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Roma: Antiguidade Clássica

Teodósio (378-395): transformou o cristianismo em religião oficial do Império (Édito de Tessalônica), nomeando-se chefe da religião organizada. Dividiu o Império Romano em duas partes: do Ocidente (com capital em Roma) e do Oriente (com capital em Constantinopla), também chamado de Império Bizantino.

Roma: Antiguidade Clássica

Ao estudar a Roma antiga é importante refletir sobre a diversidade de interpretações.

As fontes de que os historiadores dispõem para escrever e reescrever a história de Roma são, principalmente, fontes literárias e a cultura material, com grande quantidade de obras de urbanismo, engenharia, arquitetura e monumentos. Um exemplo são os arcos do triunfo, construídos para comemorar realizações civis dos governantes (finalização de uma estrada, porto) ou para celebrar a vitória dos imperadores em suas batalhas.

No Arco de Constantino, em Roma, estão esculpidas cenas da batalha e da vitória. Entretanto, é preciso tomar cuidado com a utilização desse tipo de fonte, porque ela ressalta apenas a visão dos vencedores.

E o que chamamos de vencedores? Os grupos que detiveram e controlaram o poder político e econômico e que figuraram na escrita da História como os grandes e heroicos personagens: imperadores, juízes, grandes proprietários. No registro das chamadas fontes oficiais, quase nunca temos acesso à interpretação dos grupos dominados. Vencer, portanto, inclui vencer também nas interpretações e silenciar os vencidos. É através desse véu que os historiadores se esforçam por enxergar, procurando dar voz aos grupos silenciados para que uma realidade histórica mais ampla e diversa possa ser construída. E como isso é possível? Buscando perceber a mentalidade, os jogos políticos, os conceitos presentes nos discursos oficiais e procurando outros discursos e formas de registrar a História: a arte, a literatura, os artefatos materiais.

Ao falarmos em dominados e silenciados estamos nos referindo aos grupos que estiveram sob o controle daqueles que detinham o poder governamental. Se entendermos que o exercício do poder se faz de muitas maneiras e pode ser encontrado em pequenas ações cotidianas de resistência e negociação, não é correto afirmar que uma sociedade se divide entre aqueles que detêm o poder e os que não detêm. O exercício do poder pode ser encontrado mesmo entre os grupos marginalizados, entre aqueles que não possuem posses materiais ou que não exercem cargos políticos.

Outro exemplo são as moedas. As moedas romanas que sobreviveram até chegar às mãos dos estudiosos da atualidade são importantes, por exemplo, para ajudar a construir a cronologia de Roma. Porém, também são cunhadas pelos governos e glorificam os atos dos governantes, simbolizando suas ideias.

Grande parte da informação que chegou até nós deve-se a Políbio (c. 200 a.C.-118 a.C.), escritor de origem grega que escreveu uma história de Roma procurando entender a sua rápida expansão em direção ao Mediterrâneo. Parte de seu trabalho se perdeu, mas o que restou forneceu a base da informação a partir da qual os historiadores desenvolveram estudos críticos. Tito Lívio (c. 59 a.C.-17 a.C.) também escreveu uma extensa história de Roma organizada ano a ano desde 753 a.C. até o século I d.C., intitulada Ab urbe condita (Desde a fundação da cidade).

Essas fontes são complementadas por objetos diversos, encontrados pelos arqueólogos, como utensílios domésticos, que permitem saber um pouco sobre a vida cotidiana. Outra fonte importante são as inscrições em espaços públicos, que hoje chamaríamos de pichações ou grafites.

No caso específico da Roma antiga, uma fonte preciosa para o estudo do cotidiano acabou resultando de uma tragédia: a cidade de Pompeia, próxima da atual cidade de Nápoles, na Itália. Surpreendidos pela explosão do vulcão Vesúvio em 79 d.C., os habitantes morreram muito rapidamente cobertos por lava e cinzas vulcânicas, e a cidade foi preservada tal como se encontrava no dia da erupção.

Esse fenômeno natural “engessou” a cidade, preservando-a praticamente como ela estava no momento da erupção. Foram encontrados corpos petrificados de pessoas e animais na exata posição em que estavam no momento da tragédia. Mais de trinta padarias foram descobertas com seus fornos e moinhos, e um deles apresentava os restos carbonizados de 88 pães. Também foram encontradas lavanderias onde os ricos mandavam lavar ou tingir suas roupas e diversas pinturas, algumas das quais mostrando meninos (pisoeiros) pisando

em tecidos encharcados em urina para endurecer as fibras, antes da preparação final. As escavações e os estudos prosseguem até hoje, e os milhares de grafites localizados nas fachadas das casas e das lojas mostram as mais diversas manifestações dos habitantes sobre política, amor, sexo, filosofia e brincadeiras.

monarquia (da fundação de Roma ao século VI a.c.)

Roma nasceu de um pequeno povoado nas terras férteis do Lácio, centro da península Itálica, recebendo influência de diversos povos indo-europeus que se fixaram na região desde o século X a.C., como os latino-faliscos e os sabinos. As colinas de Palatino, Esquilino, Quirinal, Célio e Viminal foram ocupadas por comunidades tribais. Evidências arqueológicas apontam que por volta de 900 a.C. teve início a imigração e o domínio dos etruscos no território do Lácio, até que, no século VIII a.C., a cidade (urbs) de Roma teria sido fundada.

Mas além dessa versão histórica, há uma versão lendária sobre a fundação de Roma registrada pelo poeta Virgílio, na Eneida, e reelaborada por diversos autores gregos e romanos (leia o boxe a seguir). Pesquisas históricas indicam que as aldeias que deram origem à cidade foram reunidas e viveram sob um governo monárquico até o século VI a.C. Os clãs eram comandados por um rei, que detinha também o comando do Exército e dos assuntos da justiça e a função de sacerdote. Os quatro primeiros reis (Rômulo, Numa Pompílio, Túlio Hostílio e Anco Márcio) fazem parte das narrativas lendárias da história romana. O período monárquico, que compreende o governo dos três últimos reis (Tarquínio, o Velho; Sérvio Túlio; e Tarquínio, o Soberbo), refere-se ao período de dominação etrusca, existindo registros históricos sobre sua existência. Durante esse período, Roma possuía uma economia essencialmente agrícola. Do ponto de vista social, a elite romana era formada pelos patrícios, grandes proprietários de terra que constituíam uma aristocracia detentora de privilégios políticos e religiosos. Abaixo deles estavam os plebeus, homens livres que não tinham direitos políticos, sendo, portanto, marginalizados. Muitos desses plebeus eram clientes – indivíduos que prestavam serviços aos patrícios, além de ser seus dependentes ou agregados. Na mais baixa situação social estavam os escravos, endividados ou vencidos em guerras, considerados simples instrumentos de trabalho e ainda pouco numerosos no período monárquico.

Do ponto de vista político, o rei acumulava funções executivas, judiciais e religiosas, mas seu poder era controlado pelo Senado ou Conselho dos Anciãos, dominado pelos patrícios. O conjunto dos cidadãos em idade militar e aptos para lutar formava a Assembleia ou Cúria.

No fim do século VII a.C., a estabilidade romana foi quebrada pela dominação dos etruscos, que impuseram sua força militar e política, passando a nomear os reis de Roma. Tarquínio, o Soberbo, último rei de origem etrusca, que governou de 534 a.C. a 509 a.C., foi deposto por uma insurreição liderada pelos patrícios. A Monarquia foi abolida e o Senado passou a representar o poder supremo, configurando-se um regime de características oligárquicas: a

República.

República (séculos VI a.C.-I a.C.)

O governo republicano passou a ser exercido pelos magistrados, com assessoria do Senado. Na prática, o órgão máximo de poder na nova estrutura política instaurada em Roma era o Senado, que exercia funções legislativas e controlava toda a administração e as finanças, tendo poder até mesmo para declarar guerras. Seus membros vinham de um grupo restrito de famílias abastadas e eram vitalícios. Os magistrados tinham a função de administrar a República, eram eleitos para mandatos de um ano e não recebiam nenhuma remuneração

por esse trabalho, o que levava somente os mais ricos a se candidatarem para a magistratura. Eram eles:

• os cônsules, que, sempre em número de dois, eram os mais importantes magistrados, propondo as leis, presidindo o Senado e as assembleias e, em caso de guerra, nomeando um ditador temporário;

• os pretores, que administravam a justiça;

• os censores, que faziam a contagem e a classificação da população de acordo com a renda;

• os edis, que cuidavam da conservação, do abastecimento e do policiamento da cidade;

• e os questores, encarregados do Tesouro público, ou seja, das finanças do governo.

As instituições republicanas completavam-se com as assembleias romanas (centurial, curial e tribal), encarregadas da nomeação dos magistrados e da ratificação das leis.

O sistema político republicano era controlado pelos patrícios, daí seu caráter oligárquico. Os plebeus, marginalizados e descontentes com sua situação, eram fonte de crescente tensão, e a Roma republicana vivia sempre a possibilidade de uma convulsão social.

Em 494 a.C., os plebeus, revoltados, retiraram-se de Roma para o Monte Sagrado, passando a exigir representação política na cidade. Sem os plebeus, as atividades de Roma ficaram paralisadas, e com isso eles conseguiram demonstrar que sua importância real não refletia em direitos políticos. Os patrícios cederam à pressão e criaram o cargo de tribuno da plebe, que, eleito pelos plebeus, tinha poder de veto sobre as decisões do Senado. O acontecimento é tido por muitos como um dos primeiros casos de intensa mobilização popular para forçar a concessão de benefícios por parte das classes dominantes. Outras concessões foram feitas pelos patrícios, visando atenuar as tensões sociais. Em 450 a.C. foi elaborada a Lei das Doze Tábuas, primeira compilação das leis romanas. Até então as leis eram transmitidas oralmente e quase sempre manipuladas a favor dos patrícios; agora, as leis estavam escritas e ficavam expostas em tábuas no prédio do fórum romano, para conhecimento de todos. Em 445 a.C., foi permitido o casamento entre patrícios e plebeus. Em 367 a.C., os plebeus passaram a ter acesso às terras públicas.

Mesmo assim, os conflitos sociais continuaram, principalmente em consequência das transformações econômicas provocadas pela política de expansão territorial da República romana. Entre os séculos V a.C. e III a.C., Roma conquistou toda a península Itálica. O ponto alto dessas conquistas ocorreu com as Guerras Púnicas contra Cartago. Essa cidade, fundada por fenícios, controlava praticamente todo o comércio na bacia do Mediterrâneo desde o enfraquecimento grego decorrente das Guerras do Peloponeso.

Sua situação geográfica privilegiada, uma vez que estava situada no norte da África e dominava a ilha da Sicília, contribuiu para o monopólio da ligação do Mediterrâneo ocidental com o oriental pelos cartagineses.

Já os romanos viam a Sicília como um prolongamento da península e tinham interesse em suas terras férteis. O choque de imperialismos entre Roma e Cartago acabou por desencadear a guerra. Entre 264 a.C. e 146 a.C., ocorreram três grandes guerras, que culminaram com a destruição de Cartago e o controle romano de vastos territórios espalhados por todo o Mediterrâneo.

As conquistas provocaram profundas transformações em Roma. O Senado passou a administrar um vasto território, e a riqueza produzida convergia para a cidade, que agora era a capital de um grande império. O enorme afluxo de bens das províncias conquistadas, pela pilhagem de guerra ou pela cobrança de tributos, produziu um impacto na economia, com a queda cada vez mais acentuada dos preços dos produtos agrícolas. Em outras palavras, a guerra expansionista passou a ser elemento-chave da economia romana.

Os patrícios ligados ao Senado eram os maiores proprietários de terras. Os pequenos proprietários plebeus da península Itálica, não encontrando condições de sobreviver no campo, vendiam suas terras e transformavam-se em mão de obra barata na cidade.

A cidade de Roma, em consequência, passou a crescer desmedidamente, o que elevou a tensão social. Dos territórios conquistados chegavam milhares de escravos, consolidando a economia escravista. Surgia uma poderosa classe de comerciantes, chamados de homens-novos, ansiosos por alguma participação política. Toda essa situação configurou a crise da República romana, pois o governo oligárquico não tinha mais condições de fazer frente às crescentes pressões sociais e políticas. A tensão social aumentava. Uma nova tentativa de superação da crise foi a ideia de reforma agrária, proposta pelos irmãos Tibério e Caio Graco, que exerciam o cargo de tribunos da plebe e viam na distribuição de terras uma forma de superar a crise, satisfazendo as necessidades da plebe empobrecida.

Em 133 a.C., Tibério Graco propôs que as terras do Estado deveriam ser distribuídas para os cidadãos pobres. Sob forte oposição das elites romanas, essa proposta de Tibério foi aprovada, mas sua execução acabou sendo impedida. Anos mais tarde, em 124 a.C., seu irmão Caio Graco, então tribuno eleito, retomou o projeto da lei agrária sem, no entanto, considerar as terras controladas por alguns senadores, considerados os mais importantes. Em 121 a.C., pressionado, Caio pediu que seu escravo o matasse, e seus muitos seguidores acabaram sendo perseguidos e mortos.

Ao fim desse processo, o projeto de reforma política e agrária dos irmãos Graco fracassou e a concentração de terras nas mãos dos patrícios continuou a existir. A questão agrária continuou desencadeando tensões sociais e outras tentativas de redistribuição de terras foram defendidas, como a de 91 a.C., por iniciativa do tribuno Marco Lívio Druso, que acabou sendo assassinado. Em meio ao conflito surgiram as ditaduras militares. Aliando-se ora aos aristocráticos patrícios, ora ao partido popular (composto de plebeus e homens--novos, que eram marginalizados politicamente), os ditadores eram generais do Exército, e seus governos refletiram a grande importância assumida pelas forças armadas no momento da crise.

As constantes disputas pelo poder entre os militares resultaram na criação dos triunviratos, governos de três líderes político-militares – o que também acabou aguçando divergências. O primeiro triunvirato era formado por Caio Júlio César, Pompeu e Crasso. Júlio César proclamou-se ditador, iniciou uma série de reformas econômicas e administrativas e tentou,

sem sucesso, criar um novo pacto político no qual seu poder seria maior que o do Senado. Sucederam-se a proclamação da ditadura vitalícia de César e seu assassinato, em pleno Senado, em 44 a.C. Seguiu-se o segundo triunvirato, formado por Marco Antônio, Otávio e Lépido, originando novos confrontos. Otávio, em 31 a.C., conseguiu derrotar seus rivais e recebeu do Senado os títulos de princeps (‘primeiro cidadão’) e imperator (‘o supremo’).

Atribuiu a si mesmo o título de augustus (‘o divino’).

Concentrando os poderes em suas mãos e realizando uma série de reformas, Otávio Augusto derrubou a República e instaurou o Império. Observe, no mapa abaixo, as conquistas de Otávio Augusto.

O Alto Império (séculos I a.C.-III d.C.)

Com a centralização do poder nas mãos do imperador e a diminuição do poder do Senado, ocorreu uma profunda reforma política em Roma. O imperador passou não só a deter o poder político, mas também a ser cultuado como uma divindade, como indica seu título de augustus (‘o divino’). Na prática, os imperadores eram ainda comandantes do Exército e impunham sua autoridade pela força.

Otávio Augusto, ao implantar o Império, dedicou-se a instituir reformas administrativas que progressivamente favoreceram a constituição de uma burocracia, nomeada com base em critérios censitários, ou seja, de acordo com os rendimentos. A burocracia era a nova classe privilegiada de Roma, formada tanto pela antiga aristocracia.

O Alto Império (séculos I a.C.-III d.C.)

patrícia (que assim mantinha seus privilégios, embora subordinada politicamente ao imperador) quanto pelos comerciantes enriquecidos com a expansão territorial (homens-novos que, dessa forma, ganhavam espaço na partilha do poder). Atenuava-se, assim, a tensão social entre as camadas mais abastadas. Otávio praticou várias vezes a doação de trigo (e, posteriormente, de pão) ao povo. Já os munera ou ludi (jogos, disputas e combates entre gladiadores) eram celebrados de acordo com a vontade do imperador e as circunstâncias políticas. Em obra denominada O pão e o circo, o historiador Paul Veyne propõe um estudo sobre o funcionamento político de Roma fazendo com que a expressão “pão e circo” tenha sido utilizada por alguns historiadores para descrever os mecanismos políticos na Roma antiga. Leia, a seguir, a interpretação do historiador francês sobre essas estratégias.

Além de garantir os privilégios da elite burocrática e o sustento da plebe, Otávio manteve a expansão territorial como objetivo permanente do Império. Roma conquistava territórios cada vez mais extensos. Centenas de milhares de estrangeiros eram escravizados, e seu trabalho se tornou a base da economia romana. Ao mesmo tempo, o exército se fortalecia, o que era sinônimo de estabilidade política, isto é, de um imperador também forte. O governo de Otávio Augusto (27 a.C.-14 d.C.) foi caracterizado ainda pela ampliação do comércio entre as províncias, construção de estradas, pontes e aquedutos e grandes realizações culturais. A literatura floresceu, destacando-se a atuação do ministro Mecenas, que apoiou financeiramente artistas e escritores como os poetas Virgílio, Horácio e Ovídio (origem da expressão mecenato). Esse período, considerado o mais rico da civilização romana em termos culturais, foi denominado Alto Império.

Após a morte de Otávio Augusto, assumiu o governo o imperador Tibério, seguindo-se diversos governantes tradicionalmente lembrados de maneira negativa. O governo de Tibério teria sido marcado pela imoralidade e pela corrupção, com intrigas, conspirações e perseguições. Foi durante seu governo que Jesus Cristo foi crucificado. Seu sucessor, Calígula, teria sido um déspota, e Cláudio, que o sucedeu, foi envenenado pela própria esposa.

O imperador Nero, por sua vez, foi acusado de atear fogo em Roma e culpar os seguidores do cristianismo – que por isso eram presos e levados às imensas arenas para enfrentar leões ou outros animais selvagens, ou ainda gladiadores, em espetáculos públicos. Nero também teria ordenado a morte de sua mãe, a de seu meio-irmão e a de sua esposa. Embora certas fontes históricas, como os escritos dos historiadores Tácito e Suetônio, não retratem o imperador de forma favorável, alguns relatos apontam a sua popularidade entre o povo romano. A historiografia tradicional de Nero como “imperador maldito”, reforçada com produções de historiadores cristãos nos séculos seguintes, tem sido questionada e revista, apontando novas interpretações.

Somente com a dinastia dos Flávios (68 d.C.-96 d.C.) e, em especial, com a dos Antoninos (96 d.C.-192 d.C.) foram superadas as violentas disputas sucessórias, e Roma retomou a expansão territorial. As últimas anexações do Império e a estabilidade financeira firmaram a fase final do apogeu romano. Destacaram-se os imperadores Trajano, que retomou a ampliação do território, e Marco Aurélio, conhecido como o “imperador filósofo”.

O Baixo Império (séculos III d.C.-V d.C.)

A partir do século III da Era Cristã, a civilização romana mergulhou em sucessivas crises, iniciando um período que alguns historiadores denominam Baixo Império, e outros, Antiguidade tardia. A expansão territorial, base de toda a riqueza e estabilidade política e social do Império Romano, foi se esgotando. Esse esgotamento ocorreu por vários motivos: a própria dimensão territorial alcançada; a pressão dos povos dominados e vizinhos; as dificuldades para novas anexações – devido à distância e aos custos. Além disso, havia obstáculos naturais detendo os romanos, desde os desertos da África e do Oriente Médio até as florestas da Europa central.

Mais importante que expandir o território era manter e fortalecer as fronteiras do Império Romano. Sem novas conquistas, porém, não havia captura de escravos, e a mão de obra começou a se escassear. A economia romana, que se baseava no trabalho escravo, entrou em crise. Os elevados custos para manter as estruturas imperiais, militares e administrativas abalaram o poder romano, reativando as disputas entre chefes militares e acelerando a crise imperial. Paralelamente, crescia em meio à população cativa a adesão a uma nova crença, o cristianismo, que surgira durante o governo de Otávio Augusto e logo passara a se expandir dentro das fronteiras do Império.

Para os escravos, o caráter ético do espiritualismo cristão era consolador e carregado de esperanças: para os bons cristãos, uma vida melhor após a morte (no paraíso); para os maus ou para os pagãos, o contrário(uma vida eterna no inferno). Em última análise, o cristianismo oferecia aos escravos uma alternativa de salvação, ainda que após a morte.

A nova religião passou a ter um caráter subversivo para a estrutura política romana, pois era universal, contrária à violência e rejeitava a divindade do imperador, bem como a estrutura hierarquizada e militarizada do Império. Na medida em que o colapso econômico rondava o Império, cada vez mais homens livres se convertiam ao cristianismo.

Em meio às dificuldades, o Estado romano passou a intervir cada vez mais na vida econômica e social da população, tentando salvar o Império Romano. Alguns dos imperadores que tomaram medidas nesse sentido foram Diocleciano, Constantino e Teodósio.

• Diocleciano (284-305): criou o Édito (decreto) Máximo, fixando os preços de mercadorias e salários, numa tentativa de combater a crescente inflação. Não teve sucesso e os problemas de abastecimento aumentaram.

• Constantino (306-337): tomou providências sobre a política religiosa do Império e, após reunião em Milão (313), firmou uma resolução que definia a liberdade de culto aos cristãos. Estabeleceu também uma segunda capital para o Império, em Constantinopla (antiga Bizâncio, cidade grega), a leste e próxima ao mar Negro, em uma parte do Império menos atingida pela crise do escravismo. Leia a seguir a resolução da liberdade de culto aos cristãos.

• Teodósio (378-395): transformou o cristianismo em religião oficial do Império (Édito de Tessalônica), nomeando-se chefe da religião organizada. Dividiu o Império Romano em duas partes: do Ocidente (com capital em Roma) e do Oriente (com capital em Constantinopla), também chamado de Império Bizantino. No governo de Teodósio, um novo problema agravou a situação já crítica de Roma: o aumento da penetração de povos bárbaros – como os romanos denominavam todos os povos que não viviam dentro das fronteiras do Império Romano e não falavam latim. Inicialmente chegaram como trabalhadores agrícolas, muitas vezes arrendando vastas extensões de terras antes cultivadas por escravos, e logo sua entrada no Império se transformou em invasão.

Em 476, um dos povos bárbaros, os hérulos, invadiram e saquearam a cidade de Roma, derrubaram o último imperador, Rômulo Augusto, e decretaram o fim do Império Romano, ao menos em sua parte ocidental.

As invasões bárbaras, contudo, não foram a causa única da desagregação do Império. Constituíram um sintoma de sua crescente debilidade, pois o Império Romano, enfraquecido econômica e politicamente pelas revoltas sociais e pelas crises políticas e do escravismo, época em que se acelerava a expansão do cristianismo, não teve condições de se defender de ataques externos.

A cultura romana

A arte romana alcançou muito prestígio em consequência do poderio político e militar obtido pelo Império Romano. Construções como as fortificações e muralhas e obras públicas, como aquedutos, pontes e estradas resultaram da organização da sociedade romana e do sentido de utilidade que os romanos conferiam às suas criações arquitetônicas e artísticas.

Roma herdou dos gregos a visão humanista do mundo. Também eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses, incluindo as mesmas divindades gregas sob denominações diferentes. Assim, por exemplo, o deus grego Zeus passou a ser Júpiter para os romanos, Dioniso transformou-se em Baco, Poseidon em Netuno, Afrodite em Vênus. Os cultos aos deuses eram realizados por meio de orações, sacrifícios públicos, oferendas nos templos, danças e festas. As pinturas murais, assim como as esculturas romanas, receberam influência etrusca, itálica e helênica.

Os romanos também se destacaram na língua e na literatura, com Cícero, o maior orador latino; Ovídio, autor de Arte de amar; Tito Lívio, autor de História de Roma; e Virgílio, autor de Eneida (relato da fundação mítica de Roma), entre muitos outros. O Coliseu e outros anfiteatros – arenas ovais ou circulares rodeadas de degraus a céu aberto – foram palco das encenações teatrais, festivais públicos e espetáculos de gladiadores.

As termas romanas, local onde eram realizados os banhos públicos, também se destacaram no cotidiano romano. Ponto de encontro dos cidadãos, local de conversação e do exercício da vida política e intelectual, as termas já existiam em outras civilizações, mas foram amplamente desenvolvidas e utilizadas em Roma. A estrutura das termas seguia a estrutura espacial da cidade romana e apresentava pinturas e mosaicos decorativos.

Um dos maiores legados romanos à posteridade foi seu código de leis. Dividia-se em Jus Naturale (direito natural), compêndio de filosofia jurídica; Jus Gentium (direito das gentes), compilação de leis abrangentes, ou seja, não considerava nacionalidades; e Jus Civile (direito civil), leis aplicáveis aos cidadãos de Roma.

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