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Mesopotâmia

Mesopotâmia. Caldeus, Assírios, Hebreus, Babilônios, Acádios, Sumérios. O que mais cai no ENEM? Plataforma de estudos de História.

Mesopotâmia

dos grupos nômades às cidades

 

Como você vimos em outra aula, em alguns momentos (e esses momentos foram vários, em tempos diferentes  e em distintas partes do globo) certos agrupamentos humanos começaram a trocar a caça e a coleta pela pecuária e pela agricultura. Com essas novas atividades, já não precisavam se locomover constantemente em busca de alimento, tornando-se sedentários, isto é, estabelecendo moradias fixas. Isso não significa que a mudança tenha sido repentina, ou que as atividades de caça e coleta tenham sido totalmente eliminadas. Os especialistas concordam que essas formas conviveram, mas aos poucos a fixação à terra foi se tornando predominante.

Com a fixação dos grupos humanos em um mesmo lugar, surgiram aldeias. Nelas já estavam presentes as principais características da cidade: perímetro definido, separado dos campos agrícolas e pastos circundantes, moradias permanentes, depósitos para guardar bens (objetos, alimentos) e cemitérios. Nesse momento, a separação dos espaços rural e urbano não está plenamente estabelecida. Essa nova configuração da sociedade humana foi propiciada pelo desenvolvimento da agricultura e da conservação de alimentos, no Período Neolítico. Graças à armazenagem de alimentos podia-se agora ter alguma segurança diante do risco de más colheitas, especialmente os cereais, como o trigo e o milho.

Além disso, a produção de alimentos controlada pelas pessoas permitia alimentar aqueles que não trabalhavam diretamente na agricultura. Como nem todos precisavam dedicar-se à agricultura, as atividades se diversificaram. Boas colheitas dependiam da irrigação do solo, por isso era comum que essas comunidades se localizassem perto de rios que tinham fluxo abundante de água, pelo menos durante parte do ano. Estima-se que as aldeias do Neolítico tenham surgido há 11 mil anos. Uma delas, a de Çatal Huyuk, foi descoberta na década de 1960, após escavações na Turquia. Calcula-se que ela tenha existido há cerca de 10 mil anos, reunindo de 5 mil a 10 mil habitantes. Em escavações recentes, pesquisadores iugoslavos encontraram, na atual Sérvia, outro sítio da Antiguidade, um conjunto de vilas denominado Lepenski Vir; estima-se que ele tenha existido há 8,5 mil anos.

Até as descobertas dessas povoações, considerava-se que as primeiras cidades teriam se desenvolvido na região do atual Iraque – conhecida como Mesopotâmia – há cerca de 5,5 mil anos. E, em períodos mais recentes (desde cerca de 4 mil anos atrás), registrou-se a existência de cidades nas regiões da Índia, da China, do Egito e da América Central.

 

das cidades aos reinos e impérios

Nas páginas seguintes, apresentaremos aspectos de cada uma das civilizações que selecionamos para esse nosso estudo. Não se pretende esgotar o assunto, mas apenas evidenciar alguns sinais da trajetória humana nesse período conhecido como Antiguidade,

em que as cidades surgiram e se desenvolveram, das mais diferentes formas, em diferentes lugares do mundo. Com elas, firmavam-se espaços em que novas atividades ganhavam vida. Nas cidades estavam as construções públicas (ruas, pontes, templos, praças), o comércio (mercados e portos) e a sede do governo (palácios). Para proteção, geralmente eram cercadas por muralhas, demarcando seus limites com o campo da agricultura e do pastoreio.

 

a civilização mesopotâmica

Oriente Médio, entre os rios Tigre e Eufrates, na região conhecida como Crescente Fértil. Seu nome já sugere tratar-se de uma região fértil, embora localizada em meio a montanhas e desertos: Mesopotâmia vem do grego (meso = meio; potamos = água) e significa ‘terra ou região entre rios’. Quanto à organização socioeconômica, existem grandes semelhanças entre a mesopotâmica e a egípcia, que estudaremos a seguir. No entanto, algumas diferenças de caráter físico-geográfico podem ser destacadas. 

Situado entre dois desertos, o Egito vivia em relativo isolamento geográfico, o que lhe possibilitou longos períodos de estabilidade política; a Mesopotâmia, por sua vez, é ainda hoje uma planície aberta a invasões por todos os lados. Além disso, o regime de cheias do Tigre e do Eufrates não é tão regular como o do Nilo, no Egito; por isso são frequentes inundações violentas e até períodos de seca na região banhada por eles.

Os primeiros vestígios de sedentarismo humano na Mesopotâmia datam de aproximadamente 10000 a.C. Com o crescimento populacional e dos primeiros núcleos urbanos da região, desenvolveu-se um complexo sistema hidráulico, que tornou possível a drenagem de pântanos e a construção de diques e barragens, para evitar inundações e armazenar água para épocas de seca.

O sucesso das atividades produtivas levou à formação de grandes cidades com mais de mil habitantes já por volta de 4000 a.C., como Uruk. Essas cidades tinham principalmente função militar, protegendo a riqueza gerada pela agricultura e, ao mesmo tempo, exercendo o controle político da população da região.

 

Evolução política

 

No fim do Período Neolítico, diversas cidades já haviam sido criadas na Mesopotâmia, todas elas autônomas e habitadas por sumérios, povo oriundo do vizinho planalto do Irã. Ur, Nipur e Lagash, além da já citada Uruk, foram os principais centros urbanos. As cidades eram governadas por patesis, misto de chefes militares e sacerdotes, que exerciam o controle sobre a população, cobrando impostos e administrando as obras hidráulicas. Os sumérios chegaram a estabelecer relações comerciais com povos vizinhos, tanto na direção oeste, indo para o mar Mediterrâneo, como na direção leste, rumo à Índia. Desenvolveram a escrita cuneiforme, para registrar suas complexas transações econômicas.

Por volta de 2400 a.C., o povo acádio, que já vinha se introduzindo na região havia algum tempo, dominou a Mesopotâmia. O rei acádio Sargão I unificou as regiões centro e sul, submetendo os sumérios, ao mesmo tempo que incorporava sua cultura. Porém, contínuas invasões estrangeiras inviabilizaram a permanência do Império Acádio, que acabou desaparecendo por volta de 2100 a.C.

 

A partir do século XIX a.C., com os invasores amoritas, firmou-se uma nova tentativa de unidade da região, originando o Primeiro Império Babilônico. Com o rei Hamurabi (1792 a.C.-1750 a.C.), a cidade da Babilônia, a capital, transformou-se em um dos principais centros urbanos e políticos da Antiguidade. O império abrangia uma região que se estendia do golfo Pérsico à Assíria.

Com Hamurabi foi organizado um código de leis escritas tido como um dos mais antigos de que se tem notícia. O Código de Hamurabi determinava apenas para delitos domésticos, comerciais, ligados à propriedade, à herança, à escravidão e a falsas acusações, sempre baseadas na lei de talião, que pregava o princípio do “olho por olho, dente por dente”.

A pena seria, na medida do possível, semelhante ao delito cometido, embora pudesse variar conforme a posição social e econômica da vítima e do infrator. Para um ladrão, por exemplo, a pena era ter uma das mãos cortada.

Ao declínio do Primeiro Império seguiram-se invasões de diversos povos, chegando alguns a exercer eventualmente o controle da região.

 

Os assírios tornaram-se conhecidos por seu forte caráter militar e pela violência ao tratarem os prisioneiros de guerra. Já os caldeus, fundadores do Segundo Império Babilônico, ficaram famosos pelas seguidas conquistas e pelo governo de Nabucodonosor (604 a.C.-561 a.C.), com suas obras urbanas na Babilônia. Esse poderio não foi capaz de conter as tropas dos conquistadores persas comandadas por Ciro I. No século VI a.C., a Babilônia foi integrada ao Império Persa.

 

Economia, sociedade e cultura na mesopotâmia

 

Assim como no Egito, na Mesopotâmia a agricultura foi a principal atividade econômica praticada pela população. À frente das primeiras cidades, emergiram lideranças com a responsabilidade de cuidar dos canais de irrigação, da justiça e da burocracia.

Não havia separação entre a vida prática, do dia a dia, e a vida religiosa. Todos prestavam serviços aos deuses e à administração locais, fazendo crescer o poder das duas principais instituições mesopotâmicas: o templo e o palácio. Cabia a elas a maior parte das terras, além de cuidar da tributação e redistribuição dos excedentes agrícolas. Dessa forma, a estrutura social baseava-se na existência de uma elite que controlava a parcela da população submetida ao trabalho compulsório, caracterizando o domínio de todos os grupos sociais por meio de uma administração centralizada, de um governo despótico e teocrático, ou seja, associava-se a autoridade do governante à religiosidade.

Quanto aos escravos, seu número tendia a ser bastante elevado em certos períodos, principalmente durante o Império Assírio, e o comércio e o artesanato tiveram significativo desenvolvimento, pelos contatos com povos diversos.

A religião mesopotâmica servia de elemento de ligação entre a população e os governantes. Os sacerdotes (templo) tinham importante função política e o governante (palácio) era considerado um representante dos deuses – diferentemente do que ocorria no Egito, como veremos mais adiante, onde era visto como uma divindade viva.

Os povos da antiga Mesopotâmia eram politeístas, ou seja, adoravam vários deuses, que representavam elementos da natureza. Acreditavam que esses deuses – que habitariam os zigurates, templos em forma de pirâmides – podiam interferir em sua vida, causando o bem e o mal. Ishtar, deusa da chuva, da primavera e da fertilidade, ganhou muita importância na Mesopotâmia (ver foto do Portal de Ishtar na página 63). Havia também deuses próprios de cada cidade.

Os povos mesopotâmicos destacaram-se na ciência, arquitetura e literatura. Observando o céu, os sacerdotes desenvolveram os princípios da Astronomia e da Astrologia. Os zigurates, além de morada dos deuses e de abrigar celeiros e oficinas, eram também verdadeiras torres de observação dos céus. Possibilitaram cálculos do movimento de planetas e estrelas e a posterior elaboração de sofisticados calendários. Foram os mesopotâmios que elaboraram o calendário dividindo o ano em doze meses e a semana em sete dias, cada um dos quais dividido em dois períodos de doze horas.

Os mesopotâmios desenvolveram ainda cálculos algébricos, dividiram o círculo em 360 graus e calcularam as raízes quadrada e cúbica. Sua arquitetura introduziu o uso de arcos e a decoração em baixo-relevo.

Na literatura, criaram poemas e narrativas épicas, como A epopeia de Gilgamesh. Esse texto, considerado por alguns estudiosos a narrativa escrita mais antiga de que se tem notícia (c. 2000 a.C.), conta as aventuras do lendário rei sumério Gilgamesh, de Uruk, na Mesopotâmia, que teria sido o quinto rei da primeira dinastia após o dilúvio de Uruk. Um dos episódios traz a referência ao dilúvio, narrativa recorrente em muitas culturas, estando presente nas narrativas mais antigas do Velho Testamento, que faz parte do livro sagrado dos judeus e dos cristãos.

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