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Lista de Exercícios UNICAMP - Alta Idade Média

O que mais cai na UNICAMP? Exercícios UNICAMP. Alta Idade Média no vestibular. Revisão IDADE MÉDIA.

Lista de Exercícios UNICAMP - Alta Idade Média

 

1. (Unicamp 2019)  Os estudiosos muçulmanos adaptaram a herança recebida dos povos arabizados. Entre os domínios conquistados pelos muçulmanos estavam a Mesopotâmia e o antigo Egito, civilizações que desde cedo observaram os fenômenos astronômicos. O estudo dos fenômenos naturais no Crescente Fértil possibilitou a agricultura e perdurou por milênios. Nas costas do Mar Egeu, na região da Jônia, surgiram no século VI a.C. as primeiras explicações dos fenômenos naturais desvinculadas dos desígnios divinos. E as conquistas de Alexandre permitiram o início do intercâmbio entre o conhecimento grego, de um lado, e o dos antigos impérios egípcio, babilônico e persa, de outro. Além disso, houve trocas científicas e culturais com os indianos. O império árabe-islâmico foi, a partir do século VII, o herdeiro desse legado científico multicultural, ao qual os estudiosos muçulmanos deram seus aportes ao longo da Idade Média.

 

(Adaptado de Beatriz Bissio, O mundo falava árabe. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012, p. 200-201.)

 

 

Considerando o texto acima sobre o Islã Medieval e seus conhecimentos, assinale a alternativa correta. 

a) A extensão do território sob domínio islâmico e a liberdade religiosa e cultural implementada nessas áreas aceleraram a construção de novos conhecimentos pautados na cosmologia ocidental.    

b) A partir do século VII, o avanço dos exércitos islâmicos garantiu a expansão do império de forma ditatorial sobre antigos núcleos culturais da Índia até as terras gregas do Império Bizantino, chegando à Espanha.    

c) Os conhecimentos sobre os fenômenos naturais construídos pelos mesopotâmicos, egípcios, macedônicos, babilônicos, persas, entre outros povos, foram ignorados pelo Islã Medieval, marcado pelo fundamentalismo religioso.    

d) A difusão de saberes multiculturais foi uma das marcas do Império árabe-islâmico, sendo ele a via de transmissão do sistema numérico indiano para o Ocidente e de obras da filosofia greco-romana para o Oriente.    

 

 

Resposta:

 

[D]

 

O crescimento da Civilização Árabe na chamada Alta Idade Média proporcionou uma conexão e um intercâmbio entre Ocidente e Oriente não antes visto. Por isso, conhecimentos orientais – como o sistema número indiano – chegaram ao Ocidente e conhecimentos ocidentais – como os livros de Ptolomeu – chegaram ao Oriente através dos árabes.

 

 

 

 

2. (Unicamp 2018)  Estamos acostumados a considerar que o sistema centro/periferia, ao menos no Ocidente, é um eixo essencial da estrutura e do funcionamento no espaço das economias, das sociedades, das civilizações. O historiador Fernand Braudel estimou que tal sistema só existiu e funcionou plenamente a partir do século XV. Essa definição não se aplica à Cristandade Medieval sem importantes correções. A noção de centro e a oposição centro/periferia são menos decisivas que outros sistemas de orientação espacial. O principal sistema é o que opõe o baixo ao alto, quer dizer, o Aqui, esse “mundo” imperfeito e marcado pelo Pecado Original, ao céu, morada de Deus.

 

(Adaptado de Jacques Le Goff e Jean-Claude Schmitt, “Centro/Periferia”, em Dicionário temático do ocidente medieval, v. 2. São Paulo: Edusc, 2002, p. 203.)

 

 

A partir do texto acima, assinale a alternativa correta.

a) Usada nas Ciências Humanas para a compreensão de períodos históricos desde a Antiguidade, a noção de centro/periferia perdura até a atualidade e estrutura o sistema econômico global contemporâneo.    

b) As noções de baixo e alto têm um sentido histórico mais preciso para a compreensão da Cristandade Medieval do que o sistema centro/periferia.    

c) O sistema centro/periferia é aplicável ao estudo da Cristandade Medieval, já que os feudos constituíam o centro da vida econômica e cultural naquele contexto.    

d) O sistema centro/periferia aplicado durante a Era Medieval espelhava o sistema de orientação baixo e alto, sendo o baixo o mundo do pecado e o alto o mundo da virtude cristã.    

 

 

Resposta:

 

[B]

 

O texto deixa claro que, em se tratando da Cristandade Medieval, a noção de “baixo” e “alto”, alusiva a terra e aos céus, encaixa-se melhor do que a noção de “centro” e “periferia”. Ou seja, “baixo” e “alto” definem melhor a hierarquia pregada pela Cristandade Medieval.

 

 

 

 

3. (Unicamp 2016)  Reproduz-se, abaixo, trecho de um sermão do bispo Cesário de Arles (470-542), dirigido a uma paróquia rural.

 

“Vede, irmãos, como quem recorre à Igreja em sua doença obtém a saúde do corpo e a remissão dos pecados. Se é possível, pois, encontrar este duplo benefício na Igreja, por que há infelizes que se empenham em causar mal a si mesmos, procurando os mais variados sortilégios: recorrendo a encantadores, a feitiçarias em fontes e árvores, amuletos, charlatães, videntes e adivinhos?”

 

(Fonte: http://www.institutosapientia.com.br/site/index.php?option=co_content&view=article&id=1397:sao-cesario-de-arles-sermao-13-parauma-paroquia-rural&catid=28: outros-artigos&Itemid=285.)

 

 

A partir desse sermão, escrito no sul da atual França, é correto afirmar que:

a) A Igreja Católica assumia funções espirituais e deixava à nobreza o cuidado da saúde dos camponeses, através de ordens religiosas e militares.   

b) O cristianismo tinha penetrado em todas as categorias sociais e era interpretado da mesma forma através da autoridade dos bispos.   

c) Práticas consideradas menos ortodoxas por Cesário de Arles ainda encontravam espaço em setores da sociedade e a elite da Igreja tentava se afirmar como o único acesso ao sagrado.   

d) O avanço do materialismo estava afastando da Igreja os camponeses, que, com isto, deixavam de pagar os dízimos eclesiásticos.   

 

 

Resposta:

 

[C]

 

As práticas consideradas não ortodoxas pela Igreja Católica – como feitiçaria, encantos e videntes – foram, durante a Idade Média, usadas por parte da população, em especial na zona rural. Diante disso, a Igreja tentava adentrar nesse meio para ampliar sua influência sobre a sociedade.

 

 

 

 

4. (Unicamp 2016)  A palavra árabe iman provém de uma raiz que significa ‘ter certeza’ e designa fé, no sentido da certeza.

A fé, por conseguinte, não contradiz o conhecimento nem a compreensão. Pelo contrário, o desejo de saber é uma obrigação religiosa, e os tempos pré-islâmicos (século VI) na Arábia são chamados pelos islâmicos de jahiliya, ignorância.

 

(Adaptado de Burkhard Scherer (org.), As Grandes religiões: temas centrais comparados. Petrópolis: Vozes, 2005, p. 77.)

 

 

a) Cite uma característica política e uma característica religiosa da península arábica pré-islâmica.

b) Como conviveram fé e conhecimento científico no mundo islâmico na Alta Idade Média?

 

 

Resposta:

 

a) Política: falta de unidade territorial e política;

Religiosa: religião politeísta.

b) Como o texto deixa claro, a religião árabe estimulava a busca pelo conhecimento. Assim, os árabes assimilaram os conhecimentos dos povos que dominaram, desenvolvendo saberes em áreas como a Medicina, por exemplo.

 

 

 

 

5. (Unicamp 2014)  No Natal de 800, o papa Leão III coroou Carlos Magno como Imperador dos Romanos. O Imperador recebeu o antigo título de Augusto.

 

a) Caracterize a autoridade de Carlos Magno como Imperador naquele momento.

b) Apresente dois aspectos do renascimento carolíngio.

 

 

Resposta:

 

a) A coroação de Carlos Magno como “Imperador dos Romanos” feita pelo papa Leão III ocorreu após uma aproximação de Magno e da Igreja Católica. Leão III, na verdade, corou Magno como Imperador do Sacro Império Romano Germânico. Magno, assim, tornou-se um grande defensor e disseminador da fé cristã pelos territórios já existentes e futuramente conquistados no citado Império.

 

b) Durante o governo de Carlos Magno, o Império Carolíngio atravessou uma fase de grande crescimento e esplendor, em especial nas áreas educacional e artística. Magno promoveu projeto educacional baseado nas artes liberais, a saber, aritmética, geometria, astrologia, música, gramática, dentre outras. No campo artístico, influenciada pelas artes romana e grega, a arte carolíngia caracterizou pela feitura das iluminuras e dos relicários.

 

 

 

 

6. (Unicamp 2013)  Tradicionalmente, a vitória dos cristãos sobre os muçulmanos na Batalha de Covadonga, na região da Península Ibérica, em 722, foi considerada o início da chamada Reconquista. Mais do que um decisivo confronto bélico, Covadonga foi uma luta dos habitantes locais por sua autonomia. A aproximação ideológica desta vitória, feita mais tarde por clérigos das Astúrias, conferiu à batalha a importância de um fato transcendente, associado ao que se considerava a missão da monarquia numa Hispânia que tombara diante dos seus inimigos.

 

(Adaptado de R. Ramos, B. V. Sousa e N. Monteiro (orgs.), História de Portugal. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2009, p. 17-18.)

 

a) Explique o que foi a Reconquista.

b) De que maneiras a Batalha de Covadonga foi reutilizada no discurso histórico e político pelos clérigos das Astúrias?

 

 

Resposta:

 

a) Foi uma guerra empreendida pelos cristãos ibéricos contra os muçulmanos na Península Ibérica entre os séculos VIII e XV.

b) Foi associada à ideologia católica, a partir de uma missão divina e, portanto transcendente do rei de defender o cristianismo ameaçado pelos infiéis.

 

 

 

 

7. (Unicamp 2012)  A longa presença de povos árabes no norte da África, mesmo antes de Maomé, possibilitou uma interação cultural, um conhecimento das línguas e costumes, o que facilitou posteriormente a expansão do islamismo. Por outro lado, deve-se considerar a superioridade bélica de alguns povos africanos, como os sudaneses, que efetivaram a conversão e a conquista de vários grupos na região da Núbia, promovendo uma expansão do Islã que não se apoia na presença árabe.

 

(Adaptado de Luiz Arnaut e Ana Mônica Lopes, História da África: uma introdução. Belo Horizonte: Crisálida, 2005, p. 29-30.)

 

Sobre a presença islâmica na África é correto afirmar que:

a) O princípio religioso do esforço de conversão, a jihad, foi marcado pela violência no norte da África e pela aceitação do islamismo em todo o continente africano.   

b) Os processos de interação cultural entre árabes e africanos, como os propiciados pelas relações comerciais, são anteriores ao surgimento do islamismo.   

c) A expansão do islamismo na África ocorreu pela ação dos árabes, suprimindo as crenças religiosas tradicionais do continente.   

d) O islamismo é a principal religião dos povos africanos e sua expansão ocorreu durante a corrida imperialista do século XIX.   

 

 

Resposta:

 

[B]

 

A questão pode ser respondida a partir da leitura do texto e de conhecimentos gerais sobre a expansão islâmica, e não é necessário o conhecimento específico sobre os povos africanos e seu processo de islamização. Por conta de interesses comerciais, grupos árabes estabeleceram contato e se misturavam a povos africanos, num processo de interação cultural que, mais tarde, contribuiu para a difusão da religião. Esses grupos mercantis eram minoritários e existiram em diversas regiões da África, mesmo sob domínio de outros povos. O texto destaca que alguns grupos africanos – e não árabes – foram, posteriormente, responsáveis pela expansão do islamismo para diversas partes do interior do continente.  

 

 

 

 

8. (Unicamp 2011) 

No quadro acima, observa-se a organização espacial do trabalho agrícola típica do período medieval. A partir dele, podemos afirmar que

a) os camponeses estão distantes do castelo porque já abandonavam o domínio senhorial, num momento em que práticas de conservação do solo, como a rotação de culturas, e a invenção de novos instrumentos, como o arado, aumentavam a produção agrícola.   

b) os camponeses utilizavam, então, práticas de plantio direto, o que permitia a melhor conservação do solo e a fertilidade das terras que pertenciam a um senhor feudal, como sugere o castelo fortificado que domina a paisagem ao fundo do quadro.   

c) um castelo fortificado domina a paisagem, ao fundo, pois os camponeses trabalhavam no domínio de um senhor; pode-se ver também que utilizavam práticas de rotação de culturas, visando à conservação do solo e à manutenção da fertilidade das terras.   

d) A cena retrata um momento de mudança técnica e social: desenvolviam-se novos instrumentos agrícolas, como o arado, e o uso de práticas de plantio direto, o que levava ao aumento da produção, permitindo que os camponeses abandonassem o domínio senhorial.   

 

 

Resposta:

 

[C]

 

O quadro representa o trabalho servil, típico dos camponeses no período medieval, ainda no interior da estrutura feudal, quando o servo estava subordinado a um senhor feudal – representado no quadro pelo castelo – e possuía pouco conhecimento técnico. No entanto, a rotação de culturas, deixando-se uma parte do campo em descanso, era uma prática comum e visava reduzir o desgaste da terra.

 

 

 

 

9. (Unicamp 2010)  Até o século XII, a mulher era desprezada por ser considerada incapaz para o manejo de armas; vivendo num ambiente guerreiro, não se lhe atribuía outra função além de procriar. A sua situação não era mais favorável do ponto de vista espiritual; a Igreja não perdoava Eva por ter levado a humanidade à perdição e continuava a ver em suas descendentes os acólitos lúbricos do demônio.

 

(Adaptado de Pierre Bonassie, Amor cortês, em Dicionário de História Medieval. Lisboa: Publicações D. Quixote, 1985, p. 29-30.)

 

a) Identifique no texto as razões para a mulher ser considerada inferior na sociedade medieval.

b) Quais características da sociedade medieval configuraram um “ambiente guerreiro” até o século XII?

 

 

Resposta:

 

a) De acordo com o texto, a mulher era inferiorizada por ser considerada incapaz no manejo de armas e por ser considerada herdeira de Eva, responsável pela perdição da humanidade, o que na perspectiva da religiosidade medieval, tornava-a naturalmente pecadora.

 

b) As guerras medievais estavam associadas a diversos motivos, quais sejam, as disputas territoriais, saques, questões políticas e religiosas, rivalidades familiares e aumento de poder. Pode-se destacar as guerras contra os invasores bárbaros, as disputas por feudos e as Cruzadas, batalhas entre cristãos e muçulmanos.

 

As guerras eram tão importantes na sociedade medieval que a nobreza militarizada, principalmente a cavalaria, tinha uma posição de destaque nos feudos e reinos. Os guerreiros possuíam grande importância e prestígio social e econômico e preparavam-se desde a infância para serem eficientes, leais e corajosos. As relações de vassalagem e suserania mobilizavam grandes contingentes de cavaleiros e guerreiros para as guerras.

 

 

 

 

10. (Unicamp 2006)  No contexto das invasões bárbaras do século X, os bispos da província de Reims registraram: "Só há cidades despovoadas, mosteiros em ruínas ou incendiados, campos reduzidos ao abandono. Por toda parte, os homens são semelhantes aos peixes do mar que se devoram uns aos outros." Naquele tempo, as pessoas tinham a sensação de viver numa odiosa atmosfera de desordens e de violência. O feudalismo medieval nasceu no seio de uma época conturbada. Em certa medida, nasceu dessas mesmas perturbações.

            (Adaptado de Marc Bloch, "A sociedade feudal". Lisboa: Edições 70, 1982, p. 19.)

 

a) Estabeleça as relações entre as invasões bárbaras e o surgimento do feudalismo.

b) Identifique duas instituições romanas que contribuíram para a formação do feudalismo na Europa medieval. Explique o significado de uma delas.

 

 

Resposta:

 

a) As "invasões bárbaras"  no séculos IX e X, notadamente as invasões normandas (vikings), associadas às invasões sarracenas e magiares, contribuíram para acentuar o processo de ruralização das populações da Europa Ocidental, decorrendo daí, a consolidação das relações feudais de produção que já vinham se configurando desde as invasões germânicas no século V.

 

b) As vilas (Villae) propriedades rurais voltadas para a auto-suficiência e colonato, modalidade de meação que possibilitava a fixação do camponês à terra, através da hereditariedade.

 

 

 

 

11. (Unicamp 1995)  O feudo era a principal unidade de produção da Idade Média.

a) Como se dividia o feudo?

b) Explique a função de cada uma das partes do feudo.

 

 

Resposta:

 

a) Manso servil, senhorial, terras em descanso, bosques, vilas e o castelo, etc.

b) Terras do senhor, terras coletivas, habitantes prestadores de serviços, habitação do senhor, etc.

 

 

 

 

12. (Unicamp 1994)  "A Igreja, durante toda a Idade Média, guiava todos os movimentos do homem, do batismo ao serviço fúnebre. A Igreja educava as crianças; o sermão do pároco era a principal fonte de informação sobre os acontecimentos e problemas comuns. A paróquia constituía uma importante unidade de governo local, coletando e distribuindo as esmolas que os pobres recebiam. Como os homens ficavam atentos aos sermões era frequente o governo dizer aos pregadores exatamente o que deviam pregar."

            (Adaptado de Christopher Hill, A REVOLUÇÃO INGLESA DE 1640, 1977)

           

A partir do texto acima escreva quais eram as funções sociais e políticas da Igreja Católica na Idade Média.

 

 

Resposta:

 

A igreja, instituição já organizada na época medieval, determinava a teoria social, hierarquizava a sociedade, condenava a usura, monopolizava a cultura e a educação, influenciava governantes e era grande detentora de terras.

 

 

 

 

13. (Unicamp 1992)  "Lá vai São Francisco

  pelo caminho

  de pé descalço

  tão pobrezinho"

            (Vinícius de Morais, A ARCA DE NOÉ)

 

Durante os séculos XII e XIII, posturas como a de Francisco de Assis se opunham às práticas da Igreja Católica.

Como se explica essa oposição e em que se baseava a proposta franciscana?

 

 

Resposta:

 

Oposição ao caráter luxuoso, dogmático e distanciado dos princípios de Deus. Francisco de Assis propunha os votos de pobreza como forma de criticar e de estar próximo dos princípio cristãos.