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Absolutismo

Absolutismo

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Tempo – Séculos XVI e XVIII (Idade Moderna)
Espaço – Europa Ocidental

 O termo Absolutismo se refere a um sistema político e administrativo, que está intimamente relacionado à Formação dos Estados Nacionais e à ascensão da Igreja Católica e sua doutrina durante a Idade Moderna na Europa Ocidental e que deixa gradualmente de existir a partir das Revoluções Burguesas dos séculos XVIII e XIX.

O Absolutismo faz parte daquilo que chamamos Antigo Regime,  ou seja, quando reis absolutistas governavam, nobres existiam ao seu redor e a Igreja Católica tinha um imenso poder político. Assim, para que você compreenda com facilidade, o Antigo Regime está dentro da Idade Moderna e o Absolutismo é parte dele.

Em linhas gerais, o Absolutismo simboliza uma época de imenso poder dos reis, que basicamente os confundia com o Estado, ou seja, os colocava acima da lei, com poder de legislar, julgar e executar.

Afinal, quem nunca ouviu a clássica frase “O Estado sou eu!”, do rei francês Luiz XIV? O “Rei Sol”, como era conhecido, tinha a capacidade de iluminar e aquecer a todos com a sua sabedoria, mas também de arder em chamas seus oponentes, ou quem ousasse o desafiar.

Lembre-se, hoje temos os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) justamente para evitar o acúmulo de poder de qualquer governante. Os reis absolutistas, muitas vezes, detinham o controle dos três poderes, os tornando basicamente “super cidadãos”, acima das leis que se aplicavam a todos os outros. Era comum um rei absolutista ter poder sobre a política, as leis, as finanças, a opressão policial e os julgamentos.

Conforme falamos acima, o Absolutismo se inicia a partir da formação dos Estados Nacionais, ou seja, a partir da formação de nações, ou seja, de territórios delimitados por fronteiras, com uma política própria (legal, financeira), que forma uma língua e uma história específica ao seu redor e que cresce em oposição a outra nação. Lembre-se: uma nação só existe se a outras nações existirem, essa “rivalidade” a faz crescer.

Esse é um fenômeno que se tornou bastante comum na Europa dos séculos XIV e XV, como por exemplo, Portugal (1385), Espanha (1492), França (ao final da Guerra dos Cem Anos, em 1453) e Inglaterra, com a ascensão de Henrique VII ao final da Guerra das Duas Rosas, em 1485.  Claro, a História é sempre um processo e normalmente as coisas não acontecem do dia para a noite, mas em linhas gerais podemos considerar essas datas e eventos como simbólicas da centralização do poder nessas novas nações.

E qual a relação da formação dos Estados Nacionais com o Absolutismo?

Com o Renascimento Comercial da Europa pós Idade Média, a nascente burguesia comercial descobriu que era bastante interessante apoiar e até mesmo financiar a centralização do poder e a criação de fronteiras.

Pensem bem: a quem interessava a criação de fronteiras alfandegárias? E como justificar isso às pessoas? Como explicar que a partir de um certo momento, nas regiões de fronteira, uma linha imaginária separava você do seu vizinho, que a partir de então, era seu novo inimigo?

A resposta para isso está justamente na criação de uma história comum, de uma língua e de símbolos fortes (como bandeiras, brasões, hinos, unificação de pesos e medidas, criação de uma moeda própria), que te tornam diferente do seu vizinho, que pouco a pouco passa a ter uma outra língua, uma outra história e outros símbolos.

E por que os reis absolutistas foram escolhidos para levar adiante essa empreitada e ao mesmo tempo adquirir um poder descomunal? A resposta é bastante simples: esses reis, como nobres que eram, detinham um enorme poder político, militar e simbólico em sociedades que ainda eram medievais. Eles eram respeitados, honrados e seguidos.

Definitivamente, seriam levados a sério.

Mas além disso, o que convencia as pessoas a seguirem esses reis? Para entender essa resposta, é necessário entender o poder imenso que a Igreja Católica adquiriu na Europa durante a Idade Média. Esse poder não era apenas expresso em bens terrenos, como terras e construções monumentais, ele também era expresso na forma como a Igreja foi capaz de alterar a moral do Europeu, ou seja, seu conjunto de valores do que era considerado certo e errado.

Assim, como em uma verdadeira aliança, o rei absolutista passa a ser considerado um representante de Deus na terra, permitindo que a Igreja continue, cada vez mais, a guiar a moral das pessoas, passando a exercer um enorme poder na vida social e privada da Europa Ocidental.

Para compreender exatamente o verdadeiro fenômeno que foi o Absolutismo, para organiza-lo, explica-lo e até mesmo justifica-lo, surgiram diversos pensadores, que são conhecidos, com obviedade, por “pensadores absolutistas”, como Thomas Hobbes, Jean Bodin, Jacques Bossuet, Thomas Morus e Nicolau Maquiavel.

Mas isso é assunto para outro texto!

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