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Lista de exercícios de atualidades - UNICAMP

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Lista de exercícios de atualidades - UNICAMP

 

1. (Unicamp 2021)  Em 10 de outubro de 1810, Adandozan (1797-1818), rei do Daomé, no atual Benim, enviou uma carta para o Brasil endereçada a Dom João, príncipe regente, acompanhada de uma lista de presentes contendo objetos de prestígio cujo uso era privilégio real. Uma parte dos artefatos descritos na carta integrava o acervo do Museu Nacional, que foi destruído em um grande incêndio no ano de 2018. Entre os objetos que Adandozan usou para presentear Dom João, destacavam-se o trono do rei daomeano (imagem a seguir), cetros, bengalas, bolsa, sandália e abanos.

 

(Adaptado de SOARES, Mariza de Carvalho. Trocando galanterias: a diplomacia do comércio de escravos, Brasil-Daomé, 1810-1812. Afro-Ásia, Salvador, n. 49, p. 229-271.)

Com base no excerto e na imagem:

 

a) cite e explique uma das funções assumidas pelos objetos no âmbito da diplomacia estabelecida entre Brasil e África no começo do século XIX;

b) descreva o impacto da destruição destes objetos no incêndio do Museu Nacional para o Brasil e para o Benim.

 

 

Resposta:

 

a) No século XIX, as relações diplomáticas envolvendo Portugal, Brasil e algumas regiões do continente africano concentravam-se, principalmente, no comércio de escravos. Nesse sentido, o envio dos presentes por parte do Rei de Daomé a d. João VI buscava fortalecer essas relações, além de demonstrar publicamente que o Rei de Daomé e o Príncipe Regente de Portugal encontravam-se no mesmo patamar de poder.

 

b) Como tal acervo materializava os anos de relações diplomáticas e comerciais entre Portugal, Brasil e África, sua perda prejudicou a preservação da memória dessas relações.

 

 

 

 

2. (Unicamp 2020)  O site “Urban Dictionary” apresenta definições de palavras e expressões que, apesar de serem usadas popularmente, ainda não foram oficialmente dicionarizadas. O exemplo abaixo faz alusão ao Brexit, isto é, à saída do Reino Unido da União Europeia.

 

Com relação ao exemplo apresentado, entende-se que Taylor estava “fazendo o Brexit” porque

a) se despediu, mas demorou a ir embora da festa.   

b) saiu “à francesa” da festa, isto é, saiu discretamente.   

c) se despediu, mas anunciou que demoraria a sair da festa.   

d) saiu “à francesa” da festa, isto é, saiu depois de muito tempo.   

 

 

Resposta:

 

[A]

 

[Respostado ponto de vista da disciplina de História]

A associação pode ser feita porque no processo do Brexit, iniciado em 2017, havia uma previsão de que o processo seria finalizado em março de 2019, mas estamos em dezembro de 2019 e a saída da Inglaterra da União Europeia ainda não foi finalizada.

 

[Respostado ponto de vista da disciplina de Geografia]

A alternativa [A] é correta porque faz referência ao fato de que, embora o Brexit – isto é, a saída do Reino Unido da União Europeia – tenha sido aprovado, as negociações e os prazos tem se postergado sem que o Parlamento Britânico e o Europeu cheguem a um senso comum e oficializem os termos de saída do país do bloco.

 

[Respostado ponto de vista da disciplina de Inglês]

A alternativa [A] está correta, pois a definição da expressão é: “avisar os outros que você sairá de uma festa e acabar demorando mais do que o esperado”.

 

 

 

 

3. (Unicamp 2020)  O texto abaixo descreve um importante monumento associado a um evento histórico ocorrido nos Estados Unidos. Leia-o e responda às questões, em português.

 

This Memorial is a tribute of remembrance and honor to the 2,977 people killed in the terrorist attacks near the turn of the 21st century. The Memorial’s twin reflecting pools feature the largest manmade waterfalls in North America. The pools sit within the footprints where the Twin Towers once stood. The names of every person who died in the attacks are inscribed into bronze panels edging the Memorial pools, a powerful reminder of the largest loss of life resulting from a foreign attack on American soil and the greatest single loss of rescue personnel in American history.

 

a) Por que o memorial foi construído? Cite, em português, uma passagem do texto que destaca a importância do evento descrito para a história dos EUA.

b) Aponte um impacto geopolítico para os EUA do acontecimento descrito no texto e identifique um país do Oriente Médio posteriormente envolvido no acontecimento.

 

 

Resposta:

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de História]

a) O memorial foi construído em homenagem às vítimas do atentado de 11 de setembro de 2001, foram 2.977 pessoas mortas nos ataques terroristas. O texto aponta para a importância do acontecimento e que o memorial é uma forma de lembrar das vítimas daquele atentado feito por estrangeiros e da enorme equipe de resgate que atuou naquela tragédia.

 

b) Os atentados terroristas mudaram a forma dos EUA enxergarem o Islamismo. O presidente dos EUA, George W. Bush considerou, de maneira genérica, que todos muçulmanos são terroristas. Osama Bin Laden estava no Afeganistão, por isso esse país foi declaradamente visto como inimigo dos EUA, iniciando um conflito contra esse país.

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Inglês]

a) O memorial é um tributo em memória e honra às 2977 pessoas mortas nos ataques terroristas ao redor da virada do século 21. Além disso, ele é uma lembrança da maior perda de vidas resultante de um ataque estrangeiro em solo americano e a maior perda de equipes de resgaste na história americana.

 

 

 

 

4. (Unicamp 2014)  “(...) o desencanto com a Nova República era provocado principalmente pelo fracasso dos vários planos econômicos que não conseguiram domar o dragão da inflação. Depois do breve sucesso do Plano Cruzado, de 1986, a arrancada dos preços disparou, esmagando o poder de compra dos brasileiros, especialmente dos mais pobres.”

 

(Marly Motta, “Rumo ao planalto”. Disponível em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/especial-nova-republicarumo- ao-planalto. Acessado em 09/08/2013.)

 

 

a) Explique o que é inflação.

b) Quais os efeitos do congelamento de preços, base do Plano Cruzado, para a economia brasileira do período?

 

 

Resposta:

 

a) A inflação é o aumento de preços dos produtos que pode ser ocasionada por desequilíbrios econômicos variados, um deles é a elevação da demanda (consumo) sem ocorrer aumento proporcional no investimento e na produção. Outros fatores como a atuação de oligopólios (poucas empresas produzindo um tipo de produto) com formação de cartel (preços combinados em patamares elevados para obtenção de maior lucratividade), excesso de protecionismo contra produtos importados e até fatores ambientais (seca severa com redução da oferta de produtos agrícolas) podem interferir na elevação dos preços.

 

b) Em 1986, com a retomada da democracia no país (Nova República) e durante do governo de José Sarney, foi implantado o Plano Cruzado para combater a inflação elevada. O congelamento de preços surtiu resultado apenas no curto prazo, uma vez que a intervenção muito brusca na economia fracassou. Entre os efeitos do plano, a retenção de produtos pelos empresários causando desabastecimento de alguns produtos, a troca da moeda, a pequena melhora da distribuição de renda no período de queda inflacionária e o posterior retorno da inflação elevada.  

 

 

 

 

5. (Unicamp 2014)  Apesar de ter começado no inverno de 2010, a chamada Primavera Árabe – uma alusão à Primavera de Praga de 1968 – resultou de protestos por mudanças sociais e políticas no Oriente Médio e, sobretudo, no norte da África.

 

Assinale a alternativa que indica corretamente o período da estação de inverno no norte da África e um país dessa região convulsionado pela Primavera Árabe.

a) De 21 de dezembro a 20 de março; Síria.   

b) De 21 de junho a 20 de setembro; Líbia.   

c) De 21 de dezembro a 20 de março; Egito.   

d) De 21 de junho a 20 de setembro; Irã.   

 

 

Resposta:

 

[C]

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Geografia]

O solstício de inverno no hemisfério norte corresponde ao dia 21 de Dezembro. Assim, o período de inverno vai até o dia 20 de março. Os países atingidos pela Primavera Árabe (movimento por democracia contra regimes autoritários e corruptos) no norte da África foram a Tunísia, a Líbia e o Egito. No Egito, houve a queda do ditador Hosni Mubarak, a eleição do presidente Mohamed Morsi, porém houve a deposição de Morsi (ligado a Irmandade Muçulmana) por golpe militar em 2013.

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de História]

A chamada Primavera Árabe constitui-se de uma série de revoltas em países árabes contra regimes autoritários e em busca de direitos políticos e sociais. No Egito, o movimento ocorreu de forma mais intensa, a ponto de o então líder autoritário Mubarak ser deposto pelos revoltosos.

 

 

 

 

6. (Unicamp 2021)  A humanidade vai sendo descolada desse organismo que é a terra. Os únicos núcleos que ainda consideram que precisam ficar agarrados nessa terra são aqueles que ficaram meio esquecidos pelas bordas do planeta, nas margens dos rios, nas beiras dos oceanos, na África, na Ásia, ou na América Latina. São caiçaras, índios, quilombolas, aborígenes. Formam uma camada de gente que fica agarrada na terra. A ideia de nós, os humanos, nos descolarmos da terra, vivendo uma abstração civilizatória, é absurda. Ela suprime a diversidade, nega a pluralidade das formas de vida, de existência e de hábitos.

 

(Adaptado de Ailton Krenak, Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019, p. 21-22.)

 

 

O texto acima foi escrito pelo intelectual indígena Ailton Krenak. A partir da leitura do excerto e de seus conhecimentos, responda às questões.

 

a) Identifique uma condição econômica e outra sociocultural do tempo presente no Brasil que causaram impacto no pensamento de Krenak.

b) De acordo com o autor, de que modo a pluralidade das formas de vidas é importante para a proposição de um novo paradigma para a humanidade?

 

 

Resposta:

 

a) Podemos citar atividades que, ao mesmo tempo, geram impactos econômicos e  socioculturais no Brasil atual e estão relacionadas às falas do autor: o avanço do agronegócio, da garimpagem ilegal e das atividades madeireiras sobre as terras indígenas no país.  

 

b) Segundo o autor, o respeito às pluralidades das formas de vida, em detrimento à uniformização cultural oriunda da globalização, contribui para a formação de uma sociedade mais democrática e igualitária, capaz de defender os direitos dos mais diferentes segmentos sociais.

 

 

 

 

7. (Unicamp 2021)  Milhões de mulheres vivem algumas frustrações derivadas de mecanismos que as silenciam e que as afastam dos centros de poder. O mundo dos antigos gregos e romanos pode nos ajudar a compreender a construção desses mecanismos. Na fundação da tradição literária ocidental temos o primeiro exemplo registrado de um homem mandando uma mulher “calar a boca”. Refiro-me à Odisseia de Homero, escrita há quase 3 mil anos. Tendemos, hoje, a pensar na Odisseia apenas como a épica história de Ulisses e seu retorno para casa após a Guerra de Troia. Mas a Odisseia é também a história de Telêmaco, filho de Ulisses e Penélope. É a história do seu crescimento, e de como, ao longo do texto, ele amadurece, passando de menino a homem. Esse processo surge no primeiro livro do poema, quando Penélope desce de seus aposentos e vai ao grande saguão do palácio, onde um poeta se apresenta perante a multidão; ele canta as dificuldades encontradas pelos heróis gregos ao voltar para casa. A música não a agrada, e ela, diante de todos, pede-lhe que escolha outro tema, mais feliz. Nesse momento, intervém Telêmaco: “– Mãe, volte para seus aposentos e retome seu próprio trabalho, o tear e a roca. Discursos são coisas de homens, de todos os homens, e minhas, mais que de qualquer outro, pois meu é o poder nesta casa.”

 

(Adaptado de Mary Beard, Mulheres e Poder. São Paulo: Planeta. 2018. Edição do Kindle: de Posição 51, 52, 63 e 64.)

 

 

Com base na leitura atenta do texto e em seus conhecimentos, responda às questões.

 

a) Explique um papel social atribuído ao universo masculino e outro atribuído ao universo feminino na Antiguidade Clássica.

b) De acordo com o texto, por que a Odisseia pode ser revisitada para a compreensão do mundo contemporâneo?

 

 

Resposta:

 

a) Na Antiguidade Clássica, ao homem cabia a atuação nos campos político, militar e social, e às mulheres cabia, em geral, a atuação no âmbito familiar, cuidando dos assuntos domésticos e da educação dos filhos.

 

b) Porque o texto nos remete ao exercício do patriarcalismo, ainda presente em várias sociedades contemporâneas, nas quais o papel e a autoridade do homem prevalecem sobre as mulheres.

 

 

 

 

8. (Unicamp 2021)  Desde outubro de 2019, temos visto a maior mobilização social das últimas décadas no Chile. Nesta série de protestos, chamados de estallido social (estouro social), emergiu, de forma recorrente, uma apelação a processos históricos que não deveria nos surpreender. Afinal, o que é uma crise que conduz a um novo pacto social, via Assembleia Constituinte, se não um acerto de contas com a História? As referências à transição para a democracia e à Ditadura de Pinochet (1973-1990) são obrigatórias. No caso desta última, a referência é por haver

imposto à força um modelo do qual a maioria dos chilenos quer se livrar. A Constituição de 1980 tem ocupado um lugar central no debate, para lembrar que no Chile não há uma Constituição verdadeiramente democrática.

 

(Adaptado e traduzido de Mauricio Folch (org.), Chile Despertó: lecturas desde la Historia del estallido social de octubre. Santiago: Universidad de Chile, 2019. p. 9.)

 

 

A partir do enunciado e de seus conhecimentos,

 

a) explique por que os protestos são um acerto de contas com a história recente e por que a manutenção de uma Constituição herdada da ditadura pinochetista impede que exista um estado verdadeiramente democrático no Chile;

b) indique uma prática usual de repressão da ditadura militar chilena e comente por que esta prática viola os direitos humanos.

 

 

Resposta:

 

a) A ditadura pinochetista foi marcadamente antidemocrática e neoliberal em termos econômicos, afetando o acesso aos direitos civis e prejudicando as relações de trabalho, renda e aposentadoria dos chilenos. Por isso, as manifestações recentes, ao buscar a superação da Constituição herdada desse regime, promove uma reparação histórica no Chile, visando a recuperação de uma série de direitos perdidos pelos chilenos.

 

b) Podemos citar o cerceamento da liberdade de expressão e a prática de tortura e extermínio das oposições. Censura, tortura e repressão são condições que violam os Direitos Humanos.

 

 

 

 

9. (Unicamp 2020)  Nas últimas três décadas, vimos o fim de velhas unidades políticas e a emergência de novas: as unificações da Alemanha e do Iêmen, a desintegração da Checoslováquia, da Iugoslávia e da União Soviética, a secessão de países como Eritreia, Timor-Leste e Kosovo. Vimos também a expansão de esforços de integração política e econômica, a absorção de antigos membros do Pacto de Varsóvia na Otan, o envolvimento de exércitos nacionais em esforços da ONU pela manutenção da paz e a mobilização de outros tantos exércitos na tentativa de conter e definir o terrorismo como fenômeno político.

 

(Adaptado de Sebastião Nascimento, Vinte anos sem muro em Berlim: novas faces da violência política. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v.26, n. 77, out. 2011.)

 

 

Sobre esta nova condição histórica e geopolítica internacional, é correto afirmar:

a) As décadas que nos separam da queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria representam um período de continuidade das formas e demandas políticas no plano internacional e de manutenção da cartografia mundial.   

b) A reunificação alemã foi decisiva nesse processo global. Ela fez desaparecer o maior símbolo da Guerra Fria na Europa, a Alemanha dividida. A queda do Muro de Berlim em 1989 e o 11 de setembro de 2001 são marcos desse processo.   

c) Após a descolonização nos anos de 1950 e 1960, a dessovietização do mundo nos anos de 1990 reforçou o imperialismo, compreendido como um sistema de Estados nacionais iguais sob o direito internacional.   

d) Desde 1989, o Estado nacional democrático alcançou todo o globo com eleições livres, não apenas no Leste Europeu, mas também nos países orientais. Na retórica política comum, destaca-se o fenômeno do terrorismo atlântico.   

 

 

Resposta:

 

[B]

 

A queda do Muro de Berlim, além de marcar a reunificação da Alemanha, ajudou a finalizar o conflito entre EUA e URSS, típico da Guerra Fria. Mas, apesar da perspectiva iminente de paz, eventos como o 11 de setembro de 2001 serviram para mostrar que, globalmente, as nações estão longe de resoluções pacíficas definitivas.

 

 

 

 

10. (Unicamp 2020)  Pode parecer inconcebível que um crime de proporções gigantescas como o Holocausto, que também é um dos crimes mais bem documentados, estudados e testemunhados da história, possa ser negado, especialmente hoje, quando são numerosos os meios de informação sobre o tema.

(Adaptado de Bruno Leal Pastor de Carvalho, “O negacionismo do Holocausto na internet”. Faces da História, Assis, v. 3, n.1, jan.- jun. 2016, p. 6.)

 

 

A partir do excerto e de seus conhecimentos,

 

a) apresente dois aspectos do negacionismo histórico;

b) analise o impacto da internet nos debates sobre o Holocausto no mundo contemporâneo.

 

 

Resposta:

 

a) Negacionismo significa negar ou relativizar acontecimentos históricos já comprovados por motivos ideológicos, por exemplo, negar o holocausto ou defender que o partido nazista era de esquerda.

 

b) As redes sociais mudaram a forma de se relacionar, comunicar, fazer política, organizar movimentos sociais, etc. A facilidade de acesso à internet contribuiu para compartilhar notícias verdadeiras e falsas, muitas pessoas por falta de conhecimento acabam aceitando teorias falsas sem qualquer contestação.

 

 

 

 

11. (Unicamp 2019)  A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) foi criada em dezembro de 1950 por resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas. Iniciou suas atividades em janeiro de 1951. O Protocolo de 1967 reformou a Convenção de 1951 e expandiu o mandato da ACNUR para além das fronteiras europeias e das pessoas afetadas pela Segunda Guerra Mundial. Em 1995, a Assembleia Geral designou a ACNUR como responsável pela proteção e assistência dos apátridas em todo o mundo. Nas últimas décadas, os deslocamentos forçados atingiram níveis sem precedentes. Estatísticas recentes revelam que mais de 67 milhões de pessoas no mundo todo deixaram seus locais de origem por causa de conflitos, perseguições e graves violações de direitos humanos.

 

(Adaptado de http://www.acnur.org/portugues/convencao-de-1951/. Acessado em 31/08/2018.)

 

a) Explique o contexto de criação da ACNUR e seu principal objetivo.

b) Levando em consideração os princípios da ONU, relacione a condição de refugiado com a noção de cidadania e de direitos humanos.

 

 

Resposta:

 

a) A ACNUR foi criada após a Segunda Guerra Mundial para ajudar no deslocamento de pessoas do Leste Europeu expulsos de seu território por motivos étnicos.

 

b) Refugiados são pessoas que sofrem perseguições políticas, religiosas, étnicas, culturais e que por esses motivos, não têm seus direitos humanos assegurados, o que os leva a deslocar para outros países mesmo não participando e exercendo uma cidadania local.

 

 

 

 

12. (Unicamp 2017)  O documento abaixo foi redigido pelo governador de Pernambuco, Caetano de Melo e Castro, em 18 de agosto de 1694, para comunicar ao Rei de Portugal a tomada da Serra da Barriga.

 

“(...) Não me parece dilatar a Vossa Majestade da gloriosa restauração dos Palmares, cuja feliz vitória senão avalia por menos que a expulsão dos holandeses, e assim foi festejada por todos estes povos com seis dias de luminárias. (...) Os negros se achando de modo poderosos que esperavam o nosso exército metidos na serra (...), fiando-se na aspereza do sítio, na multidão dos defensores. (...) Temeu-se muito a ruína destas Capitanias quando à vista de tamanho exército e repetidos socorros como haviam ido para aquela campanha deixassem de ser vencidos aqueles rebeldes pois imbativelmente se lhes unir-se os escravos todos destes moradores (....)”.

 

Décio Freitas, República de Palmares – pesquisa e comentários em documentos históricos do século XVII. Maceió: UFAL, 2004, p. 129.

 

 

Sobre o documento acima e seus significados atuais, é correto afirmar que

a) foi escrito por uma autoridade da Coroa na colônia e tem como principal conteúdo a comemoração da morte de Zumbi dos Palmares. A data de 20 de novembro, como referência ao líder do quilombo, tem uma conotação simbólica para a população negra em contraponto à visão oficial do 13 de maio de 1888.   

b) o feito da tomada de Palmares, em 1694, pelos exércitos da Coroa, é entendido como menos glorioso quando comparado à expulsão dos holandeses de Pernambuco, em 1654. Os dois eventos históricos não têm o mesmo apelo para a formação da sociedade brasileira na atualidade.   

c) o texto de Caetano de Melo e Castro indica que Palmares não gerou temor às estruturas coloniais da Capitania de Pernambuco. A comemoração oficial do Dia da Consciência Negra é uma invenção política do período recente.   

d) o Quilombo de Palmares representou uma ameaça aos poderes coloniais, já que muitos eram os rebeldes que se organizavam ou se aliavam ao quilombo. A data é celebrada, na atualidade, como símbolo da resistência pelos movimentos negros.   

 

 

Resposta:

 

[D]

 

A formação de quilombos foi uma das formas de resistência encontrada pelos escravos no Brasil colonial. O Quilombo dos Palmares foi o maior e mais duradouro dos quilombos, o que representava uma ameaça aos poderes coloniais, uma vez que o número de escravos fugitivos que lá viviam era alto. Derrotar Palmares não foi fácil, já que os negros se aproveitaram da geografia da Serra da Barriga para resistir.

 

Obs.: A data que hoje se comemora como símbolo da resistência e valorização negra no Brasil é 20 de novembro, que remete ao dia do falecimento de Zumbi dos Palmares, ocorrida em 1695. A data a qual o texto se refere, da destruição de Palmares, é 18 de agosto de 1694 e não é comemorada hoje em dia.

 

 

 

 

13. (Unicamp 2017)  Naquele lugar, a guerra tinha morto a história. Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. (…) Aqui, o céu se tornara impossível. E os viventes se acostumaram ao chão, em resignada aprendizagem da morte.

A estrada que agora se abre aos nossos olhos não se entrecruza com outra nenhuma. (...)

Um velho e um miúdo vão seguindo pela estrada. (…) Fogem da guerra, dessa guerra que contaminara toda sua terra. Vão na ilusão de, mais além, haver um refúgio tranquilo. Avançam descalços, suas vestes têm a mesma cor do caminho. O velho se chama Tuahir. É magro, parece ter perdido toda sua substância. O jovem se chama Muidinga. Caminha à frente desde que saíra do campo de refugiados.

 

Mia Couto, Terra sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 9-10.

 

 

O trecho acima, escrito por Mia Couto, traz uma narrativa sobre o cenário de guerra de Moçambique pós-independência (1977-1992). A partir do texto, responda às questões abaixo.

 

a) O que são refugiados? Explique, relacionando-os ao processo moçambicano.

b) Apresente dois elementos históricos comuns a Angola e Moçambique, após a independência do domínio português.  

 

 

Resposta:

 

a) Refugiados são indivíduos que, por motivos alheios à própria vontade, como guerras, conflitos religiosos, divergências políticas, são obrigados a se deslocar dentro do próprio país ou de um país para outro.

b) Ambos os países passaram por Guerras Civis e se alinharam à URSS no pós-independência.

 

 

 

 

14. (Unicamp 2017) 

A charge de Carlos Latuff, publicada em 2016, faz associações sobre diversos processos do mundo contemporâneo. A primeira-ministra britânica, Theresa May, ouve uma voz enquanto carrega tijolos para a construção de um polêmico muro em Calais, na França.

 

a) Explique qual é a justificativa histórica para a exclamação “hipócritas” oriunda do muro de Berlim.

b) Por que a questão dos muros tornou-se um assunto recorrente na política internacional do século XXI? Justifique sua resposta a partir de uma das referências da charge.

 

 

Resposta:

 

a) A justificativa é simples: países que durante a Guerra Fria criticaram a construção do Muro de Berlim (EUA, Reino Unido, França) agora se posicionam a favor da construção de outros muros que impedem a circulação de pessoas mundo afora, como o Muro de Calais (França) e o Muro do México (EUA). Daí a hipocrisia.

b) No século XXI, vimos ressurgir em alguns países práticas que beiram a xenofobia: em defesa da soberania nacional, tais países buscam meios de impedir a entrada e a circulação de estrangeiros nas suas fronteiras. A partir da charge, podemos usar o exemplo do Muro do México: erguido pelos EUA para tentar impedir a entrada de latino-americanos nas suas terras.  

 

 

 

 

15. (Unicamp 2017)  “Não existem culturas ou civilizações ilhadas. (...) Quanto mais insistirmos na separação de culturas e civilizações, mais imprecisos seremos sobre nós mesmos e os outros. No meu modo de pensar, a noção de uma civilização isolada é impossível. A verdadeira questão é se queremos trabalhar para civilizações separadas ou se devemos tomar o caminho mais integrador, mas talvez mais difícil, que é tentar vê-las como um imenso todo cujos contornos exatos uma pessoa sozinha não consegue captar, mas cuja existência certa podemos intuir e sentir.”

 

Edward Said, Reflexões sobre o exílio e outros ensaios.

São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 317.

 

 

Sobre o conceito em questão e os contextos referidos pelo autor, é correto afirmar:

a) o processo de globalização provocou a destruição da cultura dos povos não ocidentais e, por isso, aumentou práticas como o terrorismo a partir de 2001.   

b) a ideia de civilização, como imaginada no século XIX, produziu a emancipação das Américas e o fim da disputa colonial no mundo.   

c) o conceito de civilização foi estabelecido na Grécia Antiga e aperfeiçoado pelas práticas integradoras do imperialismo do século XIX ocorridas na África.   

d) a lógica de integração de culturas é negada por grupos radicais e pelos defensores do princípio de que vivemos em um choque de civilizações.   

 

 

Resposta:

 

[D]

 

O texto faz referência a ideais da atualidade que usam o nacionalismo e o radicalismo para defender a separação entre civilizações, em especial entre Ocidente e Oriente. E o autor critica tal noção, defendendo que não existe civilização ilhada ou choque de culturas, mas sim sociedades diversas formando uma cultura global.

 

 

 

 

16. (Unicamp 2016)  Na década de 1980, um aspecto relevante do processo de construção da AIDS foi a localização de sua origem em territórios distantes. Mais uma vez se observa a atualização de antigas formas com as quais coletividades inteiras lidam com eventos, particularmente doenças, desconhecidos. Formas estas que geralmente incluem componentes racistas, religiosos e xenofóbicos.

O surto de sífilis que acometeu a Europa no final do século XV, por exemplo, foi atribuído ao processo de navegação e ao corpo doente e poluído do indígena.

Na história dos primeiros anos da AIDS, o continente africano foi apontado como um dos grandes responsáveis pela devastadora enfermidade. A descoberta de organismos semelhantes ao HIV em macacos desencadeou ondas especulativas nas quais o racismo pouco se escondia.

 

(Adaptado de João Bôsco Hora Góis, Aids, Liberdade e Sexualidade, em Samantha Viz Quadrat (org.) Não foi tempo perdido: os anos 80 em debate. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2014, p. 230.)

 

 

a) Explique por que enfermidades como AIDS e sífilis contribuíram para a produção de preconceitos.

b) A década de 1980 foi o período de uma transição política no Brasil. Descreva dois aspectos dessa transição.

 

 

Resposta:

 

a) Porque foram associadas às populações que os europeus historicamente consideravam inferiores: indígenas (sífilis) e africanos (AIDS).

b) Transição Ditadura-Democracia. Aspectos: (1) abertura lenta, gradual e segura promovida pelo próprio regime militar e (2) intensa participação popular.

 

 

 

 

17. (Unicamp 2015) 

As duas imagens fazem parte de um trabalho do artista plástico Cildo Meireles, intitulado “Inserções em Circuitos Ideológicos - Projeto Cédula (1970-2013)”.

 

a) Como as inscrições produzidas pelo artista se relacionam aos momentos históricos a que as obras se referem?

 

b) Cite e explique a principal diferença, do ponto de vista da divulgação das obras, entre os anos 1970 e 2013. 

 

 

Resposta:

 

a) A inscrição “quem matou Herzog” refere-se ao jornalista Vladimir Herzog, morto na Ditadura Militar e, portanto, faz uma crítica a esse regime. Já a inscrição “cadê Amarildo” refere-se ao sumiço do pedreiro Amarildo em uma comunidade carioca na atualidade, promovida por policiais de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e, logo, faz uma crítica ao abuso policial contra as populações de baixa renda.

 

b) A principal diferença é a CENSURA. Em 1970 ela era amplamente exercida pelo regime militar, que cerceava artistas e a imprensa. Em 2013 ela era inexistente, dando a imprensa total liberdade de divulgação. 

 

 

 

 

 

18. (Unicamp 2013)  Na América Latina, África, Ásia e Europa, a violência deixou uma marca de sofrimento e luto no contexto de regimes ditatoriais, guerras civis ou invasões ao longo do século XX. Passados os conflitos, as próprias sociedades têm buscado estabelecer a verdade sobre os crimes ocorridos. Neste contexto, mais de 30 países do mundo criaram Comissões da Verdade, que são organismos de investigação não judiciais.

 

(Adaptado de Museo de la Memória y los Derechos Humanos, em http://www.museodelamemoria.cl/el-museo/sobre-elmuseo/comisiones-de-verdad/. Acessado em 20/08/2012.)

 

As Comissões da Verdade

a) surgiram em países que tiveram experiências traumáticas, como as ditaduras no Chile e Brasil, e foram organizadas durante as lutas de resistência aos regimes ditatoriais.   

b) sustentam que o conhecimento do passado interessa às vítimas e seus familiares, devendo ficar restrito a esse universo privado.   

c) constituem instrumento político que tem como objetivo o estabelecimento de sentenças judiciais aos culpados e o pagamento de indenizações às vítimas.   

d) existem em vários países, o que indica que as práticas autoritárias não foram um fenômeno de uma só nação, nem se restringiram a uma única forma de conflito.   

 

 

Resposta:

 

[D]

 

As Comissões da Verdade foram criadas em períodos subsequentes aos governos ditatoriais ou às guerras e variam em seu propósito de uma nação para outra. No entanto, em todos os casos, são comissões abertas e públicas que pretendem mostrar para a sociedade as violações de direitos humanos que ocorreram como forma de compreender melhor a história recente dessas nações.

 

 

 

 

19. (Unicamp 2010)  Em 1997, manifestações dos cidadãos por seguridade social foram organizadas em todos os países membros da União Europeia. Muitos dos participantes eram contra o processo de integração. Os pobres, que eram aqueles que viviam da seguridade social, sentiam-se marginalizados pela União Europeia. Além disso, alguns partidos políticos usaram slogans nacionalistas e racistas, esperando pescar nas águas agitadas pela miséria, pelo desemprego e pela desconfiança no governo.

 

(Adaptado de Harry Coenen, Social Security Claimants and Europe, em Rik van Berkel, Harry Coenen e Ruud Vlek, Beyond marginality? Social movements of social security claimants in the European Union. Aldershot: Ashgate Publishing, 1998, p. 1-2.)

 

a) De acordo com o texto, quais os diferentes interesses que se opunham à União Europeia?

b) Quais as mudanças que a criação da União Europeia ocasionou para os países membros?

 

 

Resposta:

 

a) O texto aponta interesses contrários à criação da União Europeia, processo que se inicia a partir do Tratado de Maastricht (1992), quais sejam, os dos pobres dependentes da seguridade social e de alguns partidos políticos de tendências nacionalistas e racistas.

 

b) A partir do tratado de Maastricht, que foi um marco significativo no processo da unificação europeia, estabeleceu-se que à integração econômica até então existente entre diversos países europeus se somaria uma unificação política.

 

 

 

 

20. (Unicamp 2006)  Os anos 90 constituem a década em que o impacto das chamadas novas tecnologias sobre o trabalho, a vida e a cultura se fez sentir de modo incontornável. Com a disseminação dos computadores e da Internet, com os avanços da biotecnologia e as promessas da nanotecnologia, ficava patente que as inovações tecnológicas não se encontravam apenas nos laboratórios, mas faziam parte do cotidiano das massas urbanas. O acesso à tecnologia tornou-se tão vital que hoje a inclusão social e a própria sobrevivência passam obrigatoriamente pela capacidade que as pessoas têm de se inserir no mundo das máquinas e de acompanhar as ondas da evolução tecnológica.

            (Adaptado de Laymert Garcia dos Santos. "Politizar as novas tecnologias. O impacto sócio-técnico da informação digital e da genética". São Paulo: Editora 34, 2003, p. 9-10.)

 

a) Identifique três das novas tecnologias citadas no texto e aponte um uso para cada uma delas.

b) Explique uma questão ética presente nas discussões atuais sobre a biotecnologia.

 

 

Resposta:

 

a) A informática que se caracteriza pela  utilização de computadores nas mais diversas atividades; a biotecnologia, cujos novos conhecimentos permitem a aplicação de novas técnicas à medicina e às demais áreas relacionadas com a biologia e a nanotecnologia que tem proporcionado a miniaturização de equipamentos e produtos, em muitos casos com redução de custos, tornando-os mais acessíveis.

 

b) A utilização de células-tronco obtidas a partir de embriões, a clonagem de animais, e possívelmente a humana, geram polêmicas quando analisadas sob o ponto de vista de valores éticos e religiosos, pois estabelece-se um certo consenso de que é condenável a  manipulação daquilo que possa significar a essência da vida, sobretudo a humana.

 

 

 

 

21. (Unicamp 2002)  Os sequestros atrelados ao pagamento de resgates em dinheiro que vêm vitimando pessoas de variadas classes sociais, no Brasil, ganharam dimensão inusitada nos últimos meses. Entretanto, no final dos anos 60 e início dos 70, momento de apogeu do regime militar, essa forma de coação tinha características e objetivos inteiramente diversos, como se pode ver no filme "O que é isso, companheiro?"

 

a) Cite duas diferenças entre os sequestros ocorridos durante o regime militar e os atuais.

 

b) Quais os métodos utilizados pelo regime militar, depois do Ato Institucional no 5, para enfrentar os sequestros?

 

c) Por que podemos afirmar que tais métodos são uma violação dos direitos humanos?

 

 

Resposta:

 

a) No Regime militar, os sequestros tinham motivações políticas sendo os sequestradores membros de movimentos organizados de reação ao Regime.

    Atualmente, os sequestros refletem de um lado a eficiência de aparatos estatais e privados no combate às quadrilhas de roubo a bancos e de cargas, canalizando a ação das quadrilhas para o sequestro para a extorsão de dinheiro, de outro a ausência de políticas concretas dos governos no combate à violência.

 

b) Os militares treinados por agentes do serviço de inteligência dos Estados Unidos, recorriam com frequência à prisões compulsórias e à tortura.

 

c) Por que tiram do cidadão o direito a um julgamento justo, assegurado pela maioria das constituições democráticas.

 

 

 

 

22. (Unicamp 2002)  Os textos apresentados registram concepções diversas a respeito do tema "trabalho". Há tanto avaliações positivas como negativas. São imagens contraditórias, características de um tipo de sociedade.

 

Fragmento 1. Uma estranha loucura apossa-se das classes operárias das nações onde impera a civilização capitalista. Esta loucura tem como consequência as misérias individuais e sociais que, há dois séculos, torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor pelo trabalho, a paixão moribunda pelo trabalho, levada até o esgotamento das forças vitais do indivíduo e sua prole. Em vez de reagir contra essa aberração mental, os padres, economistas, moralistas sacrossantificaram o trabalho. Pessoas cegas e limitadas quiseram ser mais sábias que seu próprio Deus; pessoas fracas e desprezíveis quiseram reabilitar aquilo que seu próprio Deus havia amaldiçoado.

            (Paul Lafargue, "O direito à preguiça", São Paulo, Kayrós, 2. ed., 1980.)

 

a) Qual é o tipo de sociedade, retratada no texto de Paul Lafargue (fragmento 1), que convive com essas imagens contraditórias de trabalho?  Qual é o trabalhador característico desse tipo de sociedade?

 

Fragmento 2. O bom senso questiona: por que razão os homens dessas sociedades [...] quereriam trabalhar e produzir mais, quando três ou quatro horas diárias de atividade são suficientes para garantir as necessidades do grupo? De que lhes serviria isso? Qual seria a utilidade dos excedentes assim acumulados? Qual seria o destino desses excedentes? É sempre pela força que os homens trabalham além das suas necessidades. E exatamente essa força está ausente do mundo primitivo: a ausência dessa força externa define inclusive a natureza das sociedades primitivas. Podemos admitir a partir de agora, para qualificar a organização econômica dessas sociedades, a expressão economia de subsistência, desde que não a entendamos no sentido de um defeito, de uma incapacidade, inerentes a esse tipo de sociedade e à sua tecnologia, ao contrário, no sentido da recusa de um excesso inútil, da vontade de restringir a atividade produtiva à satisfação das necessidades. [...] A vantagem de um machado de metal sobre um machado de pedra é evidente demais para que nela nos detenhamos: podemos, no mesmo tempo, realizar com o primeiro talvez dez vezes mais trabalho que com o segundo; ou então executar o mesmo trabalho num tempo dez vezes menor.

            (Pierre Clastres, "A Sociedade contra o Estado", Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves, 1973.)

 

b) Utilizando o texto de Pierre Clastres (fragmento 2) e a fotografia a seguir, identifique um tipo de sociedade em que não existem tais imagens contraditórias de trabalho.

Fotografia de Sebastião Salgado: "Escadas nas minas de ouro de Serra Pelada!". Brasil, 1986. 	(http://www.terra.com.br/sebastiaosalgado/p_op1/p08w.html)
Fotografia de Sebastião Salgado: "Escadas nas minas de ouro de Serra Pelada!". Brasil, 1986. (http://www.terra.com.br/sebastiaosalgado/p_op1/p08w.html)

Fragmento 3. A Nike é acusada de vender tênis produzidos em países asiáticos por mão de obra aviltada. Um levantamento feito junto a quatro mil trabalhadores de nove das 25 fábricas que servem à empresa na Indonésia revelou que 56% dos trabalhadores queixam-se de insultos verbais, 15,7% das mulheres reclamam de bolinas e 13,7% contam que sofreram coerção física no serviço. Esse estudo foi realizado sob o co-patrocínio da própria Nike. Outro levantamento, feito no Vietnã, mostrou que os trabalhadores ganham US$ 1,60 por dia e teriam que gastar US$ 2,10 para fazer três refeições diárias. Banheiros, só uma vez por dia. Água, duas vezes. O descumprimento das normas de uso do uniforme é punido com corridas compulsórias. Em outros casos, o trabalhador é obrigado a ficar de castigo, ajoelhado. A fábrica da localidade de Sam Yang trabalha 20 horas por dia, tem seis mil empregados, mas o expediente do médico é de apenas duas horas diárias.

            (Elio Gaspari, "O micreiro do MIT pegou a Nike", "Folha de S. Paulo", 4/3/2001.)

 

c) A fotografia de Sebastião Salgado e o texto de Elio Gaspari (fragmento 3) fazem referência à questão do aviltamento do trabalho na sociedade contemporânea. Identifique neles aspectos degradantes da condição humana.

 

 

Resposta:

 

a) A sociedade retratada no texto é a sociedade capitalista, cujo trabalhador característico é o proletário.

 

b) Podem ser citadas:

- sociedade primitiva;

- sociedade pré-histórica;

- sociedade tribal;

- sociedade gentílica.

 

c) Foto de Sebastião Salgado:

- desumanização sofrida pelos trabalhadores.

 

Texto de Elio Gaspari:

- salários inferiores às necessidades básicas do trabalhador;

- tratamento humilhante;

- castigos físicos;

- assédio sexual às mulheres;

- falta de assistência médica.

 

 

 

 

23. (Unicamp 2001)  Em sua obra "Os sans-culottes de Paris", o historiador Albert Soboul escreveu: "Os cidadãos de aparência pobre e que em outros tempos não se atreveriam a apresentar-se em lugares reservados a pessoas elegantes passeavam agora nos mesmos locais que os ricos, de cabeça erguida."

            (Citado por Eric Hobsbawm, "A Era das Revoluções",São Paulo, Paz e Terra, 1976, p.231.)

 

(nota: "sans-culottes" significa "sem culotes", "sem-calças")

 

a) Caracterize o movimento dos "sans-culottes" na Revolução Francesa.

 

b) Compare o movimento dos "sans-culottes" com o movimento dos sem-terra no Brasil.

 

 

Resposta:

 

a) Por "sans-culottes" compreende-se a massa urbana e pauperizada à época da Revolução Francesa, defensores da igualdade jurídica e defensores do fim das desigualdades econômicas. Tiveram asseguradas algumas conquistas entre as quais o sufrágio universal masculino e o ensino obrigatório e gratuito durante o período jacobino (Convenção) da Revolução, entre 1792-1795.

 

b) O movimento dos "sans-culottes" caracteriza-se como tipicamente urbano, enquanto o Movimento dos sem-terra constitui-se num movimento camponês. Em comum, são contestadores da ordem estabelecida e da marginalização social. Porém, o contexto histórico de cada um dos movimentos lhes confere características peculiares como, por exemplo, a atuação dos jacobinos em um movimento revolucionário notadamente burguês, enquanto os sem-terra defendem uma revolução popular sob a influência de preceitos socialistas.

 

 

 

 

24. (Unicamp 2001)  Em uma entrevista à revista "Veja" (agosto de 2000), o sociólogo Ary Dillon Soares fez as seguintes declarações sobre pobreza e criminalidade:

 

            A relação entre pobreza e crime não é automática. Se assim fosse, Teresina, a capital mais pobre do país, seria infinitamente mais violenta que São Paulo, a mais rica.

            A criminalidade é decorrente de uma soma de fatores, em que se inclui a DESIGUALDADE SOCIAL, mas também a disseminação das drogas, o tráfico de armas, A DESAGREGRAÇÃO FAMILIAR, O NÍVEL EDUCACIONAL BAIXÍSSIMO e A DIVINIZAÇÃO DO CONSUMO.

            Também está provado que quanto mais educado, menos violento e menos vitimado é o cidadão.

 

a) A partir do texto acima, identifique um argumento contrário ao estabelecimento de uma relação automática entre crime e pobreza.

 

b) De que modo as transformações econômicas e sociais ocorridas no Brasil a partir da década de 60 explicam os quatro fatores destacados no texto?

 

 

Resposta:

 

a) O autor compara as cidades de São Paulo e Teresina para justificar a não existência da relação automática entre crime e pobreza, demonstrando que apesar da pobreza em Teresina, mesmo em números proporcionais, a violência é maior em São Paulo que ostenta a condição de cidade mais rica do Brasil.

 

b) As transformações econômicas e sociais no Brasil nas últimas quatro décadas do século XX, expressas pelo desenvolvimento industrial, pela concentração populacional urbana e pelo avanço tecnológico não se traduziram em melhoria das condições da maior parte da população, em decorrência da concentração de renda e da falta de investimentos em saúde, educação e habitação.

Esses fatores aliados à "divinização do consumo" contribui para a desagregação social traduzida pela violência alarmante nos grande centros urbanos.

 

 

 

 

25. (Unicamp 1993)  Até 1945, o corpo do Imperador japonês era tido como sagrado e não podia ser tocado.  Quando terminou a II Guerra, o presidente dos Estados Unidos quebrou a autoridade simbólica do Imperador, no Japão, ao exigir dele um aperto de mão em público.

a) A partir do acontecimento relatado anteriormente, explique a situação político-econômica dos Estados Unidos e do Japão ao final da II Guerra Mundial.

b) Qual a situação político-econômica desses dois países atualmente?

 

 

Resposta:

 

a) Eram situações inversas. Os EUA saíram fortalecidos e uma potência hegemônica. O Japão estava destruído.

b) A nova ordem mundial mudou a relação de forças, hoje as potências são hegemônicas.

 

 

 

 

26. (Unicamp 1993)  "Na Iugoslávia havia seis repúblicas, cinco povos, quatro línguas, três religiões, dois alfabetos e um partido - o comunista."

            (Normam Stone, FOLHA DE S. PAULO, 11/08/92)

 

Usando os seus conhecimentos sobre os conflitos na região dos Bálcãs, explique como foi possível existir a unidade iugoslava, entre 1941 e 1989, apesar das diversidades apontadas no texto anterior.

 

 

Resposta:

 

Com a Segunda Guerra Mundial uma nova ordem mundial se instalou e a Iugoslávia em 1948 rebelou-se a intervenção externa. Tornou-se não aliada.

 

 

 

 

27. (Unicamp 1993)  O século XX é tão marcado pela presença dos meios de comunicação de massa, que um estudioso americano chegou a afirmar que vivemos em uma aldeia global.

Um meio de comunicação exemplar é a televisão, que permite que milhares de pessoas, sozinhas em suas salas, assistam simultaneamente ao que outros estão vendo.

a) O que são os meios de comunicação de massa?

b) O que se entende por aldeia global?

 

 

Resposta:

 

a) Meios ditos de grande público, que podem determinar ou influenciar o comportamento alheio. Simultaneamente milhões de pessoas.

b) Globalização generalizada. O mundo integrado pela comunicação e a interdependência.

 

 

 

 

28. (Unicamp 1992)  A discriminação racial é um fenômeno mundial.  Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), havia um país em que, até 1989, o racismo estava inscrito na Constituição.  Isso tornava os negros, cerca de 73% da população desse país, estrangeiros em sua terra natal.

a) Identifique esse país e descreva a política por ele adotada em relação aos negros.

b) Descreva o contexto histórico no qual essa política foi elaborada, a partir do século XIX.

 

 

Resposta:

 

a) África do Sul - Política do Apartheid

b) Neo-colonialismo e a Partilha Afro-Asiática.