Carregando Idioma...

Hebreus, Fenícios e Persas

A civilização do Hebreus, dos fenícios e dos persas. O que mais cai no ENEM. História para o vestibular.

Hebreus, Fenícios e Persas

os hebreus

 

O povo hebreu estabeleceu-se na Palestina, região do atual território de Israel, às margens do rio Jordão. Praticou a agricultura e o pastoreio, embora com grandes dificuldades, por causa do clima seco. Os primeiros hebreus que ocuparam a região, por volta de 2000 a.C., tinham origem semita, como os cananeus, que já eram habitantes da região mas foram derrotados pelas tribos hebraicas.

Muitas das informações de que dispomos sobre os hebreus são provenientes da Bíblia, mais especificamente do Antigo Testamento. Na Bíblia, dados históricos misturam-se com relatos místicos e religiosos, envolvendo as principais personagens da história antiga hebraica numa aura de mistério e religiosidade.

Os estudos linguísticos e arqueológicos e os textos não bíblicos dialogam com essas representações. O primeiro grande líder hebreu, segundo a tradição, foi Abraão, considerado o primeiro patriarca (chefe do clã). Pregava uma nova religião, monoteísta, que logo se tornaria o elemento unificador do povo hebreu.

O deus único, Javé (também chamado Iahweh ou Jeová), teria prometido a ele e seus descendentes uma terra onde “jorraria leite e mel”. De acordo com a Bíblia, Abraão foi sucedido pelos patriarcas Isaac e Jacó.

Dos herdeiros deste último descenderam os grupos familiares originais, chamados de “as 12 tribos de Israel”. É importante ressaltar, contudo, que nenhum desses patriarcas é mencionado em qualquer outro documento de época que não seja o Antigo Testamento.

Além disso, muitos historiadores afirmam que a religião monoteísta de Jeová só surgiu muito depois da época dos patriarcas.

Segundo o relato bíblico, as crescentes dificuldades econômicas fizeram com que muitos hebreus se dirigissem ao rico vale do Nilo. Embora a princípio essa ocupação tenha sido pacífica, posteriormente eles foram escravizados. A resistência à escravidão provocou o fortalecimento da unidade religiosa monoteísta. A fuga dos hebreus do Egito, conhecida como  Êxodo, ocorreu sob a liderança do patriarca Moisés. Durante essa fuga, ainda segundo a Bíblia, Deus lhe ditou os Dez Mandamentos, um conjunto de leis escritas em duas pedras. Após 40 anos de jornadas pelo deserto, os hebreus acabaram retornando à Palestina, já sob a liderança de Josué. A presença dos hebreus no Egito e o Êxodo também não são confirmados por outras fontes que não a própria Bíblia. Além disso, têm uma cronologia bastante duvidosa, seja pelas várias indicações bíblicas contraditórias, seja pela sua confrontação com outras fontes históricas, constituindo objeto de diferentes interpretações.

Segundo os relatos bíblicos, os hebreus ocuparam a cidade de Jericó e, divididos em tribos, passaram a nomear juízes para combater os filisteus que ocupavam o litoral da Palestina. Entre esses chefes guerreiros destacaram-se Gideão, Sansão e Samuel, que tentou promover a união das várias tribos. Após a provável instalação dos hebreus na Palestina, ocorreram várias tentativas de unificar as tribos em um reino único, mas essa unificação só aconteceu com a liderança de Saul, em 1010 a.C., considerado o primeiro rei dos hebreus. Davi, o sucessor de Saul, conseguiu lançar as bases para a formação de um verdadeiro Estado hebraico, com governo centralizado, exército permanente e organização burocrática. Jerusalém tornou-se capital do reino de Israel. Sob o comando de Salomão, filho de Davi, o Estado hebraico antigo atingiu seu apogeu, com grande desenvolvimento comercial. Para os cultos foi construído um grande templo dedicado a Jeová: o Templo de Jerusalém (conhecido como Templo de Salomão), na capital hebraica.

Os elevados impostos e o trabalho compulsório dos camponeses, todavia, acabaram gerando descontentamentos. O Estado unificado não sobreviveu à morte de Salomão. Logo surgiram disputas pela sucessão, que resultaram na divisão dos hebreus em dois reinos: o de Israel, com capital em Samaria, e o de Judá, com capital em Jerusalém.

A consequência imediata da divisão foi a invasão estrangeira, inicialmente pelos assírios e mais tarde por Nabucodonosor, rei da Babilônia no século VI a.C. Depois de saquear Jerusalém e destruir o Templo de Salomão, Nabucodonosor levou um grande número de habitantes do reino de Judá como escravos para a Mesopotâmia. Com a invasão persa à Babilônia, em 539 a.C., os hebreus escravizados foram libertados e puderam retornar à Palestina, embora politicamente fossem submetidos aos persas.

Os últimos invasores da Palestina na Antiguidade foram os macedônios e, a seguir, os romanos. A resistência à ocupação romana, em 70 d.C., foi reprimida brutalmente. Jerusalém foi destruída e os hebreus se dispersaram por outras regiões. Esse movimento tornou-se conhecido como diáspora e se estendeu por centenas de anos.

 

os fenícios e os persas

A Fenícia situava-se no litoral da Síria, no norte da Palestina, onde se localiza atualmente o Líbano.  Foi ocupada antes de 3000 a.C. por povos semitas que, além de desenvolverem a agricultura com o cultivo de cereais, videiras e oliveiras, a pesca e o artesanato, destacaram-se no comércio marítimo. A possibilidade de adquirir excedentes agrícolas do Egito foi um forte estímulo para a atividade comercial.

Os povos fenícios estavam organizados em cidades-Estado como Biblos, Sidon, Tiro. Na Fenícia, as cidades-Estado eram chefi adas pela elite mercantil e proprietária das embarcações, constituindo uma talassocracia (do grego thálassa = mar, kratía = força, governo), ou seja, um governo centrado no domínio marítimo.

Os fenícios chegaram a estabelecer rotas mercantis por todo o Mediterrâneo e até no litoral Atlântico do norte da África. Instalaram povoados em várias regiões no Mediterrâneo, verdadeiros entrepostos comerciais, como Cartago, no norte da África.

No contato com vários povos propiciado pelas relações mercantis, os fenícios conheceram várias culturas e suas artes, técnicas e descobertas, tornando-se depositários dos conhecimentos de muitas regiões e povos. Ao mesmo tempo, deram contribuições originais à humanidade, sendo a principal delas um alfabeto fonético simplificado, composto de 22 letras, que, incorporado pelos gregos e romanos, serviu de base para o alfabeto ocidental atual.

Os fenícios desenvolveram a Astronomia, associada às essenciais técnicas de navegação, e a Matemática, ligada às necessidades do comércio. As diversas cidades-Estado cultuavam vários deuses, os mais importantes geralmente denominados Baal (do hebraico Bahal = senhor), associados ao Sol, e Astarteia, simbolizada pela Lua e que representa a fecundidade.

Já os povos que ocupavam o planalto iraniano, região chamada pelos gregos de persis ou parsa, usualmente denominada Pérsia, produziram uma civilização responsável por um dos maiores impérios do mundo antigo. Apesar da pobreza do solo, o planalto iraniano foi ocupado desde o sexto milênio antes da Era Cristã, recebendo grandes levas de populações indo-europeias por volta de 2000 a.C. O território foi unificado por Ciro I (559 a.C.-529 a.C.), rei persa que submeteu os povos vizinhos, os medos. Procurando expandir seus domínios, os persas invadiram a Mesopotâmia, a Palestina e a Fenícia e chegaram à Ásia Menor (no Ocidente) e à Índia (no Oriente).

Ciro, o principal conquistador, foi bastante hábil ao se aliar às elites locais dos territórios conquistados, em vez de simplesmente submetê-las ao seu domínio. Desse modo, garantiu relativa estabilidade a um vasto império. Como vimos, seu filho e sucessor, Cambises, atacou o Egito, conquistando o vale do Nilo após a vitória na Batalha de Pelusa (525 a.C.). Contrariando as regras de tolerância de seu pai, deu início a um período de centralização autoritária e de submissão dos povos conquistados.

O período de maior florescimento persa ocorreu no reinado de Dario I (524 a.C.-484 a.C.), que dividiu o império em províncias, as satrápias. Os sátrapas eram encarregados de cobrar impostos em nome do imperador e eram fiscalizados, por sua vez, por inspetores oficiais, conhecidos como “olhos e ouvidos do rei”.

Dario também mandou construir estradas que ligavam os principais centros urbanos do império (Susa, Pasárgada, Persépolis), criou um eficiente sistema de correios, para maior controle das províncias, e implantou uma unidade monetária chamada dárico.  No Império Persa, assim como entre outros povos da Antiguidade oriental, a população estava submetida à servidão coletiva e prestava serviços obrigatórios ao Estado. O comércio era realizado por povos subjugados, como fenícios, babilônios e hebreus. A burocracia, formada pelos sátrapas e sacerdotes, tinha grande importância na sustentação do poder imperial. O poder do imperador era garantido pelo seu numeroso exército, mantido com propósitos expansionistas. A existência desse exército, porém, não impediu o fracasso dos ataques feitos por Dario I e seu sucessor, Xerxes I, à Grécia.

Durante quase todo o século V a.C., os gregos e os persas se enfrentaram em conflitos que se tornaram conhecidos como Guerras Médicas – nome que faz referência ao povo medo, da Pérsia – ou Guerras Greco-Pérsicas. Em seu expansionismo, os persas haviam dominado as cidades gregas da Anatólia, na atual Turquia, prejudicando o comércio da Grécia com o Oriente. Os gregos lutavam pela independência dessas cidades. Esses conflitos deram início à época áurea da Grécia, vitoriosa nas Guerras Médicas, e à desagregação do Império Persa. Mais tarde, todo o território persa seria dominado pelos macedônios. Apesar de ter incorporado muitos conhecimentos de outros povos, como a escrita cuneiforme de origem mesopotâmica, a cultura persa teve características próprias. Sua religião era basicamente dualista, fundada na crença em duas divindades antagônicas principais: Ormuz-Mazda, deus do bem, da luz e do mundo espiritual, e Arimã, deus do mal e das trevas. O imperador seria o representante do bem na Terra, em sua infindável luta contra o mal, o que mostra o forte vínculo da religião com as estruturas de poder. A religiosidade popular, entretanto, se distinguia da oficial. Incluía várias divindades, muitas delas adotadas nos contatos com outros povos. Em geral, os persas também admitiam a vida após a morte e o advento de um Messias à Terra, um salvador que libertaria os justos (assim como na religião judaica). Os princípios dessa religião, chamada de zoroastrismo ou masdeísmo, estavam no livro sagrado Zend-Avesta, que teria sido escrito por um personagem lendário: Zoroastro, também denominado Zaratustra.