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Fascismo

Fascismo

Atualmente, “fascismo” virou um termo coringa, empregado para todas as ideologias e vertentes políticas que as pessoas não gostam. Algo como uma ofensa universal.

Mas o que é, de fato, o fascismo? Em primeiro lugar, precisamos saber que o fascismo é algo que tem seu tempo e espaço muito bem definido: a Europa do período entreguerras (décadas de 1920 e 1930), que viu em países como Itália, Alemanha, Portugal e Espanha, a ascensão de regimes totalitários, liderados por homens como Benito Mussolini, Adolph Hitler, Francisco Franco e António de Oliveira Salazar, respectivamente.

O contexto da ascensão do fascismo na Europa está intimamente ligado à Primeira Guerra Mundial e suas terríveis consequências para o continente, como a alta inflação, a miséria um sentimento de vingança dos países derrotados ante a dureza do Tratado de Versalhes, caso notório da Alemanha. Nesse sentido, governos que exaltavam a própria nação e pregavam políticas expansionistas conquistaram rapidamente o povo, utilizando uma simbologia que envolvia discursos poderosos e um conjunto de imagens bastante forte.

Outro fator que contribuiu para a popularidade do fascismo na Europa foi a crise de 1929, que praticamente fechou a economia dos países, acirrando ainda mais o nacionalismo e a ideia de que cada país deveria acelerar e controlar totalmente a sua própria produção. Eram tempos difíceis, de carência, desespero e angústia e é por isso que não devemos julgar as pessoas da época pelo nosso olhar de hoje, capaz de enxergar a situação por cima e de forma pouco apaixonada.

 Seguindo, apresentamos uma definição do Dicionário de Política:

Uma ideologia oficial tendente a cobrir todo o âmbito da existência humana e à qual se supõe aderirem todos, pelo menos passivamente; um partido de massa único, tipicamente conduzido por um só homem; um sistema de controle policial baseado no terror; o monopólio quase completo dos meios de comunicação de massa; o monopólio quase completo do aparelho bélico; e, enfim, o controle centralizado da economia. O alvo é o de conseguir o controle total de toda a organização social, a serviço de um movimento ideologicamente caracterizado.

Ou seja, o fascismo é uma ideologia oficial, controlada pelo governo e imposta a todos, que procura controlar todos os aspectos da vida das pessoas: as relações trabalhistas, a identidade nacional, a forma de se comportar e assim por diante, por isso é considerado totalitário. O fascismo procura transformar a relação entre as pessoas e a forma como elas enxergam o mundo ao seu redor, ou seja, é uma política de massa. Numa sociedade assim, ser fascista não é opcional, pois se supõe que todos os cidadãos devem aderir a essa ideologia, sob ameaça de morte e de censura. Por isso, o partido fascista, que no poder se confunde com o Estado, tem a sua própria polícia, tendo assim controle absoluto da violência e da espionagem.

 Os governos fascistas eram ditaduras lideradas por apenas um homem, que acumulava um grande poder em suas mãos, praticamente um líder messiânico, que deveria ser adorado por toda a população e visto como alguém que se sacrificava pela nação. Isso se chama “culto ao líder” e é por isso que Hitler e Mussolini não eram casados, mas tinham “namoradas”, como Eva Braun e Clara Petacci. O primeiro dever deles era com a nação.

 Os governos fascistas detinham o completo controle dos meios de comunicação e da propaganda no rádio, nos jornais, no cinema, criando a imagem de um estado forte e de uma nação poderosa, que além de rivalizar com todas as outras, é também superior, possui um povo mais forte, com uma origem gloriosa (como o Império Romano, ou o povo Ariano por exemplo) e por tal razão é dono de uma superioridade física e moral.

Nesse sentido, era muito necessário investir em um conjunto de imagens poderosas, como uniformes, bandeiras, cores e padrões atraentes, de forma a dar um senso de propósito e união ao povo, além de comícios muito bem montados, músicas e discursos pesados e teatrais, que, usando uma linguagem emocional, alimentava o sentimento de vingança e apontava culpados, como, por exemplo, os judeus.

Havia o desprezo de tudo aquilo que não fosse representativo da nação, incluindo a arte. Havia um incentivo massivo para a criação de uma arte “puramente nacional”, em detrimento a toda outra forma de expressão, considerada “menor”, ou “degenerada e suja”. A arte da nação, claro, criava heróis, inventava um passado perfeito e apontava para um futuro glorioso.

Por isso também investiam bastante na educação dos jovens, como a “juventude hitlerista” das Alemanha, por exemplo. Era uma forma de criar um exército totalmente devoto, leal ao seu líder, através do ensino precoce e do inventivo à educação física, como faziam os espartanos.

Veja abaixo o trecho do poema do alemão Bertold Brecht: 

É possível que em nosso país nem tudo ande como deveria andar
Mas ninguém pode negar que a propaganda é boa (…)
Um bom propagandista
Transforma um monte de esterco em local de veraneio
Quando não há manteiga, ele demonstra
Como um talhe esguio faz um homem esbelto
Milhares de pessoas que o ouvem discorrer sobre as auto – estradas
Alegram como se tivessem carros
Nos túmulos dos que morreram de fome ou em combate
Ele planta louros. Mas Já bem antes disso
Falava de paz enquanto os canhões passavam
Somente através de propaganda perfeita
Pode-se convencer milhões de pessoas
Que o crescimento do Exército constitui obra de paz
Que cada novo tanque é uma pomba da paz
E cada novo regimento uma prova de
Amor à paz . Mesmo assim: bons discursos podem conseguir muito
Mas não conseguem tudo. Muitas pessoas
Já ouve dizerem: pena Que a palavra “carne” apenas não satisfaça, e
Pena que a palavra “roupa” aqueça tão pouco (…)

BRECHT, Bertolt. Poemas. 1913-1956. 6. ed. São Paulo: Editora 34, 2001. P.195-7. 

Para os fascistas, o Estado deve ter total controle da economia, de forma a custear o militarismo e a guerra, expandindo seu território, conquistando aquilo que Hitler, por exemplo, chamava de “espaço vital”, ou seja, o espaço necessário para o enriquecimento e manutenção de uma nação forte e uma população feliz.

No próximo texto veremos algumas diferenças entre o fascismo e uma de suas mais conhecidas derivações, o nazismo.

 

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