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A Índia Antiga

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A Índia Antiga

a índia antiga

Escavações no vale do rio Indo, realizadas especialmente na década de 1920, ampliaram os conhecimentos sobre as cidades de Mohenjo-Daro e Harappa. A região pertenceu à Índia e hoje está no território do Paquistão, criado em 1947.

As descobertas mostraram que as civilizações que antes eram denominadas “civilizações do Indo” se estendiam muito além do vale desse rio. As duas cidades, distantes 600 quilômetros entre si, foram erigidas por volta de 3000 a.C. Tinham canalização de água e esgoto, com algum tratamento, até nas casas mais humildes. Isso, para a época, representava um grande sinal de desenvolvimento urbano.

Além disso, a distribuição das edificações, organizadas em forma de tabuleiro de xadrez, indica que houve um planejamento urbano, o que só poderia ser feito sob a orientação de um governo centralizado. Os arqueólogos encontraram também celeiros feitos com técnicas engenhosas de isolamento e ventilação. Imagina-se que a construção tenha sido usada como uma espécie de banco, pois na época todos os valores eram medidos com base em quantidades de cereais.

A civilização aí desenvolvida era conhecida como dravidiana, em referência aos drávidas, grupo étnico que habitava o sul da Índia. Falavam idiomas que não pertenciam à família de línguas indo-europeias e desenvolveram uma escrita que ainda não foi decifrada. Ainda não se compreende como a civilização dravidiana desapareceu. Supõe-se que tenha sido por causa de deslocamentos humanos em massa motivados por secas ou terremotos. Seus descendentes são encontrados principalmente no sul da Índia, e muitas de suas práticas de meditação ajudaram a formar a religião hindu.

No decorrer do segundo milênio antes da Era Cristã, de forma lenta, com imigrações e invasões, a região registra a chegada de povos seminômades indo-europeus, chamados de ários ou arianos. Dominando a escrita, os ários descreveram sangrentos conflitos por meio dos quais teriam se instalado no vale do rio Indo. Esses textos, que foram escritos em sânscrito, são conhecidos como Vedas, que significa ‘conhecimento’. Por isso a civilização que surge nesse momento é chamada de védica.

A civilização védica está na base histórica da Índia como hoje a conhecemos. Sua cultura foi compartilhada pelos diversos reinos que se formaram na região. Caracterizava-se pela religião – hinduísmo e, posteriormente, o bramanismo – e pela forma de organização social – o sistema de castas.

O hinduísmo fundamentava-se nas crenças descritas nos Vedas, com a adoração de várias divindades, inclusive animais, e a crença em reencarnação. Seus seguidores tinham como objetivo principal a plena purificação – o chamado nirvana –, que poria fim ao eterno ciclo de nascimento, morte e reencarnação. Com o passar do tempo, o hinduísmo incorporou novos deuses e crenças, dando origem a uma religião mais complexa, conhecida como bramanismo. Entre as principais divindades do bramanismo estão Brahma, arquiteto do Universo; Vishnu, deus da conservação; e Shiva, deus da destruição.

O domínio dos guerreiros (xátrias) e dos sacerdotes (brâmanes) sobre os demais grupos sociais indianos fundamenta o sistema de castas. Nesse sistema, uma pessoa já nascia em uma casta, ou seja, em uma posição na sociedade, e nela permaneceria por toda a vida. Mesmo que enriquecesse, um indivíduo nascido numa casta inferior jamais poderia ascender à casta superior. As pessoas só podiam se casar com membros da mesma casta. Além disso, os membros de cada casta deveriam desempenhar funções sociais bastante específicas.

A divisão da sociedade indiana em castas tinha uma explicação religiosa. As castas teriam se originado de diferentes partes do corpo de Brahma: os brâmanes seriam oriundos da cabeça; os xátrias, dos braços; os vaixás, das pernas; e os sudras, dos pés do deus. Portanto, no topo dessa sociedade indiana estavam os brâmanes, poderosos sacerdotes que dominavam o conhecimento e a ordem política. Logo abaixo ficavam os xátrias, guerreiros, seguidos dos vaixás, comerciantes e artesãos. Mais abaixo na pirâmide social estavam os sudras, trabalhadores em geral, obrigados a servir às três castas superiores, pagando-lhes impostos.

Na parte mais inferior da pirâmide social ficavam os “sem casta”, os párias, considerados impuros e denominados “intocáveis” (não podiam ser tocados), pois não eram oriundos do corpo de Brahma. A eles cabiam os trabalhos considerados degradantes, que envolviam contato com excrementos e sangue, como queimar cadáveres e limpar latrinas. No interior de cada casta havia numerosas subdivisões.

Diversos hinos védicos, que fazem parte da literatura sânscrita, narram momentos importantes das divindades. O hino Purusha Sukta, por exemplo, narra o sacrifício do gigante cósmico Purusha para dar origem aos deuses, aos homens e a todas as coisas, bem como às castas.

O hinduísmo sofreu mudanças ao longo dos séculos. Hoje é adotado por mais de 870 milhões de pessoas, predominando na Índia e no Nepal atuais com mais de 70% de seguidores. É a terceira crença com mais adeptos no mundo, depois do cristianismo e do islamismo. Quanto às castas, em 1950 a Índia suprimiu esse sistema, mas na prática ele persiste até hoje. Em 1997, Kocheril Raman Narayanan, um membro da casta intocável, foi eleito presidente da Índia, fato inédito no país. No século VI a.C., surgiu na cultura indiana uma doutrina que se opôs à sociedade de castas, o budismo. Foi criada pelo príncipe Sidharta Gautama, que, segundo a tradição, teria abandonado todo o luxo e poder e se engajado em uma caminhada mística que o levou à iluminação, ou nirvana. O budismo pregava a igualdade entre os seres humanos e defendia que cada pessoa deveria buscar a supressão dos desejos, alcançando assim a iluminação e tornando-se um buda (‘iluminado’). Com disciplina moral, meditação e sabedoria, o budista exercitava a preservação da vida e a moderação.

 

Após ganhar muitos adeptos na Índia, o budismo conquistou seguidores de outros reinos e países, especialmente no Extremo Oriente e no Sudeste Asiático, como Japão, China, Vietnã e Laos. Atualmente, conta com mais de 370 milhões de adeptos, dos quais apenas cerca de 10 milhões estão na Índia. Entre os vedas não prevaleceu a formação de grandes cidades. O centro da ordem política eram as cidades-Estado, que, ao se expandirem, formavam pequenos reinos governados por chefes políticos denominados rajás (do sânscrito rajan = rei). Embora muitas vezes se envolvessem em disputas regionais, os reinos se uniam sob o comando de um líder central, o marajá (do sânscrito maha rajá = grande rei), quando estavam diante de uma ameaça maior.

Em aproximadamente 500 a.C., no entanto, as invasões persas resultaram na conquista do noroeste indiano, a região do rio Indo, que se converteu em uma satrápia (província) do Império Persa. Depois de dois séculos sob domínio persa, a região do Indo foi anexada por Alexandre Magno – também conhecido como Alexandre, o Grande –, rei da Macedônia que governou de 336 a.C. a 323 a.C. O domínio macedônico durou pouco, de 334 a.C. a 327 a.C, tendo ruído logo após a morte de Alexandre (323 a.C.), quando seu império foi dividido.

Pouco depois, os reinos indianos se reunificaram sob a dinastia Máuria, família governante da região de Magadha. Um dos governantes dessa dinastia, Asoka (de 272 ou 268 a.C. a 235 a.C.), foi responsável pela expansão do império indiano do Ganges ao Indo e do Himalaia ao centro-sul da atual Índia.  Asoka converteu-se ao budismo e passou a propagar os ensinamentos de Sidharta Gautama. Tomou a decisão de não promover mais guerras, investiu em obras que benefi ciavam a população, como hospitais, favoreceu a tolerância religiosa e proibiu o sacrifício de animais.

Após a morte de Asoka, o império foi repartido entre seus descendentes, fragmentando-se em vários reinos autônomos que foram atacados por novas invasões estrangeiras. O budismo perdeu importância para o bramanismo, e a dinastia de Asoka desapareceu em algumas décadas. Mesmo em meio ao fracionamento e a seguidas disputas políticas e invasões, durante o século I d.C. os indianos realizaram intenso comércio com o Império Romano, exportando animais, aves, marfim, seda e especiarias, entre outros produtos.

No século IV d.C., a dinastia Gupta conseguiu reunificar o império indiano (320 d.C.) e restabeleceu a supremacia do hinduísmo. Muitos templos foram construídos nesse período.

A economia da região se fortaleceu, com a ampliação dos cultivos agrícolas e dos rebanhos e o desenvolvimento da produção de tecidos. O comércio, principalmente com o Império Romano do Oriente, também prosperou durante a dinastia Gupta. O trabalho de artistas, cientistas e poetas era financiado pela Corte. Com o aumento de riquezas, a arrecadação de impostos também se elevou, o que tornou a dinastia rica e poderosa.

Por todos esses motivos, o período de reinado da dinastia Gupta é considerado a Idade de Ouro da Índia antiga.

O fim dessa dinastia se deu com a invasão dos hunos, povos nômades vindos da Ásia Central, no século VI d.C. Novamente, o império se fragmentou em pequenos reinos.

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