horácios

 Como se sabe, o mundo da Antiguidade Clássica Ocidental era essencialmente patriarcal e como as cidades eram pequenas, cada homem tinha um valor social inestimável. Assim, na disputa entre Roma e Alba Longa, ao invés de combaterem os dois exércitos, apenas três homens pertencentes a uma mesma família foram escolhidos por ambas as cidades. No lado de Roma, os Horacii e do lado de Alba Longa, os Curiatii.

Com dois irmãos Horacii mortos, restou ao remanescente, Públio, enfrentar os três inimigos. Ciente de que não poderia lutar com os três simultaneamente, o rapaz toma uma decisão bastante sábia e despista os três irmãos de Alba Longa, enfrentando cada um deles sozinho e vencendo a batalha.

Públio foi recebido com honras em Roma, mas sua irmã, Diana, parecia não estar feliz. Na verdade, ela havia sido prometida a um dos irmãos Curiatii e por isso, chorava a morte de seu pretendente.  Descontente com a situação, Públio saca sua espada e perfura o coração da irmã, afirmando para todos ouvirem que romanos não devem chorar a morte de seus inimigos.

O rapaz foi julgado e condenado à morte, mas seu pai suplicou aos juízes que o deixasse viver, afinal, havia perdido outros dois filhos em nome da honra romana. Além do mais, acreditava que o filho estava certo ao matar Diana!

Seu pedido foi analisado e por fim, concedido e Públio, agora livre, voltou a ser um herói romano.

Jacques-Louis David  “O Juramento dos Horácios”, óleo sobre tela 1784Acervo do Museu Louvre
Jacques-Louis David  “O Juramento dos Horácios”, óleo sobre tela 1784Acervo do Museu Louvre

O Rapto das Sabinas

Os Sabinos formavam um povoado que vivia próximo a Roma no tempo de sua fundação. O mito conta a história do rapto das mulheres sabinas, levado a cabo por Rômulo, fundador de Roma, que buscava esposas para que os romanos, predominantemente homens, pudessem levar a civilização adiante.

Inicialmente, Rômulo tentou um acordo diplomático, que foi prontamente negado pelo rei Sabino, que considerava os romanos uma cidade rival e por isso não tinha qualquer interesse em partilhar de suas mulheres e ajudar Roma a crescer.

Assim, Rômulo se vê obrigado a aplicar um golpe; ele inventa um festival em homenagem a Netuno Equestre e convida diversos povoados vizinhos, entre eles, claro, os sabinos.  Durante o festival, quando todos já estavam embriagados e felizes, Rômulo ordena a seus soldados que raptem as mulheres sabinas e enfrentem os soldados do inimigo.

Uma vez consumado o sequestro, Rômulo teria se aproximado das mulheres e as convencido a ficar, prometendo tratamento digno, direitos civis e de propriedade. Teria sido, assim, uma espécie de acordo, em que as mulheres “por livre e espontânea vontade”, aceitaram desposar os romanos.

Como reprimenda ao comportamento de Rômulo, diversos reis de povoados vizinhos atacam Roma, mas todos saem não somente derrotados, como conquistados.

Pietro da Cortona  “O Rapto das Sabinas”, óleo sobre tela 1629
Pietro da Cortona  “O Rapto das Sabinas”, óleo sobre tela 1629

Rômulo e Remo

Segundo consta, Rômulo e Remo eram filhos do Deus Marte e da Princesa Reia Silvia, da cidade de Alba Longa, que por sua vez era descendente de Eneias, um importante líder troiano na guerra contra os gregos.

Após uma guerra de sucessão em Alba Longa, o tio de Réia, Amúlio, a obriga a virar uma sacerdotisa vestal (uma virgem vestal), sem saber que ela estava grávida do Deus Marte.  Ao descobrir o fato, Amúlio prende Réia em um calabouço e joga os irmãos no rio Tibre.

Para azar do malvado Amúlio, as crianças sobrevivem milagrosamente e são resgatadas por uma loba chamada Capitolina (em homenagem a região onde foram resgatados, Capitolino), que os amamenta.

Tempos depois, já crescidos, os irmãos se vingam de Amúlio e decidem voltar para a região onde cresceram. Lá, decidem, cada um, fundar uma cidade. As divergências entre ambos torna-se muito acirrada e após um conflito, Rômulo acaba assassinando o próprio irmão e funda a sua cidade, Roma, se tornando também o primeiro rei.

Lupa Capitolina, obra medieval em bronze.
Lupa Capitolina, obra medieval em bronze.

Dos três mitos fundadores, o que mais se proliferou foi o de Rômulo e Remo, mas de qualquer forma, é interessante pensarmos como cada um desses mitos carrega de forma muito profunda a maneira como os romanos se enxergavam como um povo.

É notório nos três mitos a forte presença do elemento masculino como o líder impiedoso que faz a guerra, conquista as mulheres dos inimigos e até mesmo assassina familiares em nome do bem estar e do crescimento de Roma, acima de tudo.  São filhos de Deuses com princesas, ligados diretamente às importantes cidades e civilizações do mundo antigo, como Alba Longa e Troia, destemidos e predestinados.

Para os romanos, sua história nasceu do sangue e da guerra e isso justificaria a grandeza da sociedade e do grande império que se formava.

Claro que a história documentada da Roma antiga é bastante diferente de seus mitos de fundação; mas isso é assunto para um outro texto!

 

 

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