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Era Napoleônica 1799-1815

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Era Napoleônica 1799-1815

Em 1799, com um golpe militar, Napoleão Bonaparte tomou o poder na França. Logo em seguida foi instituído o Consulado, e ele se tornou primeiro-cônsul. Em 1802, foi proclamado cônsul vitalício e, dois anos depois imperador. Nos quinze anos em que permaneceu no poder, Napoleão construiu um dos maiores mito da história. Admirador de antigos generais e grandes estrategistas, como Júlio César e Aníbal, foi em Alexandre, o Grande, que se espelhou ao acalentar o desejo de transformar a França na maior potência mundial. E não mediu esforços para alcançar seu objetivo. Governando de forma ditatorial, arrastou grande parte da Europa à guerra. Em 1810, já controlava quase toda a porção ocidental do continente, faltando apenas a Inglaterra. Com suas conquistas, vários governos absolutistas foram extintos e os ideais da Revolução Francesa se disseminaram. No plano interno, Napoleão conseguiu restabelecer a estabilidade politica e criou uma infraestrutura capaz de impulsionar os negócios burgueses da França.

1. O CONSULADO:

Passados dez anos do inicio da Revolução, a França estava longe da estabilidade política, econômica e social desejada. De um lado, a ordem era perturbada por pressões populares, que exigiam medidas capazes de acabar com a pobreza e a miséria em que vivia grande parte da população do campo e das cidades. De outro, a burguesia, camada social que havia liderado a revolução, via seus negócios sucumbirem em função das constantes crises econômicas e políticas e cobravam mudanças no governo. Para completar o cenário, vários países europeus conspiravam e guerreavam para pôr fim ao regime revolucionário na França. Em meio a esse caos, desponta vitorioso no campo de batalha um jovem general chamado Napoleão. Napoleão Bonaparte nasceu na Córsega, em 1769, um ano depois de a ilha ter passado ao domínio da França. Estou na Academia Militar francesa e conseguiu projeção após a Revolução de 1789. Promovido a general em 1795, aos 26 anos de idade, comandou o exercito francês que conquistou a península Itálica e o Egito em 1796 e 1797.

Com o respeito e a fama adquiridos nos combates, naquele momento Napoleão representava a alternativa política ideal para solucionar os problemas franceses. Era visto como herói pela população e considerado líder pela burguesia. Respaldado por tanta popularidade, comandou em 1799 um golpe de Estado contra o Diretório e tomou o poder. Como ainda vigorava o calendário revolucionário, o episódio ficou conhecido como Golpe de 18 Brumário. Um depois de Napoleão assumir o poder, entrou em vigor uma nova Constituição e foi criado o Consulado, órgão que substituía o Diretório no governo da França, constituído por três cônsules. Napoleão tornou-se primeiro-cônsul e virtual ditador da França.

Apoiado pela maior parte da população e investido de amplos poderes, Napoleão procurou restabelecer ordem interna, reorganizar a administração pública e reduzir a inflação. Com isso, a economia voltou a crescer. Normalizou também as relações com a Igreja, rompidas desde 1790. Outra medida importante de seu governo foi à criação do Código Civil (ou Código Napoleão), reunindo princípios do Direito romano, das ordens reais e da legislação civil e criminal vigente durante a revolução. No plano externo, Napoleão conseguiu estabelecer a paz por meio de vitórias militares espetaculares e de hábeis negociações diplomáticas, neutralizando os adversários da França. Nessa esfera, um dos pontos altos do governo foi o acordo de paz assinado em 1802 com a Inglaterra, que pôs fim a anos de conflitos, o que aumentou ainda mais seu prestigio. Em 1804, Napoleão, que dois antes tinha se tornado cônsul vitalício, foi autorizado, por meio de plebiscito, assumir o título de imperador.

2. O IMPÉRIO:

A paz firmada com a Inglaterra durou pouco. Em 1803, a Inglaterra aliou-se à Rússia e à Áustria para combater a França. Dois anos depois, Napoleão organizou uma grande expedição para invadir o território britânico, mas as forças navais francesas foram derrotadas na batalha de Trafalgar. Em terra, porém, o exército francês venceu as forças russas e austríacas em Austertz (1806). As guerras napoleônicas geram numerosas mudanças no mapa da Europa, como o fim do Sacro Império-Germânico, que existia desde o século X. Em seu lugar, Napoleão instituiu a Confederação de Reno. Em geral, nas regiões dominadas por Napoleão acabaram se formando governos fiéis ao imperador. Assim, sua área de influencia se tornava cada vez maior.

A Grã-Bretanha, por sua vez, continuava sendo o principal oponente da França. Com uma poderosa marinha e uma economia desenvolvida, resistia aos ataques de Napoleão. Tentando minar as forças do maior adversário, em 1806, Napoleão impôs o Bloqueio Continental, que decretava o fechamento dos portos europeus ao comércio inglês. Com essa medida, ele esperava abalar a economia da Grã-Bretanha para derrotá-la militarmente. Como consequência, o mercado para a burguesia francesa também seria ampliado.

Com o objetivo de fazer cumprir o bloqueio, Napoleão pôs em pratica uma política de intervenções e anexações. Em 1807, ordenou a intervenção militar na península Ibérica, começando pela Espanha, em cujo trono colocou seu irmão José Bonaparte. Os espanhóis resistiram à imposição do novo rei e pegaram em armas contra os franceses, mas as forças napoleônicas conseguiram derrotar os espanhóis a um custo altíssimo, enfrentando uma oposição clandestina com táticas de guerrilha. No mesmo ano, Napoleão decidiu invadir Portugal, aliado da Inglaterra que havia se recusado a aceitar o bloqueio. O país foi ocupado sem dificuldades, mas a família real portuguesa fugiu para a América escoltada por navios britânicos. Além das repercussões na Europa, a invasão napoleônica na península Ibérica teria importantes consequências na América colonial. A queda do rei espanhol acabou sendo o estopim das lutas que conduziriam à independência das colônias da Espanha.

3. O DECLINIO:

Em 1810, apesar dos problemas na península Ibérica, os franceses eram senhores de boa parte da Europa ocidental. A partir dessa época, porém, uma sucessão de obstáculos acabaria levando ao esgotamento do império Napoleônico. Na própria França, o prestigio de Napoleão estava abalado em algumas camadas sociais em consequência do despotismo do regime e da continuidade das guerras. Não só as baixas eram grandes, mas também milhares de jovens tentavam escapar do serviço militar. Quanto mais intensificavam as manifestações de oposição, mais o governo recorria à censura aos jornais e aos livros e à repressão policial. Essas medidas aumentavam o descontentamento da maioria dos franceses. No plano externo, a França não conseguia vencer a resistência dos britânicos, que frequentemente encabeçaram coligações formadas com outros países adversários, como a Áustria e a Prússia, para derrotar o imperador.

O Bloqueio Continental era também cada vez mais desrespeitado. Prova disso é que, em 1810, o czar (imperador) russo rompeu o acordo com a França e promoveu uma aproximação com a Inglaterra; em represália, Napoleão e suas tropas invadiram a Rússia em1812. A pesar de terem tomado Moscou, os franceses não conseguiram a vitória. Logo na chegada, depararam com a cidade deserta e em chamas, não conseguiram abrigo para descansar nem alimentos para repor as forças das tropas e dos cavalos famintos. Também não encontraram os inimigos.

Nesse episódio, Napoleão foi pego de surpresa, pois o exército russo havia recorrido à hábil estratégia conhecida como terra arrasada, destruição intencional do local pouco antes da invasão para dificultar a obtenção de suprimentos e a retirada do contingente militar para impedir confrontos abertos com os invasores. A manobra representou um desastre para o exército francês. Sem saída, as tropas napoleônicas deixaram a cidade sob rigoroso inverno e, desgastadas, foram aniquiladas pelos ataques realizados à retaguarda, pelo frio e pela fome. A derrota fortaleceu a Inglaterra e seus aliados. Arruinado, Napoleão teve de renunciar, em1814, ao trono francês e foi exilado na ilha de Elba. Os vitoriosos ocuparam a França, restabeleceram a monarquia dos Bourbon e conduziram ao trono Luís XVIII, irmão do rei guilhotinado em 1793. Ao mesmo tempo, os países vitoriosos decidiram se reunir e traçar os destinos da Europa, organizando-se no Congresso de Viena.

4. NAPOLEÃO VOLTA AO PODER:

O restabelecimento da monarquia dos Bourbon na França foi seguido do retorno dos nobres que haviam fugido do país no início da Revolução. Ao voltar, os exilados tentaram recuperar os antigos direitos e reaver seus bens, o que gerou grande insatisfação popular. Percebendo que o momento era propício para intervir mais uma vez no cenário político, Napoleão fugiu de Elba e, em março de 1815, retomou o poder.

O novo governo durou apenas cem dias. Napoleão foi definitivamente vencido pelo general britânico Wellington na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em junho de 1815. Dessa vez, os britânicos o enviaram para um local mais distante: a ilha de Santa Helena, em pleno oceano Atlântico, onde morreu em maio de 1821.

5. A RESTAURAÇÃO:

Após a primeira derrota de Napoleão, as nações vencedoras e seus aliados se reuniram no Congresso de Viena, na Áustria, com o objetivo de decidir os destinos da Europa, refazer o mapa do continente e restabelecer os governos anteriores à Revolução. O congresso, porém, foi temporariamente suspenso durante os cem dias de governo de Napoleão.

Depois de retomados os encontros, a Rússia, a Áustria e a Prússia criaram a Santa Aliança, uma força militar formada pelos exércitos monárquicos para garantir a ordem no continente e também nas colônias europeias. Na verdade, tratava-se de uma tentativa de voltar à situação anterior a 1789. Apesar de o cenário recomposto pelo Congresso de Viena ter recebido o nome de restauração, já não era o mesmo dos tempos de Antigo Regime: os governantes, por exemplo, foram obrigados a adotar Constituições. De todo modo, a “nova ordem” ignorava os anseios propagados pelas revoluções burguesas e, justamente por essa razão, não conseguiria durar muito tempo. No decorrer do século XIX, uma nova onda de revoluções iria varrer aa Europa, derrubando governantes de vários países.

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