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Lista de exercícios Sociedade e cultura no Brasil colonial

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Lista de exercícios Sociedade e cultura no Brasil colonial

 

1. (Enem 2016)  A linhagem dos primeiros críticos ambientais brasileiros não praticou o elogio laudatório da beleza e da grandeza do meio natural brasileiro. O meio natural foi elogiado por sua riqueza e potencial econômico, sendo sua destruição interpretada como um signo de atraso, ignorância e falta de cuidado.

PADUA, J. A. Um sopro de destruição: pensamento político e crítica ambiental no Brasil escravista (1786-1888). Rio de Janeiro: Zahar, 2002 (adaptado).

 

 

Descrevendo a posição dos críticos ambientais brasileiros dos séculos XVIII e XIX, o autor demonstra que, via de regra, eles viam o meio natural como

a) ferramenta essencial para o avanço da nação.   

b) dádiva divina para o desenvolvimento industrial.   

c) paisagem privilegiada para a valorização fundiária.   

d) limitação topográfica para a promoção da urbanização.   

e) obstáculo climático para o estabelecimento da civilização.   

 

 

Resposta:

 

[A]

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Geografia]

No período colonial e imperial, a preocupação com o meio ambiente era secundária no pensamento brasileiro. Existiam preocupações com a degradação do meio natural do ponto de vista estético, com a perda de elementos da fauna e da flora, bem como críticas à falta de cuidado com o solo, que levou a graves problemas em regiões como o Vale do Paraíba (RJ/SP) durante do ciclo do café.

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Sociologia]

Nos séculos XVIII e XIX, o pensamento político brasileiro era majoritariamente positivista. Assim sendo, o meio ambiente tinha como principal função permitir o progresso da nação.

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de História]

Quando, no texto, é dito que “o meio natural foi elogiado por sua riqueza e potencial econômico” fica clara a associação entre a natureza brasileira e seu uso para o progresso econômico da Nação. 

 

 

 

 

2. (Enem 2016)  A África Ocidental é conhecida pela dinâmica das suas mulheres comerciantes, caracterizadas pela perícia, autonomia e mobilidade. A sua presença, que fora atestada por viajantes e por missionários portugueses que visitaram a costa a partir do século XV, consta também na ampla documentação sobre a região. A literatura é rica em referências às grandes mulheres como as vendedoras ambulantes, cujo jeito para o negócio, bem como a autonomia e mobilidade, é tão típico da região.

 

HAVIK, P. Dinâmicas e assimetrias afro-atlânticas: a agência feminina e representações em mudança na Guiné (séculos XIX e XX). In: PANTOJA. S. (Org.). Identidades, memórias e histórias em terras africanas. Brasília: LGE; Luanda: Nzila, 2006.

 

 

A abordagem realizada pelo autor sobre a vida social da África Ocidental pode ser relacionada a uma característica marcante das cidades no Brasil escravista nos séculos XVIII e XIX, que se observa pela

a) restrição à realização do comércio ambulante por africanos escravizados e seus descendentes.   

b) convivência entre homens e mulheres livres, de diversas origens, no pequeno comércio.   

c) presença de mulheres negras no comércio de rua de diversos produtos e alimentos.   

d) dissolução dos hábitos culturais trazidos do continente de origem dos escravizados.   

e) entrada de imigrantes portugueses nas atividades ligadas ao pequeno comércio urbano.   

 

 

Resposta:

 

[C]

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Geografia]

Na África Ocidental, o papel das mulheres é destacado no comércio informal de mercadorias variadas com destaque para alimentos, roupas e artesanato. Esta característica cultural e econômica foi herdada pelo Brasil em decorrência da entrada de população negra escrava no período colonial.

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de História]

O texto retrata uma característica da cultura africana que foi trazida para o Brasil pela escravidão, e se tornou uma das maiores características escravistas brasileiras: o chamado escravismo de ganho (escravos que faziam serviços urbanos, como o comércio ambulante). O destaque do texto é que tanto na África quanto no Brasil esse trabalho era exercido de maneira significativa pelas mulheres.

 

 

 

 

3. (Enem 2019)  O processamento da mandioca era uma atividade já realizada pelos nativos que viviam no Brasil antes da chegada de portugueses e africanos. Entretanto, ao longo do processo de colonização portuguesa, a produção da farinha foi aperfeiçoada e ampliada, tornando-se lugar-comum em todo o território da colônia portuguesa na América. Com a consolidação do comércio atlântico em suas diferentes conexões, a farinha atravessou os mares e chegou aos mercados africanos.

 

BEZERRA, N. R. Escravidão, farinha e tráfico atlântico: um novo olhar sobre as relações entre o Rio de Janeiro e Benguela (1790-1830). Disponível em: www.bn.br. Acesso em: 20 ago. 2014 (adaptado).

 

 

Considerando a formação do espaço atlântico, esse produto exemplifica historicamente a

a) difusão de hábitos alimentares.    

b) disseminação de rituais festivos.    

c) ampliação dos saberes autóctones.    

d) apropriação de costumes guerreiros.    

e) diversificação de oferendas religiosas.    

 

 

Resposta:

 

[A]

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Sociologia]

A alimentação brasileira é resultado de diversos processos culturais que incorporaram e modificaram hábitos presentes em muitas culturas. O consumo da farinha de mandioca é um bom exemplo de um hábito originalmente indígena e que se difundiu pelo território, para além das culturas autóctones.

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de História]

Podemos identificar no consumo da mandioca, e de sua farinha, uma forma de relação social no Brasil colônia, uma vez que a mandioca era um produto tipicamente de trato indígena que foi incorporado pelo branco português ao seu cardápio. 

 

 

 

 

4. (Enem 2018)  Outra importante manifestação das crenças e tradições africanas na Colônia eram os objetos conhecidos como “bolsas de mandinga”. A insegurança tanto física como espiritual gerava uma necessidade generalizada de proteção: das catástrofes da natureza, das doenças, da má sorte, da violência dos núcleos urbanos, dos roubos, das brigas, dos malefícios de feiticeiros etc. Também para trazer sorte, dinheiro e até atrair mulheres, o costume era corrente nas primeiras décadas do século XVIII, envolvendo não apenas escravos, mas também homens brancos.

 

CALAINHO, D. B. Feitiços e feiticeiros. In: FIGUEIREDO, L. História do Brasil para ocupados. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013 (adaptado).

 

 

A prática histórico-cultural de matriz africana descrita no texto representava um(a)

a) expressão do valor das festividades da população pobre.   

b) ferramenta para submeter os cativos ao trabalho forçado.    

c) estratégia de subversão do poder da monarquia portuguesa.    

d) elemento de conversão dos escravos ao catolicismo romano.    

e) instrumento para minimizar o sentimento de desamparo social.    

 

 

Resposta:

 

[E]

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de História]

Baseados no desamparo social, uma vez que os negros eram retirados dos seus núcleos sociais na África e não eram amparados na sociedade brasileira, os escravos criaram formas de resistência que faziam referência a sua própria cultura, como a bolsa de mandinga citada no texto.

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Sociologia]

O texto da questão apresenta as crenças religiosas como forma de proteção, sendo utilizadas não somente por negros e escravos, mas também por brancos, o que revela a complexidade da cultura brasileira.

 

 

 

 

5. (Enem 2017) 

A fotografia, datada de 1860, é um indício da cultura escravista no Brasil, ao expressar a

a) ambiguidade do trabalho doméstico exercido pela ama de leite, desenvolvendo uma relação de proximidade e subordinação em relação aos senhores.   

b) integração dos escravos aos valores das classes médias, cultivando a família como pilar da sociedade imperial.   

c) melhoria das condições de vida dos escravos observada pela roupa luxuosa, associando o trabalho doméstico a privilégios para os cativos.   

d) esfera da vida privada, centralizando a figura feminina para afirmar o trabalho da mulher na educação letrada dos infantes.   

e) distinção étnica entre senhores e escravos, demarcando a convivência entre estratos sociais como meio para superar a mestiçagem.   

 Resposta:

 

[A]

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de História]

O indício citado no comando da questão, pertencente à cultura escravista brasileira, era a clara diferenciação entre os escravos braçais e os escravos “de casa”, ou seja, aqueles que exerciam suas funções dentro das casas dos senhores. Dentre as funções exercidas por esses escravos, estava a de ama de leite, o que criava um laço de proximidade entre as escravas e as crianças brancas. Apesar de não perder a condição de escravidão, as amas de leite chegavam a ser chamadas de “mães pretas” pelas crianças que amamentavam.

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Sociologia]

Muitos são os estudos que demonstram que nossas relações de raça na sociedade atual foram forjadas no período escravista. O destaque da questão está na ama de leite, mulher negra, mas que ocupava um papel importante no espaço privado, ao ter forte contato com as crianças de seus senhores. Atualmente, muito dessa relação ambígua existe com empregadas domésticas ou babás de crianças das classes mais altas de nossa sociedade.  

 

 

 

 

6. (Enem 2016)  Texto I

 

Documentos do século XVI algumas vezes se referem aos habitantes indígenas como “os brasis”, ou “gente brasília” e, ocasionalmente no século XVII, o termo “brasileiro” era a eles aplicado, mas as referências ao status econômico e jurídico desses eram muito mais populares. Assim, os termos “negro da terra” e “índios” eram utilizados com mais frequência do que qualquer outro.

 

SCHWARTZ, S. B. Gente da terra braziliense da nação. Pensando o Brasil: a construção de um povo. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500-2000).

São Paulo: Senac, 2000 (adaptado).

 

 

Texto II

 

Índio é um conceito construído no processo de conquista da América pelos europeus. Desinteressados pela diversidade cultural, imbuídos de forte preconceito para com o outro, o indivíduo de outras culturas, espanhóis, portugueses, franceses e anglo-saxões terminaram por denominar da mesma forma povos tão díspares quanto os tupinambás e os astecas.

SILVA, K. V.; SILVA, M. H. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2005.

 

 

Ao comparar os textos, as formas de designação dos grupos nativos pelos europeus, durante o período analisado, são reveladoras da

a) concepção idealizada do território, entendido como geograficamente indiferenciado.   

b) percepção corrente de uma ancestralidade comum às populações ameríndias.   

c) compreensão etnocêntrica acerca das populações dos territórios conquistados.   

d) transposição direta das categorias originadas no imaginário medieval.    

e) visão utópica configurada a partir de fantasias de riqueza.    

 

 

Resposta:

 

[C]

 

Ao desprezarem a diversidade cultural indígena, os europeus que chegaram ao continente americano demonstram seu etnocentrismo, que se manifesta tanto na linguagem que utilizam, quanto nas atitudes que tomam nesses novos territórios.

 

 

 

 

7. (Enem 2013)  Seguiam-se vinte criados custosamente vestidos e montados em soberbos cavalos; depois destes, marchava o Embaixador do Rei do Congo magnificamente ornado de seda azul para anunciar ao Senado que a vinda do Rei estava destinada para o dia dezesseis. Em resposta obteve repetidas vivas do povo que concorreu alegre e admirado de tanta grandeza.

 

“Coroação do Rei do Congo em Santo Amaro”, Bahia apud DEL PRIORE, M. Festas e utopias no Brasil colonial. In: CATELLI JR., R. Um olhar sobre as festas populares brasileiras. São Paulo: Brasiliense, 1994 (adaptado).

 

Originária dos tempos coloniais, a festa da Coroação do Rei do Congo evidencia um processo de

a) exclusão social.   

b) imposição religiosa.   

c) acomodação política.   

d) supressão simbólica.   

e) ressignificação cultural.   

 

 

Resposta:

 

[E]

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de História]

O Congado, ou Festa do Rei Congo, é um movimento de sincretismo religioso realizado no Brasil desde os tempos coloniais. A festa é uma mistura de cultos católicos e africanos, na qual se comemora, ao mesmo tempo, a vida de São Benedito, o encontro de Nossa Senhora do Rosário e a vida do negro Chico-Rei.

 

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Sociologia]

A festa da Coroação do Rei do Congo, também chamada de Congado, é uma importante manifestação cultural brasileira. Ela surgiu durante o período colonial, a partir de um processo de ressignificação cultural de festas africanas. Desta maneira, somente a alternativa [E] pode ser considerada correta.

 

 

 

 

8. (Enem 2020)  Porque todos confessamos não se poder viver sem alguns escravos, que busquem a lenha e a água, e façam cada dia o pão que se come, e outros serviços que não são possíveis poderem-se fazer pelos Irmãos Jesuítas, máxime sendo tão poucos, que seria necessário deixar as confissões e tudo mais. Parece-me que a Companhia de Jesus deve ter e adquirir escravos, justamente, por meios que as Constituições permitem, quando puder para nossos colégios e casas de meninos.

 

LEITE, S. História da Companhia de Jesus no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1938 (adaptado).

 

 

O texto explicita premissas da expansão ultramarina portuguesa ao buscar justificar a

a) propagação do ideário cristão.   

b) valorização do trabalho braçal.   

c) adoção do cativeiro na Colônia.   

d) adesão ao ascetismo contemplativo,   

e) alfabetização dos indígenas nas Missões.   

 

 

Resposta:

 

[C]

 

O texto, ao ressaltar a defesa dos jesuítas à utilização da mão de obra escrava em seus colégios e casas de meninos, aponta a adoção e consolidação do trabalho cativo na Colônia, uma vez que os jesuítas eram agentes da colonização – devido à catequização indígena – por parte de Portugal.

 

 

 

 

9. (Enem 2020)  Afirmar que a cartografia da época moderna integrou o processo de invenção da América por parte dos europeus significa que os conhecimentos dos ameríndios sobre o território foram ignorados pela cartografia europeia ou que eles foram privados de sua representação territorial e da autoridade que seus conhecimentos tinham sobre o espaço.

 

OLIVEIRA, T. K. Desconstruindo mapas, revelando espacializações: reflexões sobre o uso da cartografia em estudos sobre o Brasil colonial. Revista Brasileira de História, n. 68, 2014 (adaptado).

 

 

Na análise contida no texto, a representação cartográfica da América foi marcada por

a) asserção da cultura dos nativos.   

b) avanço dos estudos do ambiente.   

c) afirmação das formas de dominação.   

d) exatidão da demarcação das regiões.   

e) aprimoramento do conceito de fronteira.   

 

 

Resposta:

 

[C]

 

O texto afirma que os conhecimentos ameríndios sobre o território americano foram ignorados pela cartografia europeia no momento da feitura dos mapas relativos ao continente recém-achado pelos europeus. Isso representa uma forma de afirmação da dominação europeia sobre a população nativa americana, a partir da imposição do conhecimento europeu sobre o conhecimento ameríndio.

10. (Enem 2016)  TEXTO I

TEXTO II

Os santos tornaram-se grandes aliados da Igreja para atrair novos devotos, pois eram obedientes a Deus e ao poder clerical. Contando e estimulando o conhecimento sobre a vida dos santos, a Igreja transmitia aos fiéis os ensinamentos que julgava corretos e que deviam ser imitados por escravos que, em geral, traziam outras crenças de suas terras de origem, muito diferentes das que preconizava a fé católica.

 

OLIVEIRA; A. J. Negra devoção. Revista de História da Biblioteca Nacional, n. 20, maio 2007 (adaptado).

 

 

Posteriormente ressignificados no interior de certas irmandades e no contato com outra matriz religiosa, o ícone e a prática mencionada no texto estiveram desde o século XVII relacionados a um esforço da Igreja Católica para

a) reduzir o poder das confrarias.   

b) cristianizar a população afro-brasileira.   

c) espoliar recursos materiais dos cativos.   

d) recrutar libertos para seu corpo eclesiástico.   

e) atender a demanda popular por padroeiros locais.   

 

 

Resposta:

 

[B]

 

Com o objetivo de impor o catolicismo aos negros africanos, a Igreja utilizou-se das imagens sacras para disseminar a religião cristã, uma vez que as imagens de santos mostravam-se fiéis e devotas a Deus e ao poder da Igreja, como descreve o texto II e mostra o texto I.

 

 

 

 

11. (Enem 2015)  A língua de que usam, por toda a costa, carece de três letras; convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei, e dessa maneira vivem desordenadamente, sem terem além disto conta, nem peso, nem medida.

GÂNDAVO, P M. A primeira historia do Brasil: história da província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2004 (adaptado).

 

 

A observação do cronista português Pero de Magalhães de Gândavo, em 1576, sobre a ausência das letras F, L e R na língua mencionada, demonstra a

a) simplicidade da organização social das tribos brasileiras.   

b) dominação portuguesa imposta aos índios no início da colonização.   

c) superioridade da sociedade europeia em relação à sociedade indígena.   

d) incompreensão dos valores socioculturais indígenas pelos portugueses.   

e) dificuldade experimentada pelos portugueses no aprendizado da língua nativa.   

 

 

Resposta:

 

[D]

 

Os portugueses enxergaram os indígenas de maneira etnocêntrica, medindo o povo indígena a partir dos seus próprios valores. Por isso, a crítica à falta de fé, lei e rei.

 

 

 

 

12. (Enem 2014)  O índio era o único elemento então disponível para ajudar o colonizador como agricultor, pescador, guia, conhecedor da natureza tropical e, para tudo isso, deveria ser tratado como gente, ter reconhecidas sua inocência e alma na medida do possível. A discussão religiosa e jurídica em torno dos limites da liberdade dos índios se confundiu com uma disputa entre jesuítas e colonos. Os padres se apresentavam como defensores da liberdade, enfrentando a cobiça desenfreada dos colonos.

 

CALDEIRA, J. A nação mercantilista. São Paulo: Editora 34, 1999 (adaptado).

 

Entre os séculos XVI e XVIII, os jesuítas buscaram a conversão dos indígenas ao catolicismo. Essa aproximação dos jesuítas em relação ao mundo indígena foi mediada pela

a) demarcação do território indígena.   

b) manutenção da organização familiar.   

c) valorização dos líderes religiosos indígenas.   

d) preservação do costume das moradias coletivas.   

e) comunicação pela língua geral baseada no tupi.   

 

 

Resposta:

 

[E]

 

Os padres jesuítas tiveram maior contato com os indígenas do litoral brasileiro, que pertenciam ao troco linguístico tupi-guarani. Nesse sentido, o domínio – por parte dos jesuítas – da língua tupi foi fundamental para a convivência e o contato.

 

 

 

 

13. (Enem 2013)  De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares [...]. Porém o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente.

 

Carta de Pero Vaz de Caminha. In: MARQUES, A.; BERUTTI, F.; FARIA, R. História moderna através de textos. São Paulo: Contexto, 2001.

 

A carta de Pero Vaz de Caminha permite entender o projeto colonizador para a nova terra. Nesse trecho, o relato enfatiza o seguinte objetivo:

a) Valorizar a catequese a ser realizada sobre os povos nativos.   

b) Descrever a cultura local para enaltecer a prosperidade portuguesa.   

c) Transmitir o conhecimento dos indígenas sobre o potencial econômico existente.   

d) Realçar a pobreza dos habitantes nativos para demarcar a superioridade europeia.   

e) Criticar o modo de vida dos povos autóctones para evidenciar a ausência de trabalho.   

 

 

Resposta:

 

[A]

 

Ao afirmar que "o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar essa gente", Caminha demonstra que o português buscaria, através da catequese, "civilizar" o indígena, considerado selvagem por não ter "fé, lei nem Rei".

 

 

 

 

14. (Enem 2012)  Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado porque padeceis em um modo muito semelhante o que o mesmo Senhor padeceu na sua cruz e em toda a sua paixão. A sua cruz foi composta de dois madeiros, e a vossa em um engenho é de três. Também ali não faltaram as canas, porque duas vezes entraram na Paixão: uma vez servindo para o cetro de escárnio, e outra vez para a esponja em que lhe deram o fel. A Paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais são as vossas noites e os vossos dias. Cristo despido, e vós despidos; Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a vossa imitação, que, se for acompanhada de paciência, também terá merecimento de martírio.

 

VIEIRA, A. Sermões. Tomo XI. Porto: Lello & Irmão, 1951 (adaptado).

 

O trecho do sermão do Padre Antônio Vieira estabelece uma relação entre a Paixão de Cristo e

a) a atividade dos comerciantes de açúcar nos portos brasileiros.   

b) a função dos mestres de açúcar durante a safra de cana.   

c) o sofrimento dos jesuítas na conversão dos ameríndios.   

d) o papel dos senhores na administração dos engenhos.   

e) o trabalho dos escravos na produção de açúcar.   

 

 

Resposta:

 

[E]

 

Apesar de considerado como de difícil leitura, as alternativas facilitam a obtenção da resposta. O texto retrata todo o processo de sofrimento de Cristo e, na colônia, somente pode ser relacionado com a vida e trabalho do escravo. Enquanto, para muitos, na época o africano escravizado era apenas um objeto de trabalho ou um se sem alma que, portanto, poderia ser escravizado, o Padre Antonio Vieira faz um tratamento diferenciado, de cunho religioso, apesar de justificar a escravidão.

 

 

 

 

15. (Enem 2012)  A experiência que tenho de lidar com aldeias de diversas nações me tem feito ver, que nunca índio fez grande confiança de branco e, se isto sucede com os que estão já civilizados, como não sucederá o mesmo com esses que estão ainda brutos.

 

NORONHA, M. Carta a J. Caldeira Brant. 2 jan. 1751. Apud CHAIM, M. M. Aldeamentos indígenas (Goiás: 1749-1811). São Paulo: Nobel, Brasília: INL, 1983 (adaptado).

 

Em 1749, ao separar-se de São Paulo, a capitania de Goiás foi governada por D. Marcos de Noronha, que atendeu às diretrizes da política indigenista pombalina que incentivava a criação de aldeamentos em função

a) das constantes rebeliões indígenas contra os brancos colonizadores, que ameaçavam a produção de ouro nas regiões mineradoras.   

b) da propagação de doenças originadas do contato com os colonizadores, que dizimaram boa parte da população indígena.   

c) do empenho das ordens religiosas em proteger o indígena da exploração, o que garantiu a sua supremacia na administração colonial.   

d) da política racista da Coroa Portuguesa, contrária à miscigenação, que organizava a sociedade em uma hierarquia dominada pelos brancos.   

e) da necessidade de controle dos brancos sobre a população indígena, objetivando sua adaptação às exigências do trabalho regular.   

 

 

Resposta:

 

[E]

 

Apesar de considerado como um “déspota esclarecido”, uma pessoa ilustrada, influenciada pelas ideias iluministas, Pombal era líder de um governo metropolitano que entendia o Brasil como área a ser mais bem explorada e criou mecanismo para ampliar a exploração. Vale lembrar que antes de adotar tal política para os índios, Pombal promoveu a expulsão dos jesuítas, por diversas razões; uma delas, o fato de representarem um obstáculo ao controle do Estado sobre as comunidades indígenas.

 

 

 

 

16. (Enem 2012)  Próximo da Igreja dedicada a São Gonçalo nos deparamos com uma impressionante multidão que dançava ao som de suas violas. Tão logo viram o Vice-Rei, cercaram-no e o obrigaram a dançar e pular, exercício violento e pouco apropriado tanto para sua idade quanto posição. Tivemos nós mesmos que entrar na dança, por bem ou por mal, e não deixou de ser interessante ver numa igreja padres, mulheres, frades, cavalheiros e escravos a dançar e pular misturados, e a gritar a plenos pulmões “Viva São Gonçalo do Amarante”.

 

BARBINAIS, Le Gentil. Noveau Voyage autour du monde. Apud: TINHORÃO, J. R. As festas no Brasil Colonial. São Paulo: Ed. 34, 2000 (adaptado).

 

O viajante francês, ao descrever suas impressões sobre uma festa ocorrida em Salvador, em 1717, demonstra dificuldade em entendê-la, porque, como outras manifestações religiosas do período colonial, ela

a) seguia os preceitos advindos da hierarquia católica romana.   

b) demarcava a submissão do povo à autoridade constituída.   

c) definia o pertencimento dos padres às camadas populares.   

d) afirmava um sentido comunitário de partilha da devoção.   

e) harmonizava as relações sociais entre escravos e senhores.   

 

 

Resposta:

 

[D]

 

Questão de interpretação de texto, que envolve a religiosidade no Brasil colonial, já marcada pelo sincretismo quando se percebe a presença de escravos em uma manifestação católica, essa já caracterizada pela dança, influência africana.

 

 

 

 

17. (Enem 2012)  Torna-se claro que quem descobriu a África no Brasil, muito antes dos europeus, foram os próprios africanos trazidos como escravos. E esta descoberta não se restringia apenas ao reino linguístico, estendia-se também a outras áreas culturais, inclusive à da religião. Há razões para pensar que os africanos, quando misturados e transportados ao Brasil, não demoraram em perceber a existência entre si de elos culturais mais profundos.

 

SLENES, R. Malungu, ngoma vem! África coberta e descoberta do Brasil. Revista USP, n.º 12, dez./jan./fev. 1991-92 (adaptado).

 

Com base no texto, ao favorecer o contato de indivíduos de diferentes partes da África, a experiência da escravidão no Brasil tornou possível a

a) formação de uma identidade cultural afro-brasileira.   

b) superação de aspectos culturais africanos por antigas tradições europeias.   

c) reprodução de conflitos entre grupos étnicos africanos.   

d) manutenção das características culturais específicas de cada etnia.   

e) resistência à incorporação de elementos culturais indígenas.   

 

 

Resposta:

 

[A]

 

O texto nos remete a uma situação muitas vezes ignorada, que os africanos provinham de nações diferentes, que possuíam hábitos e língua diferentes. O senso comum do brasileiro parte de uma ideia geral de africano, baseada principalmente na cor da pele. Destaca também que as condições de cativeiro, que para todos os escravos eram iguais, acabou por criar um elo entre os escravos, visto que na mesma senzala estavam pessoas de regiões diferentes que, aos olhos de proprietários e capatazes, eram todos iguais, seres inferiores, objetos de trabalho.

 

 

 

 

18. (Enem 2010)  Os tropeiros foram figuras decisivas na formação de vilarejos e cidades do Brasil colonial. A palavra tropeiro vem de "tropa" que, no passado, se referia ao conjunto de homens que transportava gado e mercadoria. Por volta do século XVIII, muita coisa era levada de um lugar a outro no lombo de mulas. O tropeirismo acabou associado à atividade mineradora, cujo auge foi a exploração de ouro em Minas Gerais e, mais tarde, em Goiás. A extração de pedras preciosas também atraiu grandes contingentes populacionais para as novas áreas e, por isso, era cada vez mais necessário dispor de alimentos e produtos básicos. A alimentação dos tropeiros era constituída por toucinho, feijão preto, farinha, pimenta-do-reino, café, fubá e coité (um molho de vinagre com fruto cáustico espremido).

Nos pousos, os tropeiros comiam feijão quase sem molho com pedaços de carne de sol e toucinho, que era servido com farofa e couve picada. O feijão tropeiro é um dos pratos típicos da cozinha mineira e recebe esse nome porque era preparado pelos cozinheiros das tropas que conduziam o gado.

 

Disponível em http://www.tribunadoplanalto.com.br.

Acesso em: 27 nov. 2008.

 

A criação do feijão tropeiro na culinária brasileira está relacionada à

a) atividade comercial exercida pelos homens que trabalhavam nas minas.   

b) atividade culinária exercida pelos moradores cozinheiros que viviam nas regiões das minas.   

c) atividade mercantil exercida pelos homens que transportavam gado e mercadoria.   

d) atividade agropecuária exercida pelos tropeiros que necessitavam dispor de alimentos.   

e) atividade mineradora exercida pelos tropeiros no auge da exploração do ouro.   

 

 

Resposta:

 

[C]

 

Interpretação de texto. Nos Séculos XVII e XVIII, os tropeiros eram partes da vida da zona rural e cidades pequenas dentro do sul do Brasil. Vestidos como gaúchos com chapéus, ponchos, e botas, os tropeiros dirigiram rebanhos de gado e levaram bens por esta região para São Paulo, comercializados na feira de Sorocaba. De São Paulo, os animais e mercadorias foram para os estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

 

 

 

 

19. (Enem 2009)  No final do século XVI, na Bahia, Guiomar de Oliveira denunciou Antônia Nóbrega à Inquisição. Segundo o depoimento, esta lhe dava “uns pós não sabe de quê, e outros pós de osso de finado, os quais pós ela confessante deu a beber em vinho ao dito seu marido para ser seu amigo e serem bem-casados, e que todas estas coisas fez tendo-lhe dito a dita Antônia e ensinado que eram coisas diabólicas e que os diabos lha ensinaram”.

ARAÚJO, E. O teatro dos vícios. Transgressão e transigência na sociedade urbana colonial. Brasília: UnB/José Olympio, 1997.

 

Do ponto de vista da Inquisição,

a) o problema dos métodos citados no trecho residia na dissimulação, que acabava por enganar o enfeitiçado.   

b) o diabo era um concorrente poderoso da autoridade da Igreja e somente a justiça do fogo poderia eliminá-lo.   

c) os ingredientes em decomposição das poções mágicas eram condenados porque afetavam a saúde da população.   

d) as feiticeiras representavam séria ameaça à sociedade, pois eram perceptíveis suas tendências feministas.   

e) os cristãos deviam preservar a instituição do casamento recorrendo exclusivamente aos ensinamentos da Igreja.   

 

 

Resposta:

 

[E]

 

Apenas a interpretação do texto levaria a alternativa correta. No entanto, conhecimentos sobre aspectos da vida religiosa no Brasil colônia, das restrições da Igreja quanto aos rituais de magia associados à evocação do demônio e do tratamento dispensado pela Inquisição (Santo Ofício) aos acusados de tais práticas, facilitariam a resposta do examinado.

 

 

 

 

20. (Enem 2009)  Hoje em dia, nas grandes cidades, enterrar os mortos é uma prática quase íntima, que diz respeito apenas à família. A menos, é claro, que se trate de uma personalidade conhecida. Entretanto, isso nem sempre foi assim. Para um historiador, os sepultamentos são uma fonte de informações importantes para que se compreenda, por exemplo, a vida política das sociedades.

No que se refere às práticas sociais ligadas aos sepultamentos,

a) na Grécia Antiga, as cerimônias fúnebres eram desvalorizadas, porque o mais importante era a democracia experimentada pelos vivos.   

b) na Idade Média, a Igreja tinha pouca influência sobre os rituais fúnebres, preocupando-se mais com a salvação da alma.   

c) no Brasil colônia, o sepultamento dos mortos nas igrejas era regido pela observância da hierarquia social.   

d) na época da Reforma, o catolicismo condenou os excessos de gastos que a burguesia fazia para sepultar seus mortos.   

e) no período posterior à Revolução Francesa, devido as grandes perturbações sociais, abandona-se a prática do luto.   

 

 

Resposta:

 

[C]

 

Na Europa, os sepultamentos dentro das igrejas eram comuns até a época da peste negra. No Brasil colonial e imperial os sepultamentos existiram até o ano 1820, quando foram proibidos, momento que construíram os primeiros cemitérios. O sepultamento era restrito aos homens livres. Negros (escravos) e os indigentes eram enterrados. A difirenciação no tratamento dispensado ao mortos, evidencia a forte hierarquização existente na sociedade colonial do Brasil.

 

 

 

 

21. (Enem 2003)  Jean de Léry viveu na França na segunda metade do século XVI, época em que as chamadas guerras de religião opuseram católicos e protestantes. No texto a seguir, ele relata o cerco da cidade de Sancerre por tropas católicas.

 

(...) desde que os canhões começaram a atirar sobre nós com maior frequência, tornou-se necessário que todos dormissem nas casernas. Eu logo providenciei para mim um leito feito de um lençol atado pelas suas duas pontas e assim fiquei suspenso no ar, à maneira dos selvagens americanos (entre os quais eu estive durante dez meses) o que foi imediatamente imitado por todos os nossos soldados. De tal maneira que a caserna logo ficou cheia deles. Aqueles que dormiram assim puderam confirmar o quanto esta maneira é apropriada tanto para evitar os vermes quanto para manter as roupas limpas (...).

 

Neste texto, Jean de Léry

a) despreza a cultura e rejeita o patrimônio dos indígenas americanos.   

b) revela-se constrangido por ter de recorrer a um invento de "selvagens".   

c) reconhece a superioridade das sociedades indígenas americanas com relação aos europeus.   

d) valoriza o patrimônio cultural dos indígenas americanos, adaptando-o às suas necessidades.   

e) valoriza os costumes dos indígenas americanos porque eles também eram perseguidos pelos católicos.   

 

 

Resposta:

 

[D]

 

Interpretação de texto; que descreve um francês em seu país, adotando um costume aprendido com o indígena. Dessa forma, percebe-se que a ideia de superioridade cultural é bastante relativa.