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Unificações tardias: Itália e Alemanha

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Unificações tardias: Itália e Alemanha

A unificação italiana

 

A Itália, imbuída de forte sentimento nacionalista, despertado principalmente pelas divisões impostas pelo Congresso de Viena, aceleraria sua política de unificação. A península Itálica, até o século XIX, estava fragmentada em vários Estados e ducados, segundo determinações impostas pelo Congresso de Viena. Era mais uma expressão geográfica do que uma unidade política. No início do século XIX, destacaram-se os carbonários – cujo nome está associado às cabanas dos carvoeiros, onde se encontravam secretamente –, tidos como os precursores dos movimentos pela unificação italiana. Reunindo monarquistas e republicanos, sem uma linha de ação definida, os carbonários atuavam em toda a Itália. A partir das lutas de 1848, que veremos no próximo capítulo, destacaram-se os republicanos, liderados por Mazzini e Garibaldi (que também participou da Revolução Farroupilha, no Brasil), e os monarquistas, liderados pelo conde Cavour. Estes últimos tomaram a frente das lutas pela unificação a partir do reino do Piemonte-Sardenha, Estado independente, industrializado e progressista, governado por Vítor

Emanuel II.

No rastro das revoluções europeias de 1848, conhecidas como “Primavera dos povos”, houve rebeliões liberais por reformas em quase todos os reinos italianos.

O movimento pela unificação italiana, enfraquecido pelas diversas derrotas para os austríacos, só voltou a ganhar força, novamente, na década de 1860.

Nesse mesmo ano, os “camisas vermelhas” de Garibaldi, forças populares republicanas que já haviam conquistado Parma, Módena, Toscana e parte dos Estados Pontifícios, libertaram a Sicília e o sul da Itália, governados pelo monarca absolutista da família Bourbon, Francisco II. Entretanto, eram os monarquistas liberais e burgueses, instigados pelo jornal Risorgimento, que lideravam os movimentos de libertação do restante da Itália, especialmente da República de Veneza e da parte não conquistada dos Estados Pontifícios. Assim, mesmo contrário a uma unidade monarquista, Garibaldi abandonou a política para não dividir as forças italianas de unificação, favorecendo Vítor Emanuel II.

Com a ajuda da França, o Piemonte anexou vários territórios italianos ao norte. Depois, também

anexou Veneza. Frente às incursões italianas contra os Estados Pontifícios, a França retirou seu apoio aos unificadores, passando a apoiar o papa. Porém, as forças de unificação aproveitaram a conjuntura de guerra entre a França e a Prússia de 1870, invadiram Roma, contrariando a vontade do papa, e a tornaram capital italiana. Em janeiro de 1871, Vítor Emanuel II transferia-se para Roma, completando o processo unificador e, pouco depois, um plebiscito consagraria

a anexação. O reconhecimento do Estado italiano pelo papa, no entanto, só aconteceu em 1929, já sob o governo de Mussolini.

Mesmo com a unificação italiana, várias questões ficaram pendentes, como a das províncias setentrionais do Tirol, Trentino e Ístria, de população predominantemente italiana e em mãos dos austríacos. Essas regiões, que formavam as províncias irredentas (ou seja, não libertadas), eram reivindicadas pela Itália, e essa foi uma das razões que levaram a Itália a entrar na Primeira Guerra Mundial contra a Áustria.

 

A unificação alemã

 

O Congresso de Viena acabou com a Confederação do Reno, criada por Napoleão I, e em seu lugar formou a Confederação Germânica (Deutscher Bund), composta de 39 Estados soberanos e liderada pelo Império Austríaco – absolutista e de economia agrária. À Áustria contrapunha-se a Prússia, que, mais desenvolvida comercial e industrialmente, pretendia edificar um grande Estado germânico que se projetasse no cenário internacional. O passo fundamental para a unidade foi dado, inicialmente, em 1834, com a criação do Zollverein – união alfandegária que derrubou as barreiras aduaneiras entre os Estados alemães, proporcionando uma efetiva união econômica que dinamizaria o capitalismo alemão. Deixada fora do Zollverein pela diplomacia prussiana, a Áustria reagiu, ameaçando a Prússia de guerra e obrigando-a a recuar. O Império

Austríaco recuperava, dessa forma, sua supremacia na Confederação Germânica.

A Prússia, por seu lado, iniciou, em 1860, um programa de modernização militar sustentado pela

aliança da alta burguesia com os grandes proprietários e aristocratas. Tendo à frente o chanceler Otto von Bismarck, reiniciaram-se as lutas pela unificação alemã com uma estratégia que visava à exaltação do espírito nacionalista alemão por meio de sua participação em guerras. Na Guerra das Sete Semanas (1866), desfez-se a Confederação Germânica e a Prússia saiu vitoriosa sobre a Áustria, organizando a Confederação Germânica do Norte sob a liderança do Kaiser Guilherme I Hohenzollern, de quem Bismarck era ministro. O processo de unificação de toda a Alemanha,

entretanto, encontrava obstáculos nos Estados autônomos do sul, apegados às soberanias locais

ou ainda sob influência austríaca.

Napoleão III opunha-se à completa unificação alemã, pois faria emergir uma grande potência em suas fronteiras orientais. O aguçamento das tensões deu-se quando, em 1869, o trono espanhol ficou vago, cabendo a Coroa a um primo do Kaiser Guilherme I, Leopoldo Hohenzollern. Napoleão III vetou a sucessão, vendo-a como um cerco da família Hohenzollern

à França. Como era previsto por Bismarck, os Estados do sul da antiga Confederação Germânica uniram-se aos do norte na guerra contra a França, vencendo-a na Batalha de Sedan e completando a unificação germânica. Em janeiro de 1871, num episódio humilhante aos franceses, Guilherme I foi coroado imperador do Segundo Reich (“Império”) na Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes, em Paris. Pouco depois foi assinado entre os dois Estados o Tratado de Frankfurt, segundo o qual a França teria de pagar uma indenização à Alemanha e entregar-lhe o território da Alsácia-Lorena.

Com a unificação, a Alemanha cresceu vertiginosamente, a ponto de, em 1900, superar a Inglaterra na produção de aço. O desenvolvimento industrial alemão colocou em risco a hegemonia britânica mundial, causando muitos atritos. A exigência alemã de uma redivisão colonial que a favorecesse, somada às alianças político-militares, levou à Primeira Guerra Mundial.

 

as lutas trabalhistas e as internacionais Operárias

 

O socialismo está inseparavelmente ligado aos movimentos dos trabalhadores e seus projetos de mudança social. O movimento operário europeu, durante o século XIX, teve períodos de ascensão e de refluxo. Na Inglaterra, a ascensão trabalhista desembocou no cartismo, movimento popular que reivindicava reformas nas condições de trabalho (especialmente limitação da jornada) e direitos políticos (sufrágio universal).

Na década de 1850, porém, após as revoluções sociais frustradas de 1848 e a repressão do Estado, o movimento operário foi consideravelmente abalado. Em 1864, o movimento operário voltou a ganhar força, quando foi fundada em Londres a Primeira Internacional Operária, também chamada de Associação Internacional dos Trabalhadores. Os primeiros encontros foram marcados pelas divergências entre marxistas, anarquistas e sindicalistas. O conflito teórico entre Marx e Bakunin ganhou maior repercussão com os acontecimentos da Comuna de Paris (1871), um governo popular de curta duração. Em 1872, num congresso em Haia, nos Países Baixos, Bakunin e seus seguidores anarquistas foram expulsos da Internacional e, em 1876, a própria associação foi dissolvida em virtude da divisão entre os trabalhadores.

Numa nova investida trabalhista, foi fundada a Segunda Internacional Operária (1889), com um sentido mais reformista e menos revolucionário, adotando os ideais da Social-Democracia Alemã, primeiro partido político socialista. Segundo esses ideais, o socialismo seria alcançado lentamente, pelas reformas, pelo voto, pela via parlamentar. Mas a união dos trabalhadores foi breve: no início do século XX, os marxistas revolucionários, liderados pelo russo Vladimir Lenin e pela alemã Rosa Luxemburgo, opuseram-se aos moderados.

As massas trabalhadoras dividiram-se ainda mais durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), sepultando a Segunda Internacional. Em 1919, em Moscou, em meio à Revolução Russa, formou-se a Terceira Internacional, que assumiu o nome de Internacional Comunista, conhecida também como Comintern, e que seria o embrião dos partidos comunistas de todo o mundo.

Os moderados ou reformistas da Segunda Internacional, discordantes dos revolucionários russos, tentaram reorganizá-la, adotando, a partir de 1923, o nome de Internacional Socialista, base dos partidos socialistas. A partir de então, comunistas e socialistas separaram-se, com visões de mundo e propostas diferentes. Enquanto os socialistas passaram a ser rotulados pelos comunistas de seguidores do reformismo utópico, os comunistas eram acusados de serem

radicais, revolucionários e autoritários.

 

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