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África e América na Antiguidade

O que mais cai no ENEM? África na Antiguidade. Reino de Kush. Resumos para o vestibular.

África e América na Antiguidade

América e África

 

Na América, evidências e achados arqueológicos atestam que na Antiguidade o continente foi habitado por algumas populações que viviam em grandes grupos em regiões esparsas da América do Norte até a América do Sul. Os núcleos urbanos mais antigos de que se tem conhecimento na América foram os dos olmecas, que se estabeleceram entre as fronteiras dos atuais México e Estados Unidos e viveram aproximadamente no ano 1200 a.C. Construíram monumentos em forma de cabeças gigantes, representando possivelmente seus reis, e pequenas esculturas em jade. Foram também os primeiros a utilizar um sistema de escrita.

Acredita-se que a cultura olmeca esteja na origem das demais civilizações que se desenvolveram na América, como a dos astecas, maias e incas. O sítio arqueológico de Teotihuacán testemunha a existência de algumas dessas culturas. Situado a 40 quilômetros da atual Cidade do México, no México, o sítio foi encontrado em 1864 e consiste em ruínas de uma cidade construída aproximadamente no século I a.C., com palácios, templos, canais de irrigação e mercados. Duas grandes pirâmides de 60 metros de altura atestam o papel central da religiosidade.

Segundo alguns pesquisadores, a cidade teria sido ocupada por vários povos, em diferentes épocas. Ao ocupá-las, modificavam as construções e faziam outras edificações sobre as antigas. Uma avenida de quase 2 quilômetros (a Avenida ou Rua dos Mortos) e outras duas grandes ruas revelam a existência de planejamento para criar a cidade.

Um pouco mais ao sul, na região entre o México e a Guatemala atuais, floresceu a cultura maia, entre os séculos III e X. Os maias formaram dezenas de cidades-Estado e tinham uma escrita complexa. Seus sacerdotes eram grandes sábios e conheciam a aritmética. Criaram dois calendários, um deles como o que hoje utilizamos, com ano de 365 dias. Seus artesãos construíram palácios, templos e pirâmides. Bem mais tarde, os incas formaram um império que chegou a reunir 10 milhões de pessoas, já no século XIII. Nas diversas nações que constituíam o império eram faladas mais de setecentas línguas. A capital ficava em Cuzco, que hoje faz parte do Peru. O imperador era considerado um deus, descendente do Sol.

Acompanhamos algumas origens.

Voltando-nos agora para o contexto da África, destacamos algumas de suas raízes na Antiguidade. O estudioso Kabengele Munanga afirma que “áfrica” é um termo da Antiguidade greco-romana. Para os gregos, correspondia ao território atual da Líbia, e para os romanos, correspondia à atual Tunísia. Hoje engloba 56 países e uma grande diversidade cultural, geográfi ca, econômica e política. Para termos uma noção da variedade desses povos africanos na atualidade, vejamos a seguinte classificação biológica e antropológica proposta pelo estudioso Kabengele. Ao norte do Deserto do Saara, predomina o grupo árabe-berbere, com descendentes de líbios, semitas, fenícios, assírios e greco-romanos. Ao sul do Saara, os grupos negroides foram classificados em cinco subgrupos: os melano-africanos (sudaneses, nilóticos, guineenses, congolenses e sul-africanos); os san (ocupavam a região sul do atual Zâmbia e hoje vivem no Deserto de Kalahari); os khoi-khoi (ocupavam a região ocidental da África meridional e hoje encontram-se no sudoeste africano); os pigmeus (na região dos atuais República dos Camarões, Gabão, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Ruanda, Burundi, Uganda); os etíopes (na região mais oriental da África). Nas bordas do Egito antigo, surgiram reinos na Etiópia e, mais ao sul, também na Núbia, originados de criadores de gado que saíram do vale do Nilo e se instalaram na região dos Grandes Lagos. Com a desertificação do Saara, os povos que habitavam essas regiões foram migrando para o oeste e o sul. Esses povos, que dominavam a metalurgia do ferro, falavam o idioma banto e se instalaram na região do rio Níger. A palavra banto, criada no século XIX, visava dar conta de um vastíssimo grupo de falas aparentadas (mais de trezentas) de povos africanos. Atualmente, a denominação banto se aplica aos povos que fazem uso daquele idioma.

A civilização antiga mais investigada da África foi sem dúvida o Egito. Porém, essa não foi a única civilização africana da Antiguidade. As suas relações com outros povos do continente foram intensas e importantes para o desenvolvimento egípcio.

 

Na África ocidental, estima-se que as primeiras cidades tenham surgido cerca de três séculos antes de Cristo. Um exemplo é Jenne-jeno, no delta do Níger, no atual Mali, cuja existência e antiguidade só foram descobertas com escavações arqueológicas a partir da década de 1970. Por isso, embora essa cidade seja considerada patrimônio da humanidade pela Unesco, sua história ainda é pouco conhecida.

As escavações já mostraram que em Jenne-jeno cultivavam-se arroz, sorgo, painço (um tipo de milho miúdo) e cereais em áreas inundadas. Sua população fazia joias e algumas ferramentas de ferro, embora não houvesse fontes de minério de ferro nas proximidades, o que indica a existência de relações comerciais com outras regiões.

 

o reino de Kush

 

Durante os últimos séculos da história independente do Egito antigo (IX a.C.-VI a.C.), ganhou destaque o reino de Kush, ao sul, na região mais tarde denominada Núbia, onde atualmente fica o Sudão e o Sudão do Sul. Além de aquela ser uma região rica em ouro, sua capital, a cidade de Napata, tinha importante atuação como intermediária comercial entre Tebas (Egito) e a África Central. Aproveitando-se das disputas políticas e dos conflitos no vizinho Egito, os núbios de Kush dominaram o Império Egípcio e estabeleceram um novo governo sob seu controle, conhecido como kushita ou dos faraós negros, que reinaram por algumas décadas.

O poderio kushita no Egito só desapareceu com a invasão assíria, cujos exércitos possuíam armas de ferro mais eficientes que as de bronze dos egípcios e núbios. Em 653 a.C., os assírios foram derrotados pelo egípcio Psamético, príncipe de Sais, que retomou a independência egípcia. A partir de então os faraós egípcios buscaram apagar os vestígios da presença do domínio kushita no Egito.  

Além de Napata, várias das cidades núbias antigas são alvo de estudos arqueológicos e históricos atualmente. Dentre elas estão as cidades Pnubs, Naga, Cartum, Dongola, Atbara, Meroe, Farás, Argos, Wad bem Naga, Kawa, Soba. Por meio do estudo de suas ruínas e vestígios, estão sendo levantados dados sobre o histórico do reino de Kush e da importante atuação que teve na região egípcia e centro-sul africano.

Outro destaque do reino de Kush foi a afirmação feminina no topo do comando político. “Várias mulheres ascenderiam ao poder e se fariam retratar, de ancas largas, gordas e enérgicas, com uma túnica franjada, tão pouco egípcia, a cair do ombro direito, cheias de colares e enfeites...”1. Conhecidas como “rainhas-mães”, destacaram-se, por exemplo, no reinado da rainha Shanakdakhete (c. 170 a.C.-160 a.C.), quando o centro administrativo estava na cidade de Meroe, e também no das rainhas Amanirenas e Amanishakehto. O reino de Kush ainda manteve sua atuação comercial pelos séculos seguintes, mas, diante da permanente ameaça de vizinhos e seguidas invasões, foi finalmente conquistado pelo reino de Axum, em 325 d.C.

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