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Pré-História

No Neolítico, os homens aprimoraram o arco e a flecha e utilizaram largamente o fogo para cozinhar, espantar animais, iluminar as moradias e se aquecer. Tornaram mais eficientes e sofisticados os instrumentos – de pedra polida.

Pré-História

Os conhecimentos que temos sobre os primeiros tempos da humanidade vêm dos fósseis e objetos encontrados nas escavações paleontológicas, que ganharam maior impulso a partir do fim do século XIX. Os estudos dos vestígios deixados pela ação humana, obtidos em escavações arqueológicas, originam análises e teorias que serão confirmadas, aprimoradas ou negadas por descobertas e interpretações posteriores. Por eles, podem ser avaliadas  as organizações sociais, as interferências humanas no meio ambiente e as concepções das primeiras sociedades. Esses estudos abrangem vários campos das ciências, como a Geologia, a Filologia, a Antropologia, a Paleontologia, a Bioquímica, e partem da análise de artefatos materiais  (como instrumentos, fósseis, fragmentos cerâmicos, vestígios de alimentação) e dos contextos naturais e culturais onde esses materiais foram localizados (abrigos rochosos, cemitérios indígenas, etc.). Muitas vezes esses artefatos são encontrados fragmentados e em locais diferentes do seu contexto original, ou seja, de onde foram produzidos.

Mas por que essas pesquisas ganharam intensidade nos últimos tempos? Porque foi necessário que os pesquisadores estivessem convencidos de que os seres humanos tiveram ancestrais biológicos. Isso só foi possível depois da assimilação do grande abalo no conhecimento científico causado pela publicação do livro A origem das espécies, de Charles Darwin, em 1859. Antes disso, só havia explicações mítico-religiosas (bíblicas, no caso das civilizações judaico-cristãs; mitológicas, no caso de povos africanos e indígenas, entre outras) para o surgimento da humanidade.

No centro-norte da África, na floresta tropical das imediações do Chade, hoje desérticas, foi encontrado o crânio fóssil do mais antigo hominídeo conhecido até agora, com idade entre 6 e 7 milhões de anos. Pertencia ao gênero Sahelanthropus tchadensis e foi batizado de Toumai. Na região que atravessa a Etiópia, o Quênia e a Tanzânia foram encontrados outros fósseis de ancestrais humanos, como os do gênero Australopithecus (do latim australis, ‘do sul’, e do grego pithekos, ‘macaco’), que viveu no continente desde pelo menos 4 milhões de anos e se diferenciava de outros primatas pela dentição semelhante à dos humanos atuais, pelo andar bípede e pela postura ereta. Também foram encontrados fósseis do gênero Homo, sobretudo da espécie mais evoluída do Homo habilis (desde antes de 3 milhões de anos) e do Homo erectus (desde 2 milhões de anos). Ali viveram, portanto, diversas linhagens paralelas de nossos ancestrais, que se entrelaçaram até desembocarem no homem moderno.

Uma das espécies de Australopithecus (entre as espécies registradas estão o afarensis, o africanus, o boisei e o robustus; os dois últimos são hoje em dia classificados como Paranthropus) era capaz de criar ferramentas e utilizar instrumentos rudimentares, conforme provam as evidências fósseis e os próprios instrumentos de pedra. Apenas os representantes do gênero Homo desenvolveram a linguagem e aprenderam a controlar o fogo. O Australopithecus africanus foi considerado o ancestral direto do gênero Homo, em especial da espécie Homo erectus, mas a descoberta de fósseis de hominídeos mais antigos que o Australopithecus africanus e que pertenceriam ao gênero Homo levantam duas hipóteses: a de que o gênero Homo se separou do Australopithecus antes do que se imaginava, ou a de que os dois gêneros se desenvolveram de forma independente a partir de outro ancestral comum.

Alguns desses vestígios e outros do Homo erectus, posterior ao Australopithecus, foram encontrados especialmente no Quênia, na Etiópia e na Tanzânia (África); também em Java (Indonésia) e na China. Do Homo erectus teriam evoluído o homem de Neanderthal (denominação dos fósseis encontrados desde 1856 na gruta de Neanderthal, perto de Düsseldorf, Alemanha), o homem de Cro-Magnon (denominação dos fósseis encontrados em 1868 em Cro-Magnon, Dordogne, na França) e a espécie humana atual (Homo sapiens) com todas as suas variações, em um processo ocorrido ao longo dos últimos 500 mil anos.

Existem fortes indícios de terem sido os descendentes do Homo erectus os primeiros a povoarem outros continentes, pois, até agora, já foram encontrados fósseis dessa espécie em várias regiões da Europa, em Java, na China, no Iraque, etc. O estudo da idade dos esqueletos de nossa espécie, Homo sapiens, e das marcas que os primeiros humanos deixaram levou os especialistas a concluir que o continente africano foi o berço da humanidade, e dali nossa espécie se espalhou por outros continentes: Ásia, Europa, América e Oceania. Fósseis do homem moderno, conhecido como Homo sapiens sapiens, têm sido encontrados em diversas partes do mundo, mas alguns pesquisadores apontam como os mais antigos (até agora conhecidos) os da África, que datam de cerca de 160 mil anos, ao passo que os de outros lugares teriam menos de 100 mil anos. Entre esses achados africanos destacam-se os da África do Sul (da região de Klasies River Mouth) e os de Kanjera, no Quênia. Admitindo-se essa origem africana do homem moderno, acredita-se que, há cerca de 100 mil anos, indivíduos Homo sapiens sapiens empreenderam uma nova migração, dessa vez para todas as outras partes do planeta, suplantando ou incorporando outras linhagens.

Colaborando com essa versão, certas pesquisas genéticas, apoiadas em estudos de DNA, ressaltam “que todos os indivíduos investigados descendem de um só ancestral – de uma única Eva –, que viveu na África entre 143 mil e 285 mil anos”2, tendo migrado para fora do continente e substituído as populações de H. erectus na Ásia e H. neanderthalensis na Europa.

Trata-se da chamada hipótese de origem única ou monogenismo. As teorias da origem humana suscitam muitas divergências entre os estudiosos, assim como a determinação de rotas migratórias e de datas – quanto a essa última polêmica, há os que defendem, com base em pesquisas genéticas, ser de aproximadamente 500 mil anos a origem da “Eva africana”.

 

A vida em grupo

Ao longo de seu processo de adaptação física ao meio, a espécie humana foi se tornando mais hábil com as mãos, aprendendo a utilizá-las como instrumento de trabalho. O desenvolvimento do cérebro favoreceu a capacidade de raciocínio, permitindo-lhe criar ferramentas que facilitavam suas atividades, como o preparo e o consumo de alimentos, e desenvolver sua criatividade, que, por sua vez, ampliou a cognição e o uso da capacidade cerebral. O exame dos instrumentos deixados pelos primeiros humanos foi um dos critérios adotados pelos estudiosos para estabelecer divisões em períodos. Convencionou-se que o primeiro período foi o Paleolítico, ou Idade da Pedra Lascada, que se iniciou há aproximadamente 2,7 milhões de anos e se estendeu até 10000 a.C.

Os primeiros grupos humanos do Período Paleolítico viviam em bandos e empregavam grande parte de seu tempo e energia na busca do sustento. Todo alimento que consumiam era extraído diretamente da natureza por meio de atividades de coleta, caça e pesca, realizadas com instrumentos fabricados principalmente de lascas de pedra, ossos ou madeira.

Pesquisas recentes indicam que, no início do período, homens e mulheres se dedicavam às mesmas tarefas básicas. Contudo, com o passar do tempo, para conseguir o alimento necessário de modo mais eficiente, as tarefas passaram a ser divididas conforme a idade, o sexo e as condições físicas dos membros do bando. Chamamos a isso de divisão natural do trabalho.

Assim, quase sempre os homens se tornaram responsáveis pela fabricação de ferramentas, pela construção de tendas e pela caça e pesca, ao passo que as mulheres ficaram com a função de fazer, sobretudo, o trabalho de coleta de grãos, folhas, frutos, raízes, ovos, mel e insetos, além de várias atividades artesanais. Anciãos e crianças também ajudavam, conforme suas forças permitiam. O constante deslocamento para encontrar novas áreas que lhes possibilitassem a sobrevivência – o nomadismo – levavam os grupos humanos do Período Paleolítico a ocuparem os lugares por períodos relativamente curtos, o que dispensava a construção de moradias firmes e duradouras. Por isso, em geral ocupavam abrigos provisórios, como grutas e cavernas, ou cabanas feitas de gravetos e galhos de árvores e tendas de peles de animais.

Muito do que sabemos sobre a vida cotidiana das comunidades paleolíticas está relacionado a pinturas encontradas nas paredes de cavernas – as pinturas rupestres. A arte rupestre testemunha uma grande conquista de nossa espécie, que é a capacidade de representar concretamente seu pensamento e suas observações.

Essa capacidade está na base da linguagem. A própria escrita pode ser considerada a “filha mais jovem” da arte, e em vários idiomas, como o japonês, o desenho das letras é uma arte.

Evidências anteriores mostravam que o desenvolvimento da capacidade do Homo sapiens sapiens de se expressar por símbolos datava de aproximadamente 40 mil anos (inscrições e pinturas em rocha encontradas em grutas na França e na Espanha). Contrariando essas evidências, foram descobertos fragmentos de argila com inscrições simbólicas no sítio arqueológico de Blombos, na África do Sul, datadas de 77 mil anos. Assim, até onde se sabe, desde essa época e cerca de 30 mil anos antes que o Homo sapiens sapiens chegasse à Europa, havia representações de arte, simbologia, pensamento abstrato e habilidades de aprendizagem, ou seja, cultura e inteligência, segundo os parâmetros do homem moderno.

 

O domínio sobre a natureza

O fim da última glaciação tornou possível a sedentarização humana, ou seja, a sua fixação à terra. Esse fenômeno climático, que alterou as formas de vida existentes no planeta, também estimulou a migração de animais e seres humanos para lugares onde houvesse abundância vegetal, levando-os a ocupar diversas regiões do globo. A fixação do ser humano em determinado lugar esteve associada à domesticação de animais e ao cultivo de plantas, que caracterizaram uma mudança profunda na história da humanidade. Essa mudança foi estabelecida pouco a pouco por nossos ancestrais, e não aconteceu ao mesmo tempo em todo o planeta.

Tradicionalmente conhecida como “revolução” neolítica ou agrícola, ela caracteriza o período denominado Neolítico, ou Idade da Pedra Polida, que se estendeu de cerca de 10000 a.C. a 4000 a.C. Outros grupos, porém, permaneceram nômades e adotaram outros modos de vida.

E de que forma se deu o domínio da agricultura?

Considerando a historiografia atual, é possível afirmar que passar à agricultura e à pecuária como fonte principal de alimentação foi uma opção de vários grupos. Alguns pesquisadores defendem a teoria de que coube às mulheres decifrar o mistério da germinação e do crescimento das plantas, uma vez que eram as responsáveis pela coleta e estavam, portanto, mais familiarizadas com os ciclos e as características do mundo vegetal.

Como consequência da descoberta da agricultura e da criação de animais, esses grupos, em geral, se fixaram em áreas férteis nas margens de grandes rios. Várias sequências de boas colheitas, e consequentemente de boa alimentação, durante longos períodos, levaram ao aumento da população, o que, por sua vez, demandou as mudanças na organização social do grupo.

No Neolítico, os homens aprimoraram o arco e a flecha e utilizaram largamente o fogo para cozinhar, espantar animais, iluminar as moradias e se aquecer. Tornaram mais eficientes e sofisticados os instrumentos – de pedra polida – e passaram a utilizar madeiras, tanto para a construção de moradias e canoas como para a fabricação de instrumentos de defesa.

Em diversas regiões do continente africano, foram encontrados inúmeros vestígios desse período, como instrumentos de pedra lascada/polida, machados, serras, lanças, arcos e flechas, arpões, anzóis, pictografias, vasilhames de barro, redes, etc. Tudo indica que a passagem das atividades de caça e coleta para as de produção de alimentos tenha acontecido bem cedo na região ao norte da linha do equador, provavelmente por volta de 8000 a.C., diferentemente do sul do Saara, onde a agricultura só se difundiu no início da Era Cristã.

Grandes mudanças climáticas ocorridas em todo o continente africano nos últimos milênios antes da Era Cristã também influenciaram sobremaneira o quadro histórico geral, em especial nas áreas que hoje denominamos deserto do Saara. Tomando esse deserto, que é o maior do mundo, como modelo, comumente são apontadas duas grandes sub-regiões do continente africano: a África setentrional e a África subsaariana. Por volta de 6000 a.c., mais notadamente entre 2500 e 500 a.c., o clima começou a ter um progressivo ressecamento. Em consequência, enormes migrações foram se deslocando para o norte, sudoeste e Leste, abandonando a região [...]. significativa parcela da população mais clara emigrou para o norte do deserto, dando origem à população mediterrânea, cuja língua (o berbere) estaria estruturada já por volta de 2000 a.c. Dela derivam os líbios, que ameaçaram o Egito faraônico; os habitantes do atual Marrocos; os ancestrais dos tuaregues do deserto, etc. a maioria da população negra, por sua vez, emigrou para o sudoeste. até hoje, na África ocidental, grande número de povos (ussá, ioruba, ashanti) afirma descender de emigrantes vindos do nordeste do seu hábitat atual. As pinturas pré-históricas do maciço de tassili (Argélia) representam máscaras quase idênticas às dos senufô da atual costa do Marfim, assim como cerimônias ainda existentes entre os povos fulani que resistiram ao islã.

 

Ao sul do Saara prevalecem ainda hoje os descendentes dos primeiros agricultores, falantes de línguas ligadas ao banto, denominação que designa uma origem linguística comum, possivelmente oriunda de um grupo de ancestrais africanos constituído nos últimos séculos antes de Cristo. Acredita-se que a origem do grupo banto esteja na região ao norte do rio Congo, nas atuais áreas de Camarões e da Nigéria. Por muitos séculos, esse povo, que vivia da caça, da pesca, da domesticação de animais, da agricultura de coivara e em permanente nomadismo, espalhou-se por áreas extensas da África subsaariana.

Ao final do Neolítico, em algumas regiões do planeta, tornara-se generalizado o uso dos metais, com técnicas de fundição de cobre, ferro e bronze. Utensílios e armas foram aperfeiçoados, e essa época ficou conhecida como Idade dos Metais. Apesar da impossibilidade de estabelecer uma cronologia exata desses avanços, supõe-se que o bronze tenha sido utilizado em diversas áreas do Oriente já por volta de 4000 a.C., alcançando a Europa e o mundo mediterrâneo cerca de 2 mil anos depois. O desenvolvimento técnico aplicado na agricultura possibilitou maior produção e um consequente aumento populacional. Alguns grupos familiares passaram a exercer domínio sobre outros grupos, gerando sociedades ampliadas. A necessidade de garantir a defesa e a produção em áreas relativamente extensas, habitadas por várias aldeias ou grupos familiares (as tribos), levou ao início da organização de Estados.

As grandes transformações ocorridas ao longo do Período Neolítico mudaram radicalmente as formas de convivência humana em algumas regiões do mundo. A posse coletiva, que até então prevalecia nas comunidades, passou a coexistir com situações de posse privada: os instrumentos e o fruto do trabalho, antes pertencentes a toda a comunidade, agora se tornavam exclusivos de cada indivíduo, de famílias ou de grupos de famílias. Surgiram, nesse período, as primeiras organizações sociais, com a criação do Estado e o desenvolvimento da escrita – primeiramente, ao que parece, no Oriente Próximo, no Egito e na Mesopotâmia.

 

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