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Revolução russa: Mencheviques e Bolcheviques

Os bolcheviques tomaram de assalto os departamentos públicos e o Palácio de Inverno, em Petrogrado.

Revolução russa: Mencheviques e Bolcheviques

A revolução menchevique

Em março de 1917, foi instalada a República da Duma, sob a chefia de um nobre politicamente moderado, o príncipe Lvov, sobre o qual pesava a influência de Alexandre Kerensky, líder menchevique. Kerensky era membro do Soviete de Petrogrado, outro centro de poder criado logo após a queda do czar, composto de operários, marinheiros e soldados. Kerensky só assumiu efetivamente o poder da Duma em julho de 1917, com a renúncia de Lvov. Comprometido com a ideia de desenvolver o capitalismo russo para depois lutar pelo socialismo, conforme pregavam os mencheviques, ele manteve a Rússia na Primeira Guerra Mundial, atendendo aos compromissos e ligações com a burguesia que o apoiava. Essa situação não era apoiada pelos bolcheviques, que defendiam que a revolução proletária estava prestes a ocorrer, o que levaria à paz no plano internacional e às mudanças almejadas no plano interno.

Liderados por Vladimir Lênin e Leon Trótski, os bolcheviques ganharam popularidade com as Teses de abril. Sintetizadas na plataforma de “Paz, terra e pão”, propunham a saída da Rússia do conflito, a divisão das grandes propriedades entre os camponeses e a regularização do abastecimento interno. Sob o lema “Todo poder aos sovietes”, Trótski recrutou uma milícia revolucionária em Petrogrado, a Guarda Vermelha, entre trabalhadores bolcheviques dos sovietes.

A revolução bolchevique

Em 7 de novembro (ou 25 de outubro, no calendário juliano, até então em vigor na Rússia), os bolcheviques tomaram de assalto os departamentos públicos e o Palácio de Inverno, em Petrogrado. Destituíram o governo republicano menchevique e em seu lugar criaram o Conselho de Comissários do Povo. Assim, deram início ao novo governo russo, com a publicação do primeiro documento oficial da revolução, “Apelo aos trabalhadores, soldados e camponeses”, redigido por Lênin e que transferia todo o poder para os sovietes. No comando do conselho estavam Vladimir Lênin, como presidente, Leon Trótski, como encarregado dos negócios estrangeiros, e Josef Stálin, chefiando os negócios internos.

 

o governo de Vladimir Lênin (1917-1924)

 

De início, o novo governo nacionalizou as indústrias e os bancos estrangeiros, redistribuiu as terras no campo e firmou um armistício com a Alemanha, em Brest-Litovski. Para sair do conflito, a Rússia teve de abrir mão de alguns territórios (Estônia, Letônia, Lituânia, Finlândia, Ucrânia e Polônia). As mudanças nas estruturas tradicionais de poder, entretanto, ativaram a oposição dos mencheviques e czaristas (que passaram a ser chamados de russos brancos). Com o apoio das potências aliadas, que receavam a propagação da revolução de caráter popular pelo mundo, as duas facções mergulharam o país numa sangrenta guerra civil, que só terminou em 1921, com a vitória dos bolcheviques (denominados russos vermelhos, por serem oriundos da Guarda Vermelha, que havia sido fundada por Trótski).

 Durante a guerra civil, o governo de Lênin adotou como política econômica o comunismo de guerra, caracterizado pela centralização da produção e pela eliminação da economia de mercado, típica do capitalismo. Seu objetivo era conseguir recursos para enfrentar o cerco internacional e a guerra contra os russos brancos e seus aliados europeus. As requisições forçadas, com o confisco pelo Estado da produção agrícola, fizeram desaparecer os procedimentos de compra e venda de produtos, tornando desnecessário até o uso de moeda.

Em 1921, apesar da vitória bolchevique sobre os russos brancos e aliados, surgiram sérias crises de abastecimento, além de revoltas camponesas provocadas pelo confisco da produção agrícola.

A fim de evitar o colapso total da economia após a guerra civil, Lênin instituiu a Nova Política Econômica (NEP), um planejamento estatal sobre a economia que combinava princípios socialistas com elementos capitalistas. A NEP estimulava a pequena manufatura privada, o pequeno comércio e a venda livre de produtos pelos camponeses nos mercados. Pretendia, dessa forma, motivar a produção e garantir o abastecimento.

Lênin justificava a inserção de componentes capitalistas na economia russa sob a alegação de que eram necessários para fortalecê-la e, desse modo, possibilitar a implantação do regime socialista. A NEP, que durou até 1928, levou à recuperação parcial da economia soviética e à reativação de setores fundamentais, fazendo crescer a produção industrial e agrícola e o comércio.

Em contraste com a relativa liberalização econômica, consolidou-se o centralismo governamental sob a supremacia do Partido Comunista Russo, nome dado pelos bolcheviques, a partir de 1918, ao único partido permitido no país. Nesse mesmo ano foi elaborada uma Constituição que criava a República Soviética Socialista Russa e, em 1923, outra, que instituía a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), mais conhecida por União Soviética. Esse foi o resultado de um acordo de união das diferentes regiões do antigo Império Russo, convertidas em repúblicas federativas e socialistas. Com a mudança do nome, o ex-partido bolchevique transformou-se, em 1925, no Partido Comunista da União Soviética (PCUS).

Com a morte de Lênin, em 1924, o poder soviético foi disputado por Leon Trótski, chefe do exército, e Josef Stálin, secretário-geral do Partido Comunista. Trótski defendia a revolução permanente, que pretendia difundir o socialismo pelo mundo. Stálin pregava a consolidação interna da revolução, a estruturação de um Estado revolucionário forte e a implantação do socialismo num só país, para então tentar expandir a revolução para a Europa. Stálin saiu vitorioso e, nos anos seguintes, marginalizou Trótski e seus seguidores até eliminá-los.

 

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