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Revolução Russa: A Rússia Pré-revolucionária

Bolcheviques, que defendiam a revolução socialista, a instalação da ditadura do proletariado, com a aliança de operários e camponeses, e tinham como líder Vladimir Ilitch Lênin.

Revolução Russa: A Rússia Pré-revolucionária

A corrosão do czarismo russo

 

As contradições vividas pela Rússia no início do século XX – muitas delas decorrentes dos valores impostos pelo Antigo Regime – chocavam-se com o mundo capitalista emergente. Os grandes proprietários de terras, o clero e os oficiais do exército, no alto da pirâmide social, configuravam uma sociedade baseada na posse de terras e de títulos honoríficos. Mantendo uma estrutura que carregava muitos aspectos do mundo feudal, a sociedade russa não mostrava o dinamismo de outras sociedades capitalistas. Os nobres proprietários possuíam a maior parte das terras férteis e exploravam o trabalho dos camponeses, que viviam em situação próxima da servidão.

Desde o final do século XIX, diversos imperadores vinham adotando tímidas políticas modernizadoras. Entre elas estavam a abolição da servidão e o encorajamento de investimentos estrangeiros para impulsionar a industrialização russa. Ao mesmo tempo, a modernização industrial aumentava o contraste entre a estrutura oligárquica que sustentava o czar e as cidades modernizadas. Anarquistas e marxistas russos difundiam suas ideias entre as populações urbanas e rurais, e grandes greves operárias marcaram a Rússia do começo do século XX. Além deles, outros sujeitos sociais se opunham à estrutura autoritária do czarismo e todos concorreram para a Revolução de 1917. Os monarcas da dinastia Romanov, no poder desde 1613, governavam de forma autoritária. O czar se confundia com o Estado e agia politicamente sustentado na grandeza imperial e voltado para a ampliação de seu poder como déspota. Essa postura, naturalmente, não satisfazia as aspirações burguesas de industrialização e modernização.

A corrosão do czarismo, devido a seu caráter despótico, em contraste com os regimes constitucionais de muitas nações europeias, também se revelava no plano internacional, no jogo de forças com outras potências por domínios imperialistas, fragilizando seu poderio e debilitando o regime. O fracasso do czar Nicolau II na Guerra Russo-Japonesa (1904-1905), ao disputar a Coreia e a Manchúria, acabou por incentivar as forças de oposição a intensificar o desagravo ao despotismo dos Romanov.

 

A primeira evidência de impasse político se deu em 22 de janeiro de 1905, quando uma manifestação popular em frente ao palácio de inverno dos monarcas, em São Petersburgo, foi reprimida violentamente. Os manifestantes, pacíficos e desarmados, queriam uma entrevista com o czar para lhe pedir a convocação de uma Assembleia Constituinte e implantação de melhores condições de trabalho e regras trabalhistas.

 

Apesar de não desrespeitarem a autoridade do czar, para quem chegaram a cantar o hino da fidelidade ao governo, Deus salve o czar, os manifestantes acabaram sendo dizimados às centenas, por tropas de soldados e da polícia. O episódio ficou conhecido como Domingo Sangrento. Depois disso, uma onda de protestos e intranquilidade espalhou-se pelo Império Russo, resultando em uma greve geral e em levantes militares, como o do encouraçado Potemkin, da esquadra do mar Negro.

Essa situação obrigou o czar a assinar o Tratado de Portsmouth, em 5 de setembro de 1905, pondo fim ao conflito com o Japão. O país foi obrigado a entregar ao vencedor a parte setentrional da ilha de Sacalina e a península de Liaotung e a reconhecer os direitos exclusivos dos japoneses sobre a Coreia.

Diante das crescentes manifestações, no mês seguinte o czar lançou o Manifesto de Outubro, prometendo a instauração de uma monarquia constitucional e parlamentar. As agitações populares, tanto de trabalhadores da indústria como de camponeses, estimularam a formação dos sovietes – conselhos de trabalhadores – em várias regiões da Rússia, o que ativou a participação popular.

Em 1906, Nicolau II cumpriu a promessa de instaurar uma Duma (parlamento), a fim de redigir uma nova Constituição para o país. Controlada por deputados predominantemente originários das elites nacionais, a Duma, no entanto, acabou ficando submetida à autoridade do czar, que aumentou seus próprios poderes por meio de decretos. As críticas dos parlamentares levaram-no, no ano seguinte, a dissolver a Duma. O movimento de abertura do regime czarista mostrava-se oscilante, pendular. Em 1911 a reação absolutista se impôs novamente. A monarquia autocrática czarista convivia com a Constituição, com a Duma e com os sovietes – todos, agora, sem poderes efetivos.

Entre os opositores do czarismo, destacaram-se várias agremiações político-ideológicas, como os narodnikis (populistas), os anarquistas (partidários das ideias de Bakunin) e principalmente os social-democratas (defensores dos princípios marxistas). Os social-democratas dividiram-se, a partir de 1903, em duas facções. Os mencheviques (do russo menshe = “menos”, indicando sua presença minoritária no Congresso da Social-Democracia dos Trabalhadores Russos) caracterizavam-se como marxistas ortodoxos e pregavam o desenvolvimento e o amadurecimento do capitalismo para só então almejar o socialismo. Eram liderados por Gheorghi Plekhanov e Iulii Martov.

A outra facção dos social-democratas russos era a dos bolcheviques (do russo bolshe = “mais”, indicando o caráter de maioria no mesmo congresso), que defendiam a revolução socialista, a instalação da ditadura do proletariado, com a aliança de operários e camponeses, e tinham como líder Vladimir Ilitch Lênin.

A progressiva divisão dos social-democratas levou-os à separação definitiva em 1914. Apesar disso, tanto bolcheviques como mencheviques continuavam a catalisar o crescente e generalizado descontentamento da população russa em relação ao czarismo.

 

o colapso do czarismo

 

Membro da Tríplice Entente, juntamente com a Inglaterra e a França, a Rússia lutou contra a Alemanha e a Áustria-Hungria durante a Primeira Guerra Mundial, visando a conquistas territoriais. A guerra, porém, agravou as contradições sociais e políticas internas. As sucessivas derrotas da Rússia diante do poderio militar alemão, pelas quais o czar foi responsabilizado, foram acompanhadas de deserções em massa de soldados da frente de batalha, favorecendo a organização das oposições que se preparavam para a insurreição.

No final de 1916, após a conquista de boa parte de seu território pelos alemães, a Rússia estava militarmente aniquilada e economicamente desorganizada. Sua população convivia com o desabastecimento e a escassez de gêneros básicos. Em fevereiro de 1917, os trabalhadores fizeram várias greves e manifestações, apoiadas por motins de soldados e marinheiros, o que acabou por gerar a deposição de Nicolau II.

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