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Brasil colônia – O primeiro contato

Os primeiros anos são, portanto, anos de profundo choque cultural, de incompreensão mútua e de adaptação de interesses de portugueses e nativos Mas isso é assunto para um próximo texto!

Brasil colônia – O primeiro contato

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Tempo – Século XV (1500)
Espaço – Litoral do Brasil

Da Ilha de Vera Cruz ao Brasil

 

No dia 22 de Abril de 1500, a frota de embarcações portuguesas lideradas pelo nobre Pedro Álvares Cabral avistou terra pela primeira vez, depois de muitos dias difíceis. Era, de longe, uma pequena montanha, localizada a alguns quilômetros de onde atualmente fica a cidade de Porto Seguro, na Bahia. Esse monte foi batizado de Pascoal, em homenagem à data cristã da páscoa.

A essa terra recém encontrada pela frota, foi dado o nome de Ilha de Vera Cruz. Ilha, pois os membros da tripulação não conseguiam saber se se tratava de um continente e Vera Cruz por acreditarem que a expedição carregava pedaços da verdadeira (vera) cruz que carregou Jesus.

 O território passaria a se chamar Terra de Vera Cruz em 1504, após nova expedição constatar que não se tratava de uma ilha, não sem antes carregar diversos nomes, como Terra Nova, Terra dos Papagaios, Terra de Vera Cruz e Terra de Santa Cruz.

O nome Brasil viria logo depois, em 1505 e a respeito dele existem duas teorias. A primeira delas, mais conhecida, atribui o nome ao famoso “pau-brasil”, vermelho como brasa. A outra, defendida por historiadores do século XIX, como Capistrano de Abreu e Varnhagen, credita o nome a uma antiga ilha mítica, que se localizava perto da Irlanda e povoava o imaginário do europeu medieval.

Descobrimento, Invasão ou Achamento?

Para iniciarmos, é importante ressaltar que existe, atualmente, um debate acerca do termo a ser utilizado – o Brasil foi descoberto, invadido ou achado? Qualquer uma destas palavras tem por trás um significado bastante complexo.

Se dissermos que o brasil foi descoberto, utilizamos um ponto de vista eurocêntrico, afinal, existe a suposição que outros povos, como chineses e mongóis, também haviam “descoberto” o Brasil anteriormente. Além disso, é bem plausível imaginar que os portugueses já sabiam da existência do Brasil antes de 1500. Para os nativos que aqui viviam, a região decerto não foi descoberta por nenhum desses outros povos, afinal eles já viviam aqui.

E dizer que o Brasil foi invadido?  Com certeza esse é o ponto de vista de alguns dos nativos que aqui viviam. Alguns, mas não todos, pois é sabido que algumas tribos nativas se aliaram aos portugueses em guerras contra tribos rivais. Além disso, não existia uma ideia de soberania nacional e muitos territórios não eram habitados

Podemos então, dizer que o Brasil foi achado e muitos estudiosos usam esse termo, pois ele parece não pender para nenhum lado, sendo, de certa forma, mais imparcial. Nesse sentido, a crítica recai sobre a ideia de que o termo pode esvaziar de significado as lutas e as experiências, tanto dos nativos, quanto dos portugueses.

Contudo, independente do termo escolhido, é muito importante que se entenda que a experiência do contato entre portugueses e nativos não é uma disputa entre “bem e mal”. A História não pode ser vista dessa forma, afinal lidamos com fatos e precisamos analisar os interesses dos grupos sociais envolvidos e toda a dinâmica que se sucede a partir do choque cultural entre civilizações bastante distintas.

O primeiro contato

Vamos analisar esse pequeno trecho da Carta de Pero Vaz Caminha, que descreve o primeiro contato dos portugueses com os nativos, em 24 de Abril de 1500.

Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que lhas dessem, e folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço; e depois tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por aquilo. 

Isto tomávamos nós nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria as contas e mais o colar, isto não queríamos nós entender, por que lho não havíamos de dar! E depois tornou as contas a quem lhas dera. E então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir sem procurarem maneiras de encobrir suas vergonhas, as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam bem rapadas e feitas.

A partir do trecho, podemos perceber que um dos grandes atrativos da nova terra é a possibilidade de fazer comércio, de encontrar riqueza! Observe que os índios se encantaram com artefatos portugueses e os portugueses desejavam trocar estes objetos por ouro. Afinal, duas coisas levaram Portugal ao mar: o comércio e a fé.

Sabemos que ambos elementos fizeram com que os navegadores arriscassem suas vidas cruzando os mares em uma grande e perigosa aventura, da qual a maioria simplesmente não retornava. Nesse sentido, tornar o mundo cristão era tão relevante como fazer comércio, por isso também a carta fala do índio como pessoa inocente e carente de um governo carnal (o das leis) e espiritual (o de Deus). Caminha, autor da carta, pretende mostrar ao rei de Portugal que os índios são povos com quem se pode fazer comércio e conversão e isso é muito importante: os europeus vão olhar para os nativos e não vão se preocupar em estuda-los e entende-lo, por um bom tempo!

Os primeiros anos são, portanto, anos de profundo choque cultural, de incompreensão mútua e de adaptação de interesses de portugueses e nativos Mas isso é assunto para um próximo texto!